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RENAMO: PARA UM DEBATE SOBRE A SUA HISTORIOGRAFIA

As seis questões por mim colocadas ontem não tinham por objectivo levantar quaisquer que fossem animosidades. Elas tinham por objectivo contribuir para o início de um debate em torno da institucionalização de um gráfico de tempo mais ou menos partilhado entre os moçambicanos. Ou seja, ao mesmo tempo que discutimos sobre a verdadeira idade do Partido Frelimo; a diferença entre partido Frelimo e o movimento de libertação nacional FRELIMO; a data e local da sua fundação, tentei com as perguntas provocadoras espevitar os moçambicanos sobre a história da Renamo. Urge saber isso; as novas gerações precisam, para que não caia na mentira ou sucumbam à propaganda branqueadora. A RENAMO: A MORAL, A DIPLOMACIA E A HISTORIOGRAFIA Falar da fundação da Renamo hoje é sem dúvidas um sério desafio ético, moral e epistemológico. Tal como Aquino de Bragança e Jacques Depelchin (1986) escreveram em "Da idealização da Frelimo à compreensão da História de Moçambique" sobre a problemática teleológ…

TEMOS PROBLEMAS NO PARLAMENTO II

Elogios, falta de atenção e manobras dilatórias dominam os debates da AR. Mas PORQUÊ?

Esperava que esta legislatura trouxesse alguma qualidade ao debate na Assembleia da República, principalmente em relação à discussão de opções de política propostas pelo governo. Parece que não será desta vez.
Deixe-me expressar a minha preocupação com relação a um comportamento geral dos deputados da Assembleia da República durante as sessões plenárias.
Em média, estes levam um terço do seu tempo a “endereçar saudações especiais ao seu líder partidário”. A Renamo enaltece Afonso Dhlakama, apelidando-o de pai da democracia multipartidária. A Frelimo enaltece Filipe Nyusi “pela sábia forma como dirige o país” e o MDM acha que Daviz Simango, seu presidente, é o melhor gestor público de Moçambique e da África Austral.
Ora, não é que esteja contra a reverência dos deputados aos seus líderes mas tais saudações não só consomem muito tempo, pois elas são extensivas ao povo moçambicano, ao círculo eleitoral …

TEMOS PROBLEMAS NO PARLAMENTO I

Jargão, linguagem coloquial e assimetria da informação

Ficou provado que os deputados sabem pouco, não dominam nem se interessam em aprender os aspectos cruciais de um plano ou orçamento. Isto facilitou o trabalho dos governantes que passearam a sua classe e deram verdadeiras aulas gratuitas e que provavelmente ninguém as entendeu.
Enquanto as bancadas da oposição dizem que o plano económico e social e o orçamento não correspondem as expectativas da população, a bancada da Frelimo (com honrosas menções, como Alberto Vaquina por exemplo) diz que o programa e o plano representam a expressão do povo. Na verdade, os dois estão a enganar o povo incauto. É verdade que o plano não corresponde aos anseios do povo mas não por causa do que a oposição anda a dizer ou alegar.
Os anseios do povo são que a pobreza acabe hoje, os corruptos sejam todos detidos e deixe de andar em carros de caixa aberta e que o metro de superfície e o TGV liguem as províncias. Só que isso não vai acontecer hoje nem am…

CARTA AOS DEPUTADOS DA Assembleia da República de Moçambique

À todas bancadas
Caros senhores deputados da Assembleia da República de Moçambique Escrevo-vos para dar o meu feedback sobre o primeiro dia da sessão ordinária que hoje iniciou em que debateram o plano quinquenal do governo. Pretendo com este pronunciamento manifestar a minha preocupação com relação a postura que tomaram quando apreciaram o Plano Quinquenal no Governo. Serei breve, para não vos cansar. Senhores deputados, fiquei preocupado com a qualidade das vossas contribuições, no geral, com honrosas excepções. A primeira impressão com que fiquei foi que individualmente nenhum de vocês leu o documento completo, todo ele, da primeira a última página. As apreciações e comentários das comissões de especialidade mostraram que nenhuma das comissões leu o documento como todo e pior, não compreenderam a filosofia do documento que tinham nas mãos. Isto notou-se pela qualidade e tipo de comentários feitos: sugeriam vocês alteração de um ou outro parágrafo, acréscimo de alíneas ou simplesme…

