Gwaza Muthini, na forma como a conhecemos hoje é um BLUFF HISTÓRICO.

Dos factos

1-A batalha de Marracuene que teve lugar no dia 02 de Fevereiro de 1895 foi uma de uma série de combates que se deram no local, no âmbito da conquista portuguesa para a ocupção efectiva. Do ponto de vista português, essas batalhas eram conhecidas por Campanhas de Pacificação. Para os locais era resistência á ocupação portuguesa.
2-Na Batalha de Marracuene, as forças lideradas por Nwamatibyana, Zihlahla, Mahazule, Mulungu e Mavzaya perderam, em parte devido a:

a) Superioridade bélica dos portugueses
b) Traição dos Mavota e Matsolo, que cederam os portugueses para que usassem as suas regiões como posto avançado das suas forças e na fase decisiva, os Mavota guiaram as forças portuguesas rumo ao combate de Marracuene
c) Indisciplina no seio dos guerreiros de Nwamatibyana e seus súbditos e
d) Divisões no seio das chefaturas de então, que foram optimizadas pelos portugueses.

Das Celebrações do Gwaza Muthini

1-A celebração desta data não é de todo original do Estado Moçambicano. Um ano após a batalha de Maracuene, em 1896, as autoridades coloniais portuguesas celebraram o Gwaza Muthini em memória dos soldados portugueses tombados na vitoriosa batalha. E durante essas celebrações os povos submetidos; os marracueneses diziam "bayetee" em sinal de total submissão ao colonialista.
2-Aquando da independência, houve apenas três celebrações, nomeadamente em 1974, 1975 e 1976. 1976 Marcou o FIM das celebrações de Gwaza Muthini, uma vez que o então Estado Socialista Moçambicano achou que 3 de Fevereiro era a data em que se comemorava toda heroicidade moçambicana e Gwaza também podia caber no 03 de Fevereiro.
3-Mas por iniciativa de António Yok Chan, um dos leais filhos da terra apoiado pelo Governo as comemorações de Gwaza Muthini foram reactivadas no dia 2 de Fevereiro em 1994.
4-Portanto, o que muda desde 1974 aos nossos dias é o enfoque da heroicidade. Enquanto durante todo o tempo colonial OS HERÓIS eram os portugueses tombados na batalha e os moçambicanos diziam Bayetee, desde 1974 os heróis eram os Moçambicanos tombados na batalha. E Gwaza, passaria para o símbolo da heroicidade contra a ocupação efectiva do sul de Moçambique.

Da História, da Política e do Problema
Em termos historiográficos, a batalha de Marracuene marcou o princípio do fim do império de Gaza. A partir dai, os portugueses avançaram em direcção ao kraal de Ngungunyana, terminando com o assalto final a 28 de Dezembro de 1895, data em que Ngungunyana, sete das suas tantas mulheres, tio e filhos - entre eles Godide, foram presos por Mouzinho de Albuquerque e posteriormente deportados a Portugal onde foram encarcerados até a sua morte na Ilha Terceira em Açores.

Da relevância do Gwaza Muthini
Como historiador, não poria em causa a celebração do Gwaza Muthini como símbolo da heroicidade dos Marracueneses, na sua saga contra a penetração colonial. Casos