Mensagens

DAS NOMEAÇÕES: COMPETÊNCIA E DEMOCRACIA

Nos últimos três meses, três nomeações “abalaram-me”: as substituições de Nelson Ocuane por Omar Mithá na ENH; João Ribeiro por Osvaldo Machatine no INGC, Rosário Fernandes por Amelia Nakare na Autoridade Tributária e, provavelmente, de João Loureiro por Maria Isaltina de Sales Luca no INE. Em média, todos os que foram substituídos representam a cara limpa de dirigentes do estado em pelouros-chave que, com transparência, sabedoria e mérito, dirigiram as instituições mais nevrálgicas de Moçambique.
Como era de esperar, não faltaram lamúrias, medo e incerteza sobre o rumo das instituições dirigidas pelos exonerados, num momento em que a corrupção e o clientelismo afiguram-se como os principais desafios a superar na actual governação. A reacção que mais se ouve por aí é amiúde: “que pena, ele era tão competente. Será que o substituto conseguirá manter o ritmo?”. Outras reacções perscrutam ou abordagens clientelistas ou as que tem a ver com a meritocracia. Deixe-me sugerir-vos uma pergunt…

RENAMO: PARA UM DEBATE SOBRE A SUA HISTORIOGRAFIA

As seis questões por mim colocadas ontem não tinham por objectivo levantar quaisquer que fossem animosidades. Elas tinham por objectivo contribuir para o início de um debate em torno da institucionalização de um gráfico de tempo mais ou menos partilhado entre os moçambicanos. Ou seja, ao mesmo tempo que discutimos sobre a verdadeira idade do Partido Frelimo; a diferença entre partido Frelimo e o movimento de libertação nacional FRELIMO; a data e local da sua fundação, tentei com as perguntas provocadoras espevitar os moçambicanos sobre a história da Renamo. Urge saber isso; as novas gerações precisam, para que não caia na mentira ou sucumbam à propaganda branqueadora. A RENAMO: A MORAL, A DIPLOMACIA E A HISTORIOGRAFIA Falar da fundação da Renamo hoje é sem dúvidas um sério desafio ético, moral e epistemológico. Tal como Aquino de Bragança e Jacques Depelchin (1986) escreveram em "Da idealização da Frelimo à compreensão da História de Moçambique" sobre a problemática teleológ…

TEMOS PROBLEMAS NO PARLAMENTO II

Elogios, falta de atenção e manobras dilatórias dominam os debates da AR. Mas PORQUÊ?

Esperava que esta legislatura trouxesse alguma qualidade ao debate na Assembleia da República, principalmente em relação à discussão de opções de política propostas pelo governo. Parece que não será desta vez.
Deixe-me expressar a minha preocupação com relação a um comportamento geral dos deputados da Assembleia da República durante as sessões plenárias.
Em média, estes levam um terço do seu tempo a “endereçar saudações especiais ao seu líder partidário”. A Renamo enaltece Afonso Dhlakama, apelidando-o de pai da democracia multipartidária. A Frelimo enaltece Filipe Nyusi “pela sábia forma como dirige o país” e o MDM acha que Daviz Simango, seu presidente, é o melhor gestor público de Moçambique e da África Austral.
Ora, não é que esteja contra a reverência dos deputados aos seus líderes mas tais saudações não só consomem muito tempo, pois elas são extensivas ao povo moçambicano, ao círculo eleitoral …

TEMOS PROBLEMAS NO PARLAMENTO I

Jargão, linguagem coloquial e assimetria da informação

Ficou provado que os deputados sabem pouco, não dominam nem se interessam em aprender os aspectos cruciais de um plano ou orçamento. Isto facilitou o trabalho dos governantes que passearam a sua classe e deram verdadeiras aulas gratuitas e que provavelmente ninguém as entendeu.
Enquanto as bancadas da oposição dizem que o plano económico e social e o orçamento não correspondem as expectativas da população, a bancada da Frelimo (com honrosas menções, como Alberto Vaquina por exemplo) diz que o programa e o plano representam a expressão do povo. Na verdade, os dois estão a enganar o povo incauto. É verdade que o plano não corresponde aos anseios do povo mas não por causa do que a oposição anda a dizer ou alegar.
Os anseios do povo são que a pobreza acabe hoje, os corruptos sejam todos detidos e deixe de andar em carros de caixa aberta e que o metro de superfície e o TGV liguem as províncias. Só que isso não vai acontecer hoje nem am…