CHECK AGAINST DELIVERY: Guebuza confirma que a Frelimo está em crise

Na prática diplomática existe um termo chave quando o assunto é o discurso “oficial”: CHECK AGAINST DELIVERY ou seja, VAI SEGUINDO O QUE ELE DIZ que é oficial do que o papel que tem nas mãos]. Em grandes conferências e cimeiras, quando líderes mundiais discursam, têm sempre um documento que chama por “discurso oficial”. Estes, amiúde ficam disponíveis para todos mas com uma ressalva. Eles sempre alertam aos jornalistas e outros interessados a tomarem com oficial o que no momento do discurso for dito. E logo no topo do documento (discurso) escreve-se CHECK AGAINST DELIVERY. Acontece em grandes cimeiras: União Africana, ONU, UE, NATO, SADC, Comitê Central da Frelimo, Congressos, etc. É o que farei aqui, em relação a que ouvi e vi no discurso de Armando Guebuza, presidente da Frelimo. A dado passo, ele recordou aos presentes e ao país que os adversários da Frelimo querem “acabar” com a Frelimo; portanto, não querem o bem para a Frelimo. Recordou para tal as mortes de Mondlane e Samora como e…

AFINAL, PARA QUE É QUE “CRIAMOS” O MINISTÉRIO DA JUVENTUDE?

Esboço crítico sobre o sector da Juventude visto a partir do Plano Quinquenal do Governo Na verdade, é muito mais fácil entender o que o Ministério dos Combatentes vai fazer nos próximos 5 anos do que o Ministério da Juventude e Desportos.
INTRODUÇÃO

Começarei por um esclarecimento: o plano ora em alusão ainda não foi aprovado. É ainda uma proposta, mas que já se encontra no website do governo. Ele ainda vai ao Parlamento e se calhar, ao Comitê Central da Frelimo que se reúne entre os dias 26-29 para o endossar. Portanto, ainda é susceptível de alguns ajustes pontuais. É neste espírito que, acreditando no potencial de poder contribuir, teço as presentes considerações críticas. Quando o meu amigo Alberto Nkutumula foi nomeado ministro da Juventude e Desportos, o meu coração alegrou-se. Ainda, com nomeação da Ana Flávia Azinheira, contente ainda fiquei. Aprecio o seu profissionalismo e são pessoas cujos percursos profissionais tanto admiro.  Ora, este entusiasmo ainda existe, pois acred…

URIAS SIMANGO, HERÓI NACIONAL DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Este é meu desejo, como historiador, cidadão.
CONTEXTO Uria Timóteo Simango (15 de Março de 1926 - 1977 ?) foi um pastor presbiteriano moçambicano e líder proeminente da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, durante a luta de libertação contra o regime colonial português. A data exacta da sua morte é desconhecida, uma vez que foi extra-judicialmente executado (juntamente com vários outros dissidentes da FRELIMO e sua esposa, Celina) pelo governo pós-independência de Samora Machel. A sua biografia foi publicada em 2004. Simango foi membro fundador da FRELIMO, com estatuto de Vice-Presidente desde a formação desta frente até à data do assassinato do seu primeiro líder, Eduardo Mondlane, em Fevereiro de 1969. Simango sucedeu a Mondlane na liderança da FRELIMO mas, na luta pelo poder após a morte de Mondlane, a sua presidência foi contestada e, em Abril de 1969, acabou por ser substituída pelo triunvirato composto pelo próprio Simango e pelos marxistas de linha dura Samora Machel e …