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MISÉRIA DE JORNALISMO

Os media ditos "de referência" gastaram rios de tinta com as "ameaças terroristas" em Londres. Mas houve uma palavra que faltou sistematicamente ao falar delas. Foi a palavra "alegadas". Ninguém a mencionou nas notícias dos tais conspiradores que utilizariam líquidos para explodir aviões. Ao omiti-la os jornalistas deixaram de preencher a sua função informativa, de distanciar-se do acontecimento que relataram: passaram a ser meros porta-vozes do poder.
Tornaram-se assim endossantes de Blair & Bush.
O servilismo degrada a profissão de jornalista.

'Entre O Mar e a terra'. Novo Livro do Professor Rafael da Conceicao. Comentarios de Joao Nobre, Antropologo e Docente da UP - Maputo

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Entre o mar e a terra: Situações identitárias no Norte de Moçambique

“Entre o mar e a terra: Situações identitárias no Norte de Moçambique” é o título do livro de Rafael da Conceição, com prefácio de Carlos Serra e posfácio de João Paulo Borges Coelho, a ser publicado pela PROMÉDIA no dia 17 do mês corrente às 18 horas, no Centro de Estudos Brasileiros.

No prefácio do livro, Carlos Serra afirma que é “entre o mar e a terra [que] se localiza geográfica e simbolicamente este belo livro”. Sou, então, tentado a posicionar a escrita deste livro nas margens, na liminaridade entre uma escrita académica, e uma escrita que propõe reivindicação de cidadania e manifestação de diversidade cultural e identitária.

Rafael da Conceição escreve sobre identidade, no seu sentido processual, como “um conjunto de formas de ser, de se pensar e de ser pensado”. Identidade construída e negociada nos contextos onde se desenrolam os processos de resistência ao Estado-Nação observados, descritos e interpretados ne…
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Crianças de Israel escrevem mensagens sobre munições de artilharia pesada em Kiryat Shmona, próximo à fronteira libanesa. Munições que irão assassinar outras crianças, do lado de lá da fronteira.
Nem a juventude hitleriana conseguira imaginar tal perversidade.

Declaração de intelectuais sobre a Palestina e o Líbano

Por Arundhati Roy, Tariq Ali, Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Howard Zinn, Ken Loach, John Berger.
O que se segue é um documento escrito por figures eminentes do Mundo, contra a Guerra no Líbano e na Palestina.
Dada a sua relevância e utilidade, republico-a para a sua difusão.

O assalto israelense apoiado pelos EUA ao Líbano deixou o país paralisado, a arder e colérico. O massacre em Qana e a perda de vidas não é simplesmente "desproporcionada". Trata-se, de acordo com o direito internacional em vigor, de um crime de guerra.

A deliberada e sistemática destruição da infraestrutura social do Líbano pela força aérea israelense também foi um crime de guerra, concebido para reduzir aquele país ao status de um protectorado israelense-americano.
Esta tentativa foi contraproducente, enquanto os povos de todo o mundo observavam horrorizados. No próprio Líbano, 87 por cento da população agora apoia a resistência do Hezbollah, incluindo 80 por cento de cristãos e druzos e 89 por cento de m…

Regras básicas para escrever acerca do Médio Oriente nos media "de referência"

Contribuição para Desmascarar e ou Iluminar os desatentos

Regra nº 1: No Médio Oriente são sempre os árabes que atacam primeiro, e é sempre Israel que se defende. Isto é chamado "retaliação".

Regra nº 2: Aos árabes, quer sejam palestinos ou libaneses, não é permitido matar israelias. Isto é chamado "terrorismo".

Regra nº 3: Israel tem o direito de matar os civis árabes. Isto é chamado "auto-defesa" ou, nestes últimos dias, "dano colateral".

Regra nº 4: Quando Israel mata demasiados civis, o mundo ocidental apela à contenção. Isto é chamado "reacção da comunidade internacional".

Regra nº 5: Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar militares israelenses, nem mesmo um número limitado, nem mesmo 1 ou 2.

