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Três opiniões diferentes sobre o TSEKE

Mas antes devo dizer que grande parte do que hoje constitui alimentos básicos dos moçambicanos, seja do campo ou cidade, é resultado da cultura Inca e Asteca, da América do Sul; MILHO, MAPIRA, BATATA, MANDIOCA, TRIGO (médio oriente), Arroz (sudeste da Ásia) etc., incluindo a própria BOWA (ou TSEKE), que também ocorre na América latina e domesticada antes pelos INCAS e só depois pelos africanos. O TSEKE é considerado pelos nutricionistas como “superfood”, ou seja, superalimento, dadas as suas propriedades nutritivas. Ou seja, o que temos como “natural” é produto que vem de fora, resultado das trocas comerciais entre africanos e outros povos e, principalmente, com o advento da colonização da África. Até a CABRA (Irão), o PORCO (Grécia, Turquia e depois Egipto), a VACA e a GALINHA, são essencialmente espécies não-africanas. Regra geral, considere essas plantas e animais domesticados entre 7000 a 2.5 mil anos antes de cristo. Grosso-modo, o povoamento da África subsaariana acontece no pr…

Etnocentrismo

De acordo com Paulo Silvino Ribeiro (2012), etnocentrismo é um conceito antropológico. O etnocentrismo ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, que não têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor ou pior, seja por causa de sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, por sua forma de se vestir, ou até mesmo pela sua cultura. Este conceito possui outros afluentes tais como sociocentrismo. Similar ao etnocentrismo, o sociocentrismo manifesta-se quando um grupo social ou étnico se acha superior que o outro ou quando considera seus hábitos e manias e interesses e preocupações superiores aos outros. Vem este longo intróito a propósito do debate que tem circulado na imprensa, nos cafés e nos demais espaços públicos a cerca do crescente custo de vida dos moçambicanos, especialmente dos grandes centros urbanos com particular destaque Maputo.
Então, com o despoletar da “crise” que se arrasta desde 2015, o governo e seus parceiros e…

Entre o pessimismo da razão e o otimismo da vontade: o que nos vem à memória com o lançamento do “SUSTENTA”?

A esperança é a alegria inconstante nascida da ideia de coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida. O medo é a tristeza inconstante nascida da ideia de coisa passada ou futura de cujo desenlace duvidamos em certa medida. Segue dessas definições que não há esperança sem medo e nem medo sem esperança. (…). Quem está suspenso na esperança – duvida do possível desenlace –, teme enquanto espera, quem está suspenso no medo – duvida do que possa acontecer –, espera enquanto teme.” (Baruch de Spinoza)

O tempo da comunicação

Prometi a Sura Rebelo que voltaria a reagir a nomeação da Senhora Klemens para o pelouro de recursos minerais e energia. Que não hajam dúvidas aqui. Foi surpreendente. Pelo SIM, pelo não, a senhora Klemens é um desvio padrão em termos de nomeações presidenciais e rompe com qualquer memória desta nação. Mas quero ser útil e conceder o benefício da dúvida como se confere à qualquer recém-nomeada. Porém, este benefício da dúvida é muito mais caro comparado a qualquer outro por mim dado. É que a Senhora Klemens não tem carreira, não tem obra e não tem profissão que se lhe conhece. Pode ter dinheiro, como qualquer outro endinheirado ou formaçao profissional. O seu breve CV é mesmo feito de duas folhas em branco e uma foto colorida. Não atrapalha a ninguém.
Em situações de crise como a nossa, uma nomeação presidencial deve comunicar o sentido da solução. Em algumas nações, esta nomeação era capaz de agitar mercados. No nosso caso, não temos nada para ser agitado. Está tudo de rastos.

Se ex…

Porque julgo que as actuais negociações entre o governo e a Renamo não terão bons resultados?

1. Re: Porque o pensamento da Renamo enferma o vício da indolência.O que faria se num jogo, percebesse que perdeu injustamente? Exigiria a repetição do jogo, a clarificação das regras do jogo ou a divisão dos pontos?Não é a primeira vez que a Renamo perde em sede das negociações ou se as ganha, ganha-as já enfraquecido e os dividendos acabam por se diluir em pouco tempo. A sair das segundas eleições gerais em 1999, Dhlakama quase que tinha ganho as eleições. Exigiu governadores em províncias onde obteve maioria. Mas o curso das negociações foi interrompido ou no mínimo baralhado quando Joaquim Chissano revelou que o emissário de Dhlakama estava a negociar dinheiro e não a nomeação dos governadores – só para demonstrar que a ideia e o desejo da Renamo em ter governadores nomeados em província onde obteve maioria não é de hoje. Já tem 15 anos.
Mas antes, em 1994, em pleno acto eleitoral, a Renamo e Dhlakama teriam anunciado desistirem do processo eleitoral por causa das irregularidades r…

O MACACO E O AGRICULTOR

Proposta de conversa com Primeiro-ministro Por melhores que sejam os planos de desenvolvimento, de relançamento da economia ou de combate à pobreza, se o governo não combater a corrupção, será impossível colher os resultados esperados. Será o mesmo que esperar encher o cesto de palha com água.
Os corruptos são como macacos da machamba. Enquanto o homem trabalha a terra, lança a semente e ou planta a cultura, ele está a ver; a espera da hora da colheita ou mesmo antes, para roubar. Nas plantações de cana-de-açúcar, o macaco arranca a estaca, comprometendo a própria produção do açúcar, fazendo o mesmo nas de mandioca e amendoim. Nas plantações de milho, ele chega cedo para dizimar a maçaroca. A melancia, ele parte-a, deita água e come o que lhe interessa.
Ou seja, a não ser que o agricultor interessado em garantir a sua produção encontre formas eficazes de conter a sagacidade do macaco, debalde será todo esforço financeiro, braçal e o tempo perdido e a frustração tomará conta deste. É po…

A ILUSÃO DAS ARMAS E O JOGO ALHEIO

Egidio Vaz
Espero que o texto seja o mais breve possível. 
Trata-se da ilusão da força das armas. Mas começarei com um dado curioso, cínico e, provavelmente de mau gosto: o número total de mortes por acidentes de viação é de longe superior que o dos mortos em consequência deste conflito neste momento: a OMS reporta uma media de 8 mil mortes por ano vitimas de acidentes de viação na República de Moçambique. Só em Janeiro de 2016, morreram mais de 24 pessoas e 57 ficaram feridos. Comparativamente a esta guerra, para além dos 5 mil refugiados vivos, pouco menos de 15 civis são reportados como mortos nos últimos 60 dias. Para além disto, não parece haver nenhum avanço de tomada de posições de ambas as partes, apesar de tanto barulho na imprensa comum e redes sociais. Portanto, estamos perante um bluff de um conflito armado; um jogo de baixo jaez, com muita malcriadez à mistura. Alguém, como é de imaginar, está a enriquecer a custa disto. 
Mas deixem-me voltar ao tema principal para discutir …