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A falência do partidarismo: Tempo para ensinar novos truques a cães velhos

Existe na língua inglesa um ditado que, traduzido para o português fica mais ou menos como “não é possível ensinar novos truques a cães velhos”. Tal provérbio encerra a noção de que você não pode fazer as pessoas mudarem seus padrões de opinião e comportamento já bem estabelecidos. É dificil, na melhor das hipóteses. Porém, os naturalistas têm opinião diferente. Eles argumentam que nunca é tarde para ensinar novos truques a um cão velho! Se você criar um cão velho, você pode se surpreender com a sua capacidade de se concentrar e aprender coisas novas. Segundo esses especialistas, cães adultos são muitas vezes mais fáceis de treinar do que os cachorros, porque eles têm a capacidade de se concentrar por um longo período de tempo.
Vem esse intróito a propósito dos recentes pronunciamentos de políticos nacionais sobre a possível corrupção que seus partidos estão sendo alvos. Sande Carmona afirmou recntemente que no MDM existem membros com características de inimigo. Alguns membros do Comit…

"Aproveitar o dividendo demográfico através de investimentos na juventude"

Hello, Dia de África.
Hoje é o dia de África. O continente mais jovem em termos populacionais e mais pobre do ponto de vista económico, porém, muito rico em recursos minerais. O lema escolhido para este ano não podia ser o melhor. África tem mais ou menos 70 anos de idade de independência. Uns países mais velhos que outros. A verdade é que ela é o primeiro continente habitado pelos hominídeos – os mais antigos representantes da humanidade conhecidos e próximos: há mais de 7 milhões de anos. A exploração da África pelos povos estrangeiros iniciou-se pouco antes da nossa era. Estou a falar de mais de dois mil anos de exploração e subjugação estrangeira, ou seja, um processo insidioso de pauperização dos povos africanos. Ao pensar no primeiro século da independência, devemos ajustar as nossas expectativas e ter sempre em mente que o processo de recuperação da africanidade é longo, penoso e compreensível apenas aos audazes. Muitos vão achá-lo inverosímil, preferindo corta-matos. Outros l…

Para consertar a nossa democracia

Já lá vão mais de vinte anos e Moçambique conta com meia centena de partidos políticos registados; e não há garantias que o número pare de crescer. Observando ao que mobiliza a emergência de tantas organizações políticas em tão pouco tempo, consigo assinalar de forma provisória ou hipotética, três factores: o fim da guerra-fria e o envangelho da democracia multipartidária ancorado no “Consenso de Washington”; o subdesenvolvimento e a preponderância da cartilha assistencialista internacional bem como a incompreensão que a própria noção de democracia encerra por parte de muitos actores políticos. Estes três factores encaixcam-se perfeitamente na nossa história política, caracterizada por mudanças vertiginosas e violentas. A própria luta armada foi uma experiência violenta de transição política. O socialismo foi um sistema violento que tencioava transformar de forma radical e urgente a sociedade. E por último, a transição para a democracia multipartidária foi igualmente severamente viole…

SOBRE A BESTEIRA

Em 1986, Harry Frankfurt, um eminente filósofo da moral e antigo Professor da Universidade de Princeton (EUA), publicou um brilhante ensaio intitulado "On Bullshit" [Sobre a Besteira]. No ensaio, Frankfurt fez uma distinção fundamental entre a BESTEIRA (BULLSHIT) e a mentira.
Contar uma mentira é um acto com um enfoque concreto. A mentira visa encaixar uma falsidade específica num ponto específico. Para inventar uma mentira, [o mentiroso] deve achar (ou estar seguro de) que conhece a verdade ou o que é verdadeiro. Mas alguém que fala besteiras, Frankfurt assevera, "não está nem do lado da verdade, muito menos do da mentira”. O seu enfoque não está nos factos, excepto quando quiser desviar a atenção sobre o que diz.
O enfoque das pessoas que falam besteiras é panorâmico ao invés de particular e específico, daí que estão mais à vontade para improvisar e fazer o jogo imaginativo. Harry Frankfurt conclui que tanto as pessoas que falam a verdade como as que mentem são ambas ind…

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário

ESPERANÇA é o maior que activo que um povo precisa para continuar engajado no processo transformador. Nos dias que correm, há quem se especializa em roubar a esperança aos cidadãos com recurso a vários artefactos e técnicas de persuasão. Martin Luther King sempre encorajava a sua comunidade dizendo “suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo”. Com isso ele queria encorajar as pessoas a saberem apreciar os pequenos sucessos para buscarem inspiração e continuarem a lutar. Pensem por exemplo em mães analfabetas que morrem trabalhando para verem o filho na universidade ou naquele guerrilheiro que sem saber o que Moçambique seria depois da guerra, engajou-se na luta para libertar o pais…e morreu.

Nós vivemos um tempo turbulento, complexo e fugaz onde a distração é a melhor receita para o fracasso; para a catástrofe. Tal como afirmara Winston Churchill, "se você está a atravessar um inferno, não pare, continue atravessando”. Porta…

4 FORMAS SOBRE COMO AS REDES SOCIAIS ESTÃO A EMBRUTECÊ-LO

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Numerosos estudos provam que o pensamento crítico e a conversa lógica estão a sofrer às expensas das redes sociais. O meu desejo é que você não seja mais uma vítima pois os resultados de pesquisas não são bons: as redes sociais estão a tornar muitos cada vez burros, ao contrário do que se esperava. A natureza das redes sociais é brutal. Basta pensar que por um momento o acesso instantâneo a milhões de pessoas, um bombardeio de mensagens curtas sem contexto, comunicação virtual desprovida de linguagem não-verbal e uma falsa sensação de conexão que causa estragos na nossa capacidade de socializar.
Tenho notado um número crescente de amigos e parceiros que nunca atendem seus telefones ainda assim respondem instantaneamente às mensagens de texto. Outros fazem todo o possível para evitar uma reunião presencial, mesmo com pessoas no mesmo edifício. Esta é uma tendência perturbadora que dificulta a nossa capacidade de nos conectar com os outros.
4 formas sobre como as redes sociais estão a …

Contra o vício da "ancoragem" e do "ajustamento"

À MEDIDA que nos aproximamos a data final para a entrega pela Kroll do seu relatório, noto sentimentos mistos à volta da expectativa, todos apontando para um conflito emocional forte. É que todos querem que o relatório satisfaça as suas expectativas.  Está aqui um mau vício que nos apossa a todos nós: cinismo e ausência total da confiança nas instituições. A começar pelos contratantes até aos beneficiários, todos escondem o seu nervosismo atrás de palavras vazias como “o relatório deve apresentar dados concretos”; “o relatório deve explicar com clareza o destino dos dinheiros” ou “o relatório deve ser consequente”. Ou seja, se antes o maior “sonho” era ver o governo a ceder à pressão internacional em relação a auditoria, agora quer-se influenciar no resultado da própria auditoria, ou seja, influenciar no conteúdo e até na redacção do texto final.
Porque é que isso acontece? Porque há muito que fazemos da incredulidade, da crítica inconsequente, do partidarismo polarizador e de outro…