Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Sexta-feira, Outubro 17, 2008
O País: não basta seres belo
Receio que este texto venha a ser interpretado como pretendendo “tirar pão” alguns. Mas, torna-se inevitável descartar um comentário sobre uma instituição que presta um serviço público, quando estes se afiguram aquém das expectativas, ou pelo menos roçam a burla.
Há bem pouco tempo o Grupo SOICO transformou o jornal semanário O País em Diário. Grande passo esse, dado pelo grupo. Bayano Valy fez uma grande e importante análise sobre as implicações desse arrojo. Seria redundante voltar a falar desse assunto.
O que não consigo esconder neste momento é o medo de este esforço defraudar e de que maneira as expectativas dos leitores.
Se já na altura em que o Jornal era Semanário, grande parte dos conteúdos eram os mesmos anteriormente noticiados pela STV, agora que é diário, a situação tende a piorar, criando em mim um grande desconforto. Um jornal belo como o é, não fica bem ser ao mesmo tempo defraudador das expectativas!
Já tinha comentado no Blog do Bayano duas coisas e aqui volto a repetir com algum detalhe:
Dos colunistas, das repetições de notícias já televisionadas
O jornal deve passar a ter seus próprios conteúdos; mais desenvolvidos, com cabeça, pés e membros. O que até agora está a acontecer é que quase todos conteúdos incluindo as fotos são retirados dos serviços noticiosos da STV, que também é sua propriedade. É uma pena porque para os que gostam de se informarem, tais “notícias” não passam de uma fraude, por já terem sido televisionadas, apesar de se defender que nem todos têm acesso a Televisão! Sim, mas, se não tem televisão, dificilmente essa gente teria dinheiro para diariamente adquirir um jornal!
Mutandi Mutadis
A nossa querida Olívia Massango deve sair da chefia da redacção por já ter dado o que devia dar. Era de opinião que Lázaro Mabunda ou, segundo Bayano, outra pessoa capaz de gerir e dar outro gás a um diário pudesse substitui-la.
Se calhar, essa mania de andar a repetir conteúdos da STV no País seja exactamente a carência de ideias frescas capazes de tornar o jornal diferente e mais apetecível a leitura. Prove-me o contrário Olívia.
Ao longo do seu reinado, Olívia Massango não tem conseguido convencer e mandar pagar bons colunistas, o que é uma pena que contrasta com o carácter da STV. O Jornal O País anda a nos entreter com opiniões de alguns apresentadores e jornalistas da STV em forma de coluna! Isso é no mínimo um embuste! Quando eu compro O País, não estou disposto a ler o que, por exemplo Ernesto Martinho – Jornalista e apresentador da STV (meu amigo) - pensa sobre as eleições dos EUA; peça que já leu no serviço noticioso da STV! Estou, antes, interessado em ver caras novas, pagas para pensar e escrever; digo, colunistas.
Olívia Massango também não foi capaz de nos trazer análises de fundo sobre um determinado assunto. Não temos registo de nenhuma competência de redacção a não ser das suas lucubrações ocasionais patentes na sua coluna. Ela pode ser uma boa socióloga, o que não duvido, mas o que nós, leitores, queremos é notícia, análise e investigação.
E, no fundo, dá-me a sensação que Jeremias Langa é que de quando em vez vem dando lufadas de ar fresco a já cansada equipa de redacção! Em suma, FALTA PLANIFICAÇÃO na equipe do O Pais. E quem faz e coordena essa planificação é, sem dúvida, a chefe de redacção, ou seja Olívia. Porém, para planificar precisam-se de ideias.
Abraços a sensatez. Amigos amigos, negócio a parte, não nos ludibriem. Trabalhem.
Publicada por Egídio Vaz em 11:28 5 comentários
Edson Macuacua é Metrossexual!
- Asssim o diz Wasikate va Moçambique, um blog que vale a pena ler
Publicada por Egídio Vaz em 09:49 3 comentários
Quinta-feira, Outubro 16, 2008
Os Jovens vão a Cheringoma
Ou, Hama Thai tinha razão: "nós jovens não somos de nada!"