Regra nº 6: Israel tem o direito de capturar quantos palestinos quiser (palestinos: cerca de 10 mil até à data, 300 dos quais são crianças; libaneses: cerca de 1000 até à data, sendo retidos sem processo). Não há limite nem…

A Fabricação do Medo

A fabricação do medo, para criar estados de espírito colectivos que justifiquem medidas repressivas, parece ter-se tornado um sistema. Agora é o Reino Unido do sr. Blair que anuncia nebulosas "ameaças terroristas" contra aviões, tentando gerar de pânico. O que estarão eles a preparar?

Nos EUA, o 11 de Setembro de 2001 serviu para fazer aprovar a toque de caixa a "Patriot Law" que estava redigida há muito e implicou uma profunda alteração no regime estadunidense. Direitos, liberdades e garantias desfrutadas pelos cidadãos americanos foram pura e simplesmente eliminadas.

Não embarcar nas histerias colectivas promovidas na primeira página dos Jornais e nos medias ditos "de referência" é um dever de lucidez.

Não se deve esquecer que o governo do sr. Blair não merece credibilidade; que a sua polícia assassinou a sangue frio um emigrante brasileiro no ano passado; que eles pretendem deliberadamente criar um clima anti-árabe no momento em que cometem barbaridade…

Como os media cobrem Israel?

Se a sua fonte de notícias é apenas a televisão, você não terá nenhuma ideia das raízes do conflito do Médio Oriente, ou que os palestinos são vítimas de uma ocupação militar ilegal. Em Maio, o Glasgow University Media Group, notável pela sua análise pioneira dos media, publicou um estudo das reportagens do conflito israelp-palestiniano. Ele deveria ser uma leitura obrigatória nas salas de redacção e nas escolas de comunicação. A investigação mostrou que a falta de entendimento do público em relação ao conflito e suas origens foi preparada pelos relatos noticiosos, especialmente da televisão.

Aos espectadores, afirma o estudo, raramente lhes é dito que os palestinianos são vítimas de uma ocupação militar ilegal. A expressão "territórios ocupados" quase nunca é explicada. Na verdade, apenas 9 por cento dos jovens entrevistados sabiam que os israelitas eram os ocupantes que os "colonizadores" ("settlers") eram israelitas. A utilização selectiva da linguagem …
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Cahora Bassa

Está de parabéns Portugal pelo facto de ter, mais uma vez, dado lição de diplomacia ao nosso Governo. Também está de parabéns o Governo ao ter acedido à finta diplomática do Governo de Portugal.

A Barragem de Cahora Bassa está longe de ser nossa, aliás ela jamais será nossa, numa perspectiva de posse efectiva deste empreendimento. Até porque ela sairá aos dentes do crocodilo para cair nas garras de leopardo. Ou seja, depois que o Governo tiver em sua mão o gigante, este procurará o mais cedo possível, outro parceiro para explorá-lo.

Não vejo capacidade financeira do nosso governo de poder pagar todas as dívidas. Mas deixemos isso de lado.

O facto aqui em debate é de questionar a versão oficial do nosso Governo, que lamenta ter sido enganado pelos portugueses, após ter-se firmado o memorando de entendimento sobre a transmissão da Barragem para as nossas mãos. Na verdade, o nosso governo é que foi mais precipitado e aliás distraído.

Temos o Ministério dos Negócios Estrangeiros cuja missão é…

De volta a partir de 1 de Junho

Caros senhores internautas.
Minhas sinceras desulpas pela paragem nao justificada de quase dois meses.
De facto, devo confessar a minha inaptidao em ter vos mantido informado durante esses 60 dias.
Impedimentos de ordem organizacional e de agenda dificultaram sobremaneira ess emprendimento.

Todavia, venho por este meio prometer que isso jamais acontecera. A partir de Junho retomarei com regularidade as minhas reflexoes, prometendo actualizar a pagina 3 vezes por semana, no minimo.
Na esperanca de um contacto breve, quairam receber este abraco fraterno!

