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URIAS SIMANGO, HERÓI NACIONAL DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Este é meu desejo, como historiador, cidadão.
CONTEXTO Uria Timóteo Simango (15 de Março de 1926 - 1977 ?) foi um pastor presbiteriano moçambicano e líder proeminente da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, durante a luta de libertação contra o regime colonial português. A data exacta da sua morte é desconhecida, uma vez que foi extra-judicialmente executado (juntamente com vários outros dissidentes da FRELIMO e sua esposa, Celina) pelo governo pós-independência de Samora Machel. A sua biografia foi publicada em 2004. Simango foi membro fundador da FRELIMO, com estatuto de Vice-Presidente desde a formação desta frente até à data do assassinato do seu primeiro líder, Eduardo Mondlane, em Fevereiro de 1969. Simango sucedeu a Mondlane na liderança da FRELIMO mas, na luta pelo poder após a morte de Mondlane, a sua presidência foi contestada e, em Abril de 1969, acabou por ser substituída pelo triunvirato composto pelo próprio Simango e pelos marxistas de linha dura Samora Machel e …

ANO JUDICIAL, PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Participei pela primeira vez na minha vida da cerimónia de abertura do ano judicial. Ouvi os discursos da Procuradora-geral da República, do Presidente do Tribunal Supremo e do Bastonário da Ordem dos Advogados. Por fim, ouvi o discurso do Presidente da República. Para além destes discursos, também prestei atenção a muitos advogados e magistrados sonecando em plena sala. Na verdade, os que sonecavam faziam a verdadeira justiça ao tempo deles. Esta foi uma cerimónia cheia de nada: declarações de intenções sem nenhuma visão articulada, conceitos mal formulados e muito bla bla de praxe. O Presidente do Tribunal Supremo trouxe uns dados que por mim era preferível que não tivessem sido trazidos a tona sem que fossem contextualizados. O rácio Juiz por cada 100 mil habitantes por exemplo é uma demonstração cabal de que aquele Juiz grande não estava seguro do que queria comunicar. Outros factos como rácio de processos findos, média de processos findos por juiz ou tempo médio de resolução de…

Funcionários do MITESS aprofundam percepção sobre discursos de Filipe Nyusi

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Funcionários do MITESS aprofundam percepção sobre discursos de Filipe Nyusi Os funcionários do Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS), a diferentes níveis, estão a levar a cabo sessões de estudo e discussão dos discursos do Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, proferidos por ocasião da sua tomada de posse, em Janeiro último, bem como aquando da posse dos membros do seu novo Governo e de Governadores provinciais.
Facilitadores: Professor Francisco, Reverendo Anastácio Chembeze e o jurista e jornalista Tomás Vieira Mário.
Fonte: Jornal Esquento, Sexta-feira, dia 27 de fevereiro de 2015.

Comentário Começo por dar os meus parabéns aos facilitadores pelo tempo, pelo esforço e pela inteligência na facilitação. Se o que está aqui escrito for verdade, espero que os presentes tenham aproveitado o momento para explorar com a necessária profundidade as “recomendações contidas nos discursos de Nyusi”, o Presidente da República de Moçambique. Outrossim, quero exortar…

PRAÇA DOS HERÓIS NÃO É CEMITÉRIO!

A última vez que escrevi sobre isto foi há três anos atrás. E hoje volto a insistir.
A Praça dos Heróis Nacionais é o local onde se celebram as efemérides mais importantes do País. É o ponto mais importante e mais alto de todas as cerimónias oficiais de carácter histórico-cultural do nosso país.

Nos 40 anos da nossa independência, a Praça tem recebido os filhos mais nobres deste país: tanto vivos como mortos, sendo os vivos em visita dos mortos. É lá onde repousam maior número dos heróis nacionais. Samora e Mondlane foram primeiro lá e depois seguiram para as suas terrais natais. [Mondlane foi antes enterrado em Tanzânia e depois seus restos mortais transladados a Maputo].
Agora que o Tenente-general José Moiane faleceu, foi declarado Herói e para lá foram seus restos mortais repousar.

EU NÃO CONCORDO COM O TRATAMENTO QUE A PRAÇA DOS HERÓIS ESTÁ A TER POR PARTE DO ESTADO MOÇAMBICANO.

A Praça dos Heróis não deve necessariamente ser um cemitério, para começar. A Praça dos Heróis deve s…

AS MENSAGENS DE CHITIMA

Sou tetense. As mortes dos meus conterrâneos me deixam inconsolável. Mas nelas busco forças e coragem para continuar a chamar atenção a lâmina sobre a qual vivemos pendurados. Vivemos em cima de uma lâmina. Cunho o aforismo de Carlos Serra, tetense, sociólogo moçambicano e meu professor, que escrevera em 2003 um livro intitulado "Em cima de uma lâmina, Um estudo sobre precaridade social em três cidades de Moçambique". Este país vive em cima de uma lâmina. E a tragédia de Chitima tratou mais uma vez de expô-la, principalmente em relação ao nível de preparação da sociedade e do Estado na sua capacidade de lidar com grandes crises. Até agora morreram 63 pessoas em consequência do envenenamento do pombe. Das 146 pessoas que inicialmente deram entrada nos hospitais de Chitima e Songo, 63 já faleceram, representando 43%. 35 Pessoas estão internadas. Quero aqui falar da vulnerabilidade, de impreparação das autoridades sanitárias em lidar com surtos epidémicos e tragédias, da nossa…

O NOVO GOVERNO: O REMÉDIO PARA A FELICIDADE COM O GOVERNO DE NYUSI É PENSAR QUE ELE NÃO EXISTE

"government should do for people only what they cannot do better by themselves, and no more", Abraham Lincoln "o governo deverá fazer aos cidadãos apenas o que eles não podem fazer melhor por si só, e nada mais", Abraham Lincoln Uma das formas de lidar com as expectativas do novo governo é cuidar da sua vida, fazer de contas que "Guebuza foi de férias" planificar nas condições actuais da política e economia; fazer de contas que este país não tem ninguém para te dar a mão. Assim, deverá pensar em sua estratégia de sobrevivência, fazer suas alianças estratégicas e pensar no negócio autônomo.
Quem assim proceder logrará melhores resultados do que aquele que espera endossar toda a responsabilidade da sua prosperidade ao "governo".
Isto não é resignar. Chama-se FOCO. ESTE É O MEU ÚNICO DESEJO, minha única expectativa do governo de Nyusi. Ensinar e encorajar as pessoas a pensarem e agirem de forma autónoma. Ajudar os cidadãos a encontrar soluções para os…

Sobre a tolerância civilizacional

Em 2005 o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou um conjunto de 10 cartoons sobre Muhamad (SAW) com o objectivo de "desafiar o exercício da liberdade de expressão na Dinamarca" que, segundo o jornal, já estava ameaçada pela crescente influência dos muçulmanos. Leiam o texto abaixo, que publiquei em 2006. As consequências disto foi que em todo mundo, o mundo muçulmano se levantou contra aquilo que eles acharam por insulto ao seu líder e profeta. Numa manifestação que teve lugar em Maputo, Bayano Valy meu amigo, foi violentamente agredido pelos seus correligionários quando tentava sensibilizar para que a manifestação não resvalasse para o insulto às autoridades, na violência contra património e na queima de bandeiras, entre outras manifestações que na altura estavam a ter lugar defronte da antiga sede do SAVANA. É preciso frisar que um dos cartoons aparecia Muhamad (SAW) com uma bomba na cabeça, deixando insinuar que o islão era religião do terror.
Quase dez anos depois, o…