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Livros III

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Chego a Roma no dia 28 de Novembro [de 1990] e, ao desembarcar no aeroporto de Fiumicino, cruzo-me com Dina Fortti, um nome de referência obrigatória na história das relações de cooperação Moçambique-Itália e do conhecimento e amizade entre os povos dos dois países. Imediatamente, e pela "mão" de Fortti, localizo a delegação governamental, hospedada pelo Governo italiano no Hotel Ambaciador, na célebre e luxuosa Via Veneto. Dou à delegação governamental moçambicana um breve relato jornalístico da Conferência de Paris e, imediatamente, o então Ministro dos Transportes e Comunicações, Armando Guebuza, comenta: "constou-me que foram citados nomes de dirigentes políticos da Frelimo que pretendem promover capitalismo selvagem em Moçambique: lembra-se de algum dos nomes referidos?" Respondi-lhe com um sorriso.
Tomás Vieira Mário (2004). Negociações de paz de Moçambique. Crónicas dos dias de Roma. Maputo: CEEI/ISRI, p.10
Para quem esteja interessado em aprofundar com detal…

Livros II

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Temos que reencantar as ciências sociais, infiltrando-as com o vírus da emoção e da solidariedade, com a militância, com a nossa disponibilidade e a nossa coragem de usarmos o conhecimento não para os poderosos, mas para os deserdados.
Ousemos ser utópicos.
Carlos Serra (2005). Ciências Cientistas e investigação. manifesto do reencantamento social. maputo: Imprensa Universitária, p.88.
Autor do Combates pela mentalidade sociológica, Carlos Serra é por uma ciência social re-humanizante e que esteja ao serviço dos "deserdados da terra"; de todos aqueles que sofrem num mundo cruel e excludente.
Serra é um dos poucos cientistas sociais e cidadãos residentes em Moçambique mais interventivos na nossa esfera pública.
Este é para mim, um autêntico catecismo. Recomendo a sua leitura e re-leitura.

Livros

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O desenvolvimento [de Moçambique] não está nas coisas grandes que escapam à compreensão do cidadão mais simples. Está nas coisas simples que dizem respeito a forma como lidamos uns com os outros no nosso quotidiano [...] A nossa pobreza absoluta está na miséria das nossas maneiras. Pessoalmente já cheguei à conclusão de que o desenvolvimento é um problema de boas maneiras. Quem desvia fundos duma instituição pública está a faltar respeito a milhares de pessoas[...].
Elísio Macamo (2006). Trepar o Pais pelos Ramos. Maputo: Ndjira, p. 142.
Fundamental livro, esse, para quem esteja interessado em aguçar a sua análise crítica em relação a aparentemente, pequenas manifestações sociais do nosso Moçambique.
Nele, combate-se por uma cidadania actuante e uma mentalidade sociológica racional.

Parabéns Professor

Faz hoje um ano que o Professor Carlos Serraé blogger. Faz hoje um ano desde que a sua oficina foi aberta. Em pouco tempo, ela ganhou uma notoriedade invulgar na nossa blogosfera. Num ano, a sua oficina produziu dois livros: Diário de um Sociólogo 1 e Diário de um Sociólogo 2.
Em um ano, um Blogdestacou-o. Outro blog, o Curto e Grosso, classificou-o como blog de Outro Nível.
Para além do José Pimentel Teixeira, Carlos Serra foi dos primeiros mais destacados cientistas sociais a "acreditar nas viabilidade das tecnologias de comunicação e informação" como meio válido para a discussão e intervenção cívica.
Num momento em que alguns cientistas sociais eximem-se à sua condição de cidadãos, Serra foi dos poucos a contrariar a regra. Por isso, não faltaram pessoas que o criticaram o seu intervencionismo na esfera pública.
Por tudo o que ele nos ensinou, desejo a si e ao seu blog, longos anos de vida.
PS: O Professor passará a ter duas datas natalícias: o do seu nascimento e do seu blog.…

Recreio e Divulgação

Recreio e Divulgação é o título de uma das secções nas páginas do Jornal Notícias. Nela aparecem divulgadas notícias nacionais, internacionais, desporto, cultura, enfim, tudo aquilo que não mereceu destaque nas páginas nobres como "economia, política, nacional, capital, etc. Do mesmo modo, os textos do sociólogo Elísio Macamoapareciam na secção denominada "sociedade". Não sei bem o critério usado para qualificar tanto os textos como as notícias. Por isso a conclusão a que cheguei. Posso estar errado. Na sua edição de ontem, o jornal traz a notícia de que até 2025 o país passará a ter 6500 cientistas. Isso mesmo, 6500. Ou seja, nos próximos dezoito (18) anos, o país terá que formar 5900 novos "cientistas". E desenganem-se os que pensam que os ceintistas sociais estão inclusos. Para o Ministério de Ciência e Tecnologia, cientista é aquele que sabe fazer. E a prova disso é o seu portal. Na secção de "Instituições de Pesquisa", apenas estão onze (11) Inst…

A acumulação do capital na África Austral

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Um livro de extrema importância para quem deseja compreender a economia da África do Sul e da África Austral no geral. Editado por Patrick Bond, Horman Chitonge e Arndt Hopfmann, “The Accumulation of Capital in Southern Africa“ pretende demonstrar a relevância contemporânea e a actualidade do pensamento económico da Rosa Luxemburgo.

O livro é resultado do III Seminário de Educação Política Rosa Luxemburgo, organizado em conjunto pelo Centro da Sociedade Civil da Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, e pelo Gabinete Regional Sul Africano da Fundação Rosa Luxemburgo, entre 2 a 4 de Março em Durban.

O seminário examinou as características gerais da acumulação capitalista no contexto global, regional e local, contexto este moldado, por um lado, pelo impacto crescente do impulso corporativo da globalização, bem como pela expansão do capital sul africano em países vizinhos, emergência de novas formas de 'acumulação primitiva' sob o rótulo do 'Fortalecimento da economia negra&…

As Ciências Sociais e o Desenvolvimento segundo Aires Aly

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Quando pela primeira vez reagi contra uma Oração de Sapiência proferida pelo actual Ministro da Educação Aires Aly, pensava que fossem palavras de ocasião. Estava enganado.
Voltou, mais uma vez, a atacar as ciências sociais quando falava acerca da abertura de outras instituições universitárias no país.
Graças ao alerta do Professor Elísio Macamo, que no seu blogue fala sobre o mesmo assunto, o Ministro voltou a dizer que para a conceção das licensas para abertura de outras universidades e instituições de ensino supreior, os proprietários destas deverão se curvar à política vigente.
Portanto, a política vigente é a que prioriza o Desenvolvimento do Distrito e Combate à Pobreza Absolutta. Nessa, e para o meu espanto, o ministro não vê o papel das ciências sociais, mas o das Ciências, ditas exactas.
Será que estamos no caminho certo, quando começamos a ostracisar algumas áreas do saber em detrimento de outras? Será que o Ministro, está a falar coisas por conveniência política ou por convicçã…