CARTA AOS DEPUTADOS DA Assembleia da República de Moçambique

À todas bancadas
Caros senhores deputados da Assembleia da República de Moçambique Escrevo-vos para dar o meu feedback sobre o primeiro dia da sessão ordinária que hoje iniciou em que debateram o plano quinquenal do governo. Pretendo com este pronunciamento manifestar a minha preocupação com relação a postura que tomaram quando apreciaram o Plano Quinquenal no Governo. Serei breve, para não vos cansar. Senhores deputados, fiquei preocupado com a qualidade das vossas contribuições, no geral, com honrosas excepções. A primeira impressão com que fiquei foi que individualmente nenhum de vocês leu o documento completo, todo ele, da primeira a última página. As apreciações e comentários das comissões de especialidade mostraram que nenhuma das comissões leu o documento como todo e pior, não compreenderam a filosofia do documento que tinham nas mãos. Isto notou-se pela qualidade e tipo de comentários feitos: sugeriam vocês alteração de um ou outro parágrafo, acréscimo de alíneas ou simplesme…

CHECK AGAINST DELIVERY: Guebuza confirma que a Frelimo está em crise

Na prática diplomática existe um termo chave quando o assunto é o discurso “oficial”: CHECK AGAINST DELIVERY ou seja, VAI SEGUINDO O QUE ELE DIZ que é oficial do que o papel que tem nas mãos]. Em grandes conferências e cimeiras, quando líderes mundiais discursam, têm sempre um documento que chama por “discurso oficial”. Estes, amiúde ficam disponíveis para todos mas com uma ressalva. Eles sempre alertam aos jornalistas e outros interessados a tomarem com oficial o que no momento do discurso for dito. E logo no topo do documento (discurso) escreve-se CHECK AGAINST DELIVERY. Acontece em grandes cimeiras: União Africana, ONU, UE, NATO, SADC, Comitê Central da Frelimo, Congressos, etc. É o que farei aqui, em relação a que ouvi e vi no discurso de Armando Guebuza, presidente da Frelimo. A dado passo, ele recordou aos presentes e ao país que os adversários da Frelimo querem “acabar” com a Frelimo; portanto, não querem o bem para a Frelimo. Recordou para tal as mortes de Mondlane e Samora como e…

AFINAL, PARA QUE É QUE “CRIAMOS” O MINISTÉRIO DA JUVENTUDE?

Esboço crítico sobre o sector da Juventude visto a partir do Plano Quinquenal do Governo Na verdade, é muito mais fácil entender o que o Ministério dos Combatentes vai fazer nos próximos 5 anos do que o Ministério da Juventude e Desportos.
INTRODUÇÃO

Começarei por um esclarecimento: o plano ora em alusão ainda não foi aprovado. É ainda uma proposta, mas que já se encontra no website do governo. Ele ainda vai ao Parlamento e se calhar, ao Comitê Central da Frelimo que se reúne entre os dias 26-29 para o endossar. Portanto, ainda é susceptível de alguns ajustes pontuais. É neste espírito que, acreditando no potencial de poder contribuir, teço as presentes considerações críticas. Quando o meu amigo Alberto Nkutumula foi nomeado ministro da Juventude e Desportos, o meu coração alegrou-se. Ainda, com nomeação da Ana Flávia Azinheira, contente ainda fiquei. Aprecio o seu profissionalismo e são pessoas cujos percursos profissionais tanto admiro.  Ora, este entusiasmo ainda existe, pois acred…