Vai ter lugar brevemente e em Cheringoma, a segunda Conferência Nacional da Juventude Moçambicana.
Não estou bem informado sobre a agenda, mas parece que será para avaliar passos até agora dados à luz da Declaração de Chokwe, um documento saído da primeira conferência nacional da juventude tida em Chokwe.
O encontro é patrocinado pelo Governo através do ministério de tutela bem como dalguns “amigos dos jovens”, entre empresas e organizações nacionais e internacionais.
Está na moda agora: Sempre que uma organização pretende reflectir, organiza “excursões” para o “interior” de Moçambique; de preferência para lugares turísticos como praias, parques e reservas de animais bravios ou mesmo acampam em lugares baldios e inóspitos! Para um país onde se prega austeridade para fazer face a crise e à crescente escassez de recursos, já se imagina quão dispendiosas têm sido esses pic-nics.
Sim, a Juventude moçambicana, aliás as lideranças juvenis nacionais não o são na verdade. Esses, não passam de um conjunto de almas ambiciosas pelo poder e recursos de poder, mas que infelizmente, por tão atabalhoadas que estão, não conseguem vislumbrar formas e mecanismos eficazes para alcança-los. Com discursos frívolos e vazios mas de coração efervescente, acabam assim, envergando pelo seguidismo, pelo discursismo e pela procura frequente de mecanismos que visam, mas que na verdade não passam disso.
Não vejo nos dirigentes juvenis de hoje, nenhuma ideia original; muito menos arrojo.
Sim, os jovens vão a Cheringoma avaliar o grau de implementação da Declaração de Chokwe. Para começar, poucos são os jovens deste Moçambique que conhecem essa declaração, muito menos o que preconiza(va). Mas já lá vão eles avaliar o grau de sua implementação.
Os jovens vão a Cheringoma debater mecanismos que visão…sei lá o que. Mas de certeza não vão para coisas sérias. Vão acompanhar o ministro da Juventude e Desportos; vão ouvi-lo e também e acima de tudo, as lideranças juvenis, vão lá para lamentar, mais uma vez e como sempre nos habituaram.
Três factores estratégicos concorrem para o marasmo em que se encontra a nossa Juventude, por culpa dos seus líderes.
1. Alianças incestuosas
As nossas lideranças facilmente se cooptam por pequenos recursos de poder; aqueles que apenas resolvem momentaneamente as ambições sejam de grupo, sejam pessoais mas que a longo prazo se revelam incapazes de responder às expectativas dos demais. Por exemplo, contentam-se por ter um gabinete concedido pelo Governo, lápis e caneta e uma secretária; chaleira e outras bugigangas à troco da sua complacência perante tamanha falta de políticas públicas focalizadas para a Juventude. Para piorar, aliam-se ao poder político, seja ele da oposição ou do partido no poder, na vã esperança de obter facilidades.
Nas suas mentes, está erradamente claro e bem patente que no país, só se alcança algo mediante patrocínio político. Assim e por isso, para se ser Presidente do Conselho Nacional da Juventude tem que necessariamente beneficiar do apoio político da Frelimo. Eles dizem, ser membro da OJM!
Assim, as lideranças juvenis não trabalham. Passam o tempo todo a ver com quem se aliar; a quem namorar e como fazer com que as suas ideias (que não existem) passem rapidamente. Não admira porém que por falta de visão, acabam se imiscuindo em agendas alheias como iniciativas presidenciais, da primeira-dama e das famosas ferias desenvolvendo o distrito; qual excursão travestida em trabalho!
2. Preguiça mental, intelectual e física
As nossas lideranças são muito preguiçosas. Dificilmente pensam de forma estratégica, muito menos deixam os mais capazes exporem suas ideias. Preferem marchar por causas que desconhecem a trabalhar arduamente seja nos gabinetes, seja no campo, para a materialização da agenda que prometeram implementar. Por causa da sua preguiça, não procuram romper com o ciclo vicioso a que se encontram; não fazem nem o mínimo esforço de se tornar independentes; não estudam matérias nem advogam por causas. Limitam-se a espreitar no cofre do Ministério de tutela para ver o que de lá se pode tirar com menos esforço. Os outros, os que estão longe do centro do poder, também limitam-se em pedir mais apoio sem no entanto saber-se para quê.
