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LAM: SUBSÍDIOS PARA UM DEBATE INFORMADO

Este texto pretende ser curto. Não sei se conseguirei. Mas à medida que vou tentando ser sucinto, vêm-me à memoria um conjunto de nunaces que julgo serem importantes partilhar. Começo por uma verdade insofismável. No mundo inteiro, o sector da aviação comercial com voos regulares é um dos que menos lucro faz comparado com outros sectores de negócio. Portanto, a percepção que temos, de que as empresas de aviação comercial ganham balúrdios de dinheiro, é perdidamente incorrecta. Os lucros anuais das companhias aéreas raramente ultrapassam os 10%. A Barel Karsan, uma firma de análise de investimento, comparou o historial de lucros de 15 sectores económicos desde 1992-2006 e concluiu que o sector de bebidas não-alcoolicas é o que mais lucro faz e o do sector da aviação comercial o que menos lucro arrecada a cada ano. As indústrias de software, farmacéuticas e comsméticos estão entre as que mais lucro fazem. É verdade que do ponto de vista nominal os valores são grandes, porém, do ponto d…

COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL E RELAÇÕES PÚBLICAS: O que se pode aprender das visitas presidenciais?

UM memo aos comunicadores públicos

Antes de responder, uma pequena contextualização: o Presidente da República está a visitar os ministérios e entidades subordinadas para se inteirar sobre o funcionamento das mesmas, ver “in loco” o dia-a-dia das instituições e injectar um pouco de “veneno” de modo a que os planos e metas de governação sejam cumpridos. Acontece que até agora, o Presidente revoltou-se publicamente contra algumas práticas, decisões ou processos governativos ou de gestão.
A arraia de indignação gira “mais à esquerda mais à direita” ao tom e ao conteúdo que o PR deveria ou não dizer em público.

Não é meu interesse compulsar sobre o mérito da crítica ou da indignação (selectiva, diga-se) mas reflectir sobre como a comunicação institucional poderia ajudar na mitigação da negatividade com que as visitas presidenciais se associam.

O meu argumento é que cabe aos anfitriões construírem uma melhor narrativa sobre a sua instituição e urdir uma melhor estratégia de relações públic…

VAMOS CONSERTAR O 7 DE ABRIL

7 de Abril é um dia muito triste par mim. É o dia em que morreu uma das mais laboriosas mulheres moçambicanas. Josina Machel. Essa heroína de dimensão transcendental cuja obra é de reputação ilibada, devia merecer um dia especial. O DIA DA JOSINA (JOSINA DAY).
ORA, como historiador, não concordo que seja o dia da mulher moçambicana por causa de alguns detalhes éticos, historiográficos e até políticos.


Josina Machel foi uma das esposas de Samora Machel. Por sinal a última publicamente conhecida durante a luta armada de libertação nacional até a independência nacional. Voltarei a este ponto.Josina não faz parte do primeiro grupo de 25 mulheres a aderir a luta armada, entre elas, a Marina Pachinuapa. Portanto, ela chega muito mais tarde. “FOI NO DIA 4 DE MARÇO DE 1967 que Filomena Likune, Mônica Chitupila, Marina Pachinuapa e outras 22 colegas deram entrada no Centro de Preparação Político-Militar de Nachingwea, transportadas em camiões provenientes da fronteira entre Tanzânia e Moçambiq…

A REVELAÇÃO DE UM EQUÍVOCO POLÍTICO: Eliseu Machava, Secretário-geral da Frelimo

No dia em que a Assembleia da República abria-se para mais uma sessão, a bancada da Frelimo reuniu-se com o Presidente do partido e respectivos órgãos para mais um exercício de alinhamento concertação. Foi nesta reunião que se ouviram palavras de encorajamento daqueles deputados à liderança do Partido. De entre as tantas, a que mais captou a atenção foi a “reentronização de Nyusi para mais um mandato; até 2024” feita por Eduardo Mulémbue, antigo Presidente da Assembleia da República. Nos dizeres de Mulémbue, o Presidente Nyusi “é e será o nosso Presidente até 2024” sugerindo que dentro da Frelimo, não haviam dúvidas de que o Presidente Nyusi era até hoje o melhor candidato para o partido e que, devido ao seu desempenho como Presidente da República, não restam dúvidas que vencerá as eleições presidenciais de 2019. Este sentimento não é novo nem foi Mulémbue o único a expressá-lo publicamente. Alberto Chipande, veterano da luta armada de libertação já teria afirmado isso na Beira em 20…

Um bilião de pobres: por que os países mais pobres estão a falhar e o que pode ser feito?

O relatório da Transparência Internacional sobre Corrupção aponta que Moçambique caiu 32 lugares para a posição 144. Trata-se, segundo o relatório, da maior queda que o país registou desde que o ranking começou a ser publicado há 22 anos. Segundo o jornal O Pais, “em 2015, Moçambique ocupava a posição 112 de um total de 168 avaliados. Em 2016 passou para a posição 144, uma queda de 32 lugares no índice global, onde passaram a participar 177 países”. Com uma notícia como esta ninguém fica descansado. Ademais, os nossos “gatos” das redes sociais ainda se excitam com a "razão de sempre" e renovam a sua “virilidade crítica”como quem diz, <<já sabiamos, isto está na me*da>>. Pois bem, o que vou dizer a seguir não visa tampouco contrapor o relatório muito menos questionar “a metodologia”, como normalmente os “céticos habilidosos” gostam de fazer, quando não concordam com alguma publicação. A resposta a este relatório é uma resenha ao livro de Paul Collier, economista e p…

Três opiniões diferentes sobre o TSEKE

Mas antes devo dizer que grande parte do que hoje constitui alimentos básicos dos moçambicanos, seja do campo ou cidade, é resultado da cultura Inca e Asteca, da América do Sul; MILHO, MAPIRA, BATATA, MANDIOCA, TRIGO (médio oriente), Arroz (sudeste da Ásia) etc., incluindo a própria BOWA (ou TSEKE), que também ocorre na América latina e domesticada antes pelos INCAS e só depois pelos africanos. O TSEKE é considerado pelos nutricionistas como “superfood”, ou seja, superalimento, dadas as suas propriedades nutritivas. Ou seja, o que temos como “natural” é produto que vem de fora, resultado das trocas comerciais entre africanos e outros povos e, principalmente, com o advento da colonização da África. Até a CABRA (Irão), o PORCO (Grécia, Turquia e depois Egipto), a VACA e a GALINHA, são essencialmente espécies não-africanas. Regra geral, considere essas plantas e animais domesticados entre 7000 a 2.5 mil anos antes de cristo. Grosso-modo, o povoamento da África subsaariana acontece no pr…

Etnocentrismo

De acordo com Paulo Silvino Ribeiro (2012), etnocentrismo é um conceito antropológico. O etnocentrismo ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, que não têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor ou pior, seja por causa de sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, por sua forma de se vestir, ou até mesmo pela sua cultura. Este conceito possui outros afluentes tais como sociocentrismo. Similar ao etnocentrismo, o sociocentrismo manifesta-se quando um grupo social ou étnico se acha superior que o outro ou quando considera seus hábitos e manias e interesses e preocupações superiores aos outros. Vem este longo intróito a propósito do debate que tem circulado na imprensa, nos cafés e nos demais espaços públicos a cerca do crescente custo de vida dos moçambicanos, especialmente dos grandes centros urbanos com particular destaque Maputo.
Então, com o despoletar da “crise” que se arrasta desde 2015, o governo e seus parceiros e…