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A REVELAÇÃO DE UM EQUÍVOCO POLÍTICO: Eliseu Machava, Secretário-geral da Frelimo

No dia em que a Assembleia da República abria-se para mais uma sessão, a bancada da Frelimo reuniu-se com o Presidente do partido e respectivos órgãos para mais um exercício de alinhamento concertação. Foi nesta reunião que se ouviram palavras de encorajamento daqueles deputados à liderança do Partido. De entre as tantas, a que mais captou a atenção foi a “reentronização de Nyusi para mais um mandato; até 2024” feita por Eduardo Mulémbue, antigo Presidente da Assembleia da República. Nos dizeres de Mulémbue, o Presidente Nyusi “é e será o nosso Presidente até 2024” sugerindo que dentro da Frelimo, não haviam dúvidas de que o Presidente Nyusi era até hoje o melhor candidato para o partido e que, devido ao seu desempenho como Presidente da República, não restam dúvidas que vencerá as eleições presidenciais de 2019. Este sentimento não é novo nem foi Mulémbue o único a expressá-lo publicamente. Alberto Chipande, veterano da luta armada de libertação já teria afirmado isso na Beira em 20…

Um bilião de pobres: por que os países mais pobres estão a falhar e o que pode ser feito?

O relatório da Transparência Internacional sobre Corrupção aponta que Moçambique caiu 32 lugares para a posição 144. Trata-se, segundo o relatório, da maior queda que o país registou desde que o ranking começou a ser publicado há 22 anos. Segundo o jornal O Pais, “em 2015, Moçambique ocupava a posição 112 de um total de 168 avaliados. Em 2016 passou para a posição 144, uma queda de 32 lugares no índice global, onde passaram a participar 177 países”.Com uma notícia como esta ninguém fica descansado. Ademais, os nossos “gatos” das redes sociais ainda se excitam com a "razão de sempre" e renovam a sua “virilidade crítica”como quem diz, <<já sabiamos, isto está na me*da>>.Pois bem, o que vou dizer a seguir não visa tampouco contrapor o relatório muito menos questionar “a metodologia”, como normalmente os “céticos habilidosos” gostam de fazer, quando não concordam com alguma publicação. A resposta a este relatório é uma resenha ao livro de Paul Collier, economista e p…

Três opiniões diferentes sobre o TSEKE

Mas antes devo dizer que grande parte do que hoje constitui alimentos básicos dos moçambicanos, seja do campo ou cidade, é resultado da cultura Inca e Asteca, da América do Sul; MILHO, MAPIRA, BATATA, MANDIOCA, TRIGO (médio oriente), Arroz (sudeste da Ásia) etc., incluindo a própria BOWA (ou TSEKE), que também ocorre na América latina e domesticada antes pelos INCAS e só depois pelos africanos. O TSEKE é considerado pelos nutricionistas como “superfood”, ou seja, superalimento, dadas as suas propriedades nutritivas. Ou seja, o que temos como “natural” é produto que vem de fora, resultado das trocas comerciais entre africanos e outros povos e, principalmente, com o advento da colonização da África. Até a CABRA (Irão), o PORCO (Grécia, Turquia e depois Egipto), a VACA e a GALINHA, são essencialmente espécies não-africanas. Regra geral, considere essas plantas e animais domesticados entre 7000 a 2.5 mil anos antes de cristo. Grosso-modo, o povoamento da África subsaariana acontece no pr…

Etnocentrismo

De acordo com Paulo Silvino Ribeiro (2012), etnocentrismo é um conceito antropológico. O etnocentrismo ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, que não têm os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outro, julgando-se melhor ou pior, seja por causa de sua condição social, pelos diferentes hábitos ou manias, por sua forma de se vestir, ou até mesmo pela sua cultura. Este conceito possui outros afluentes tais como sociocentrismo. Similar ao etnocentrismo, o sociocentrismo manifesta-se quando um grupo social ou étnico se acha superior que o outro ou quando considera seus hábitos e manias e interesses e preocupações superiores aos outros.Vem este longo intróito a propósito do debate que tem circulado na imprensa, nos cafés e nos demais espaços públicos a cerca do crescente custo de vida dos moçambicanos, especialmente dos grandes centros urbanos com particular destaque Maputo.
Então, com o despoletar da “crise” que se arrasta desde 2015, o governo e seus parceiros e…

Entre o pessimismo da razão e o otimismo da vontade: o que nos vem à memória com o lançamento do “SUSTENTA”?

“A esperança é a alegria inconstante nascida da ideia de coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida. O medo é a tristeza inconstante nascida da ideia de coisa passada ou futura de cujo desenlace duvidamos em certa medida. Segue dessas definições que não há esperança sem medo e nem medo sem esperança. (…). Quem está suspenso na esperança – duvida do possível desenlace –, teme enquanto espera, quem está suspenso no medo – duvida do que possa acontecer –, espera enquanto teme.” (Baruch de Spinoza)

O tempo da comunicação

Prometi a Sura Rebelo que voltaria a reagir a nomeação da Senhora Klemens para o pelouro de recursos minerais e energia. Que não hajam dúvidas aqui. Foi surpreendente. Pelo SIM, pelo não, a senhora Klemens é um desvio padrão em termos de nomeações presidenciais e rompe com qualquer memória desta nação. Mas quero ser útil e conceder o benefício da dúvida como se confere à qualquer recém-nomeada. Porém, este benefício da dúvida é muito mais caro comparado a qualquer outro por mim dado. É que a Senhora Klemens não tem carreira, não tem obra e não tem profissão que se lhe conhece. Pode ter dinheiro, como qualquer outro endinheirado ou formaçao profissional. O seu breve CV é mesmo feito de duas folhas em branco e uma foto colorida. Não atrapalha a ninguém.
Em situações de crise como a nossa, uma nomeação presidencial deve comunicar o sentido da solução. Em algumas nações, esta nomeação era capaz de agitar mercados. No nosso caso, não temos nada para ser agitado. Está tudo de rastos.

Se ex…

Porque julgo que as actuais negociações entre o governo e a Renamo não terão bons resultados?

1. Re: Porque o pensamento da Renamo enferma o vício da indolência.O que faria se num jogo, percebesse que perdeu injustamente? Exigiria a repetição do jogo, a clarificação das regras do jogo ou a divisão dos pontos?Não é a primeira vez que a Renamo perde em sede das negociações ou se as ganha, ganha-as já enfraquecido e os dividendos acabam por se diluir em pouco tempo. A sair das segundas eleições gerais em 1999, Dhlakama quase que tinha ganho as eleições. Exigiu governadores em províncias onde obteve maioria. Mas o curso das negociações foi interrompido ou no mínimo baralhado quando Joaquim Chissano revelou que o emissário de Dhlakama estava a negociar dinheiro e não a nomeação dos governadores – só para demonstrar que a ideia e o desejo da Renamo em ter governadores nomeados em província onde obteve maioria não é de hoje. Já tem 15 anos.
Mas antes, em 1994, em pleno acto eleitoral, a Renamo e Dhlakama teriam anunciado desistirem do processo eleitoral por causa das irregularidades r…