Do ponto de vista das relações internacionais, as lideranças da nossa juventude são sim preguiçosas. Tão preguiçosas que não se internacionalizam, nem formam alianças capazes de advogar internamente causas nobres como a questão palestiniana ou zimbabweana; não são capazes de tomar posição perante questões como mudanças climáticas, boa governação ou políticas económicas. Apenas se limitam em requerer mais preservativos para alegadamente intensificar campanhas de sensibilização contra o HIV e Sida!
3. Incultura política, défice de cidadania e falta de visão de futuro
Porque na realidade não sabem o poder que têm e a diferença que são capazes de fazer, as nossas lideranças se limitam aos ditames do sindroma TINA –there is no alternative!
Sim, porque não sabem ou acham difícil lutar, limitam-se em gravitar naquilo que é possível fazer. Tornam-se assim, reprodutores do sistema e das relações de poder vigentes, autênticas caixas de ressonância! Pior nisso é ouvir desses jovens dizer que o estado social e político em que vivemos coincidem com o que gerações que nos precederam com ele sonharam! Nunca vi tanto comodismo junto!
O nosso sistema de educação é tão domesticador que se torna difícil diferenciar entre o catecismo pregado nas igrejas e os curricula ora administrados em todos subsistemas de ensino no país! Os jovens são feitos para obedecer e não pensar; muito menos pensar por si. E, volta-e-meia, vem ministros falarem de auto-emprego, auto-estima e outros tantos autos…que ao longo da formação o sistema não foi capaz de inculcar.
Assim, mais uma vez irão os jovens em Cheringoma debater o estado de implementação da Declaração de Chokwe. Sim, levam também preservativos e cartazes para intensificarem a sensibilização na camada jovem (assim dizem) contra o HIV e SIDA.
E isso acontece longe do escrutínio dos jornalistas e de outros jovens críticos, que foram criteriosamente decantados da cúria decisória. Não foi por acaso que muitas outras organizações e associações juvenis foram excluídas desse bom safari.
Notas sobre Cheringoma
Cheringoma é um dos 128 distritos que compõem Moçambique. Pertence a Província de Sofala, centro de Moçambique. Tem como capital, Inhaminga. Foi durante muito tempo bastião da Renamo, tendo por lá permanecido até o final da guerra, em 1992.
Teve o seu primeiro administrador do pós-guerra nomeado por Afonso Dhlakama, à luz do acordo geral de Paz de Roma.
A sua capital, Inhaminga seria a segunda maior da Província de Sofala, se a Renamo não se dedicasse à sua destruição ao longo dos anos que a ocupou.
Hoje, Cheringoma é dos distritos de difícil acesso. Graças a estrada centro-nordeste, ainda se pode chegar com alguma facilidade.
Por lá passa o parque Nacional da Gorongosa, o maior de Moçambique, que atrai muitos turistas e se calhar, motivo de cobiça para os jovens que lá vão em conferência.
Economicamente, Cheringoma está a recobrar-se da destruição e estagnação. A sua capital denota um grande carecimento económico, apesar de ainda necessitar de mais investimento. Tem água, luz e serviços de telefonia móvel e um comércio razoável.
Produz algodão, girassol e gergelim, mas os seus camponeses enfrentam grandes problemas de comercialização.
Porém, para efeitos da Conferencia da Juventude que irá se realizar, transportar delegados de todo o país para Inhaminga não será tarefa fácil. Vai sim, ser uma conferência muito dispendiosa porque tudo ou quase tudo deverá vir da Beira, segunda cidade do país ou de Maputo, donde vos escrevo, agravando assim os custos de operação.
Publicada por Egídio Vaz em 14:58 8 comentários