Do vosso,
Egidio.

A Dinamarca nao e Inocente!

"Algo está podre no reino da Dinamarca", escreveu Shakespeare no seu famoso Hamlet há cerca quatrocentos anos. Os acontecimentos dos últimos meses demonstram que as palavras de Shakespeare ganharam uma nova actualidade.
Ttudo começou na cidade de Aarhus, a 30 de Setembro do ano passado, quando o jornal nacional com o nome regional de Jyllands-Posten (O Correio da Jutlandia), publicou doze cartoons que transmitiram uma imagem ofensiva e unilateral de Maomé.

A explicação oficial, dada pelo director do jornal para justificar a publicação, foi o desejo de desafiar o exercício da liberdade de expressão na Dinamarca que, segundo ele, já está ameaçada pela crescente influência dos muçulmanos. Antes da publicação consultaram uns peritos que disseram claramente que a publicação dos cartoons, muito provavelmente, provocaria a ira dos muçulmanos que se sentiriam insultados pela forma como se retrata o seu profeta. Ou seja, desde início, a publicação dos cartoons foi concebida como uma …
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Boa tarde
Egidio Vaz

Calamidades Naturais e a Política da Hipocrisia Global (1)

Hoje decidi escrever algo que há muito vinha constituíndo pomo da minha reflexão diária: os caminhos do desenvolvimento nacional, num mundo cada vez mais interdependente, marcado por uma competição anárquica.

Ao observar o meu belo país, vejo e revivo anualmente calamidades naturais (que também incorporam componentes humanas) típicas de uma sociedade retrógrada: seca/estiagem-cheias-cólera-mortes. E, para acompanhar esse festival, o governo vai tomado «medidinhas de baixa intensidade», só para salvar as pessoas em risco de vida, populações «carenciadas»; com programas de contingência absorvendo valores chourdos vindos, na sua maioria, das OENIGÊS (ONGs) de países do Ocidente Europeu e não só.

O sistema das Nações Unidas, as instituições de cooperação bilateral bem como outras organizações não governamentais assim se mobilizam para a mitigação de uma «desgraça» involuntária, imposta por Deus ou Diabo, de acordo com a biblia. Afinal de contas, estamos nos últimos dias.

Mas o que mais me ir…

As vacas e o capitalismo:nova versão de uma velha anedota

CAPITALISMO IDEAL
Voce tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam, e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico.
CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO FRANCÊS:
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer que o Estado lhe garanta três, com os generosos subsídios da Política Agrícola Européia.
CAPITALISMO CANADENSE:
Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.
CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.
CAPITALISMO ITALIANO
Você tem duas vacas.
Uma delas é sua mãe, a outr…

A vitória eleitoral do Hamas: um voto pela clareza

A vitória do Hamas nas eleições legislativas da Autoridade Palestina levou toda a gente a perguntar: "e agora?" A resposta, e se o resultado deveria ser encarado como algo bom ou mau, depende muito de quem faz a pergunta.

Embora o êxito do Hamas tenha sido fortemente perseguido, a escala da vitória foi geralmente considerada como um "choque". Vários factores explicam a ascensão dramática do Hamas, incluindo a desilusão e o desgosto com a corrupção, o cinismo e a falta de estratégia da facção do Fatah que dominou o movimento palestino durante décadas e que se considerava, de forma arrogante, como o líder natural e indisputável.

O resultado desta eleição não é inteiramente surpreendente, entretanto, e fora prenunciado pelos acontecimentos recentes. Tomemos por exemplo a cidade de Qalqilya, no norte do West Bank. Cercado por pelos colonatos israelenses e agora completamente rodeada por uma muralha de betão, os 50 mil residentes da cidade são prisioneiros num gueto giga…

O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela Assembléia de vedetes políticas.

O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: "Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo uns trinta inimigos. O talento assusta."

E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui em Moçambique. Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa: «Há tantos burros mandando em …