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O medo que os outros querem em nós infundir ou as algemas de que tanto temem

Carta aberta aos compatriotas

Caros amigos leitores
Escrevo-vos hoje para chamar atenção a algum tipo de instrumentalização de que o nosso povo tem sido vítima. Esta instrumentalização ancora-se na infusão do medo à mudança. O nosso povo tem sido desencorajado a pensar na mudança da governação. Tem pelo contrário, sido encorajado a pensar na continuidade porque, segundo os arautos da continuidade, ela é boa e “provou” ser boa. Dizem os propagandistas que devemos votar na continuidade porque se fizermos o contrário o país vai regredir. Os defensores da continuidade recorrem essencialmente a três tipos de discurso de medo para encobrir o verdadeiro medo: o medo das algemas.
Irmãos, nós estamos numa situação em que um pequeno grupo de pessoas nos controla há 40 anos num sistema de cativeiro. Nós vivemos num sistema de cativeiro, irmãos e eles, poucos, estão fora deste cativeiro com suas famílias, fazendo-nos que nem animais num jardim zoológico. Esta é uma injustiça! E eles têm a noção d…
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DESENVOLVIMENTO COMO FOTOGRAFIA No ano passado (2013) o meu amigo, conselheiro e Porta-voz do Presidente da República Dr Edson Macuácua deu uma entrevista ao jornal O Público onde ofereceu a sua opinião sobre o pulsar do país sob a liderança de Armando Guebuza. E quis o Editor reter uma mensagem sua em relação a como nós moçambicanos deveríamos ver e perceber os processos de desenvolvimento. E num título célebre, Macuácua era citado como tendo instado aos moçambicanos para a ver o desenvolvimento não como uma fotografia mas como um filme. Sim, filme porque na sua perspectiva e segundo o jornal, o desenvolvimento era um processo dinâmico e multifacetado, igual ao filme, ao passo que a fotografia era estática. O título e respectiva justificação valeram-lhe críticas de um lado e aplausos de outro, tendo muito pouco sido discutidos os argumentos por ele apresentados. Hoje retomo ao tema, para buscar justamente a “casca”, a sua deixa e defender que o desenvolvimento deve mesmo ser visto com…

A propósito da promoção da cerveja: contra o fomento de mitos e da conspiração

Eu acho que devíamos entender o que se passa para tamanha descida do preço da cerveja. Fala-se agora de 3=100, ou seja, com 100 meticais obtém-se 3 garrafas de cerveja importada, como Castle Lite.
Para mim, vários aspectos podem concorrer para tal. Tentarei ser sucinto.

1-Dumping - A situação politico-militar pode ter evitado o transporte de bebidas similares de Maputo para outros cantos do país, criando um excedente. Para tal, deveremos saber qual foi o fluxo deste tipo de mercadoria nos últimos meses
2- FRIO ou Tempo impróprio, criando baixa da procura: o frio que se faz sentir pode desviar os consumidores a outras opções, com realce aos vinhos e bebidas espirituosas.
3-Fuga ao fisco: a fuga ao fisco principalmente dos importadores de cerveja tem efeito catalítico sobre o preço final. Assim, se tiver havido alguém que tenha introduzido quantidades assinaláveis de cerveja sem ter pago os devidos impostos, obviamente pode desencadear a baixa de forçando a 2M a seguir o exemplo. Combi…

Pegar o boi pelos cornos: contra a apatia e o cinismo

A crítica sem a prática superadora correspondente leva à inacção, ao pessimismo, à desmobilização e no limite, à desmoralização. As análises que não desembocam nessa direcção superadora tendem a se manter em visões descritivas ariscando assim a sua eficácia. A maioria das análises críticas que tenho lido por aqui destacam aspectos da realidade e absolutiza-os, tirando-os do contexto; não dão conta da totalidade do fenómeno. Este tipo de crítica não capta as contradições vivas da realidade, não remete à prática, enfim, resigna-se a uma visão externa ao objecto analisado. Vivemos actualmente à sombra do vocabulário maoísta. Mas é importante que para além deste vocabulário e de palavras de ordem esforcemo-nos para encontrar saídas sustentáveis aos problemas que Moçambique hoje vive. Um crítica que se pretende superadora ocupa-se da limpeza do campo de concepções que reflectem de forma parcial ou completamente equivocada a realidade, não para deter-se aí, mas para incorporar seus elementos…

Sobre a indolência da nossa razão e a urgência na tomada de posição

A alínea “a” do artigo 161 da Constituição da República reza taxativamente o seguinte: “ [No domínio da defesa nacional e da ordem pública, compete ao Presidente da República] ”
a) Declarar a guerra e a sua cessação, o estado de sítio ou de emergência.
Sendo assim, os moçambicanos [organizados em sociedade civil] não devem antecipar-se ao PR nem força-lo a tomar tal decisão.
Isto não quer dizer que os processos em curso pela busca da normalidade democrática e constitucional me agradem. Pelo contrário, enervam-me os progressos, os métodos e os resultados até aqui alcançados. Porém, não deixaria de fazer notar o desagrado que me causa o enquadramento que se dá a meras acções banditescas por alguma sociedade civil incluindo alguma mídia. O primeiro passo para a busca da paz é a própria serenidade e a sabedoria necessária para melhor enquadrar o que está a acontecer.
Para não alongar-me, queria dizer o seguinte
1. Que as TVs, rádios e jornais parem de reproduzir discursos vagos de apelo …

O sentido das manifestações

Sobre a greve dos médicos moçambicanos no seu oitavo dia

Apesar de ser o povo o mais afectado pela greve dos médicos, este mesmo povo manifesta o seu inequívoco apoio a greve e exige o Estado a atender as exigências destes. Ironicamente, o governo acusa os médicos de serem humanamente insensíveis à causa do povo. De que povo fala o governo se este já mostrou a sua simpatia para a causa dos médicos? Deve estar claro para qualquer cidadão que na República de Moçambique, quem mata mais não é a malária, SIDA, Tuberculose ou a greve dos médicos.
Em Moçambique, quem mata mais é o governo através de:
a) Políticas salariais insensíveis que promovem e oficializam a corrupção em toda extensão das relações entre governadores e governados;
b) Corrupção galopante que retira grande parte dos recursos do Estado e do país para os bolsos individuais dos servidores do Estado, subvertendo desta forma a pirâmide do contrato social: em vez de serem os governantes os servidores do povo, eles servem-se do p…

Deixemos que a Frelimo se divida em dois para que os lambe-botas enlouqueçam de vez!

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- Sobre o X Congresso da Frelimo

Muito já foi dito pelos mais insignes analistas e sumidades na matéria. Apenas queria ver o outro possível penteado em relação ao “bicefalização” do poder na Frelimo. Pelo que o Presidente Guebuza é o único candidato à presidência da Frelimo. Então, ele voltará de Pemba com mais um mandato por cumprir! Tudo bem.
Durante muito tempo pensei contra esta “inovação”. Na verdade, muitos que alinham pelo diapasão fazem-no por temer das macabras intenções do actual titular do cargo mais importante do país. Mas tudo isto não passa, ou pode não passar de mera especulação e nervosismo.
Eu vejo uma oportunidade em separar as águas; em ter um presidente a tempo inteiro e cuidar dos assuntos do país e um outro a cuidar do partido Frelimo. E mais, se este modelo se alargar até os níveis mais baixos da hierarquia partidária, as possibilidades para o alargamento das liberdades, redução da corrupção e conflito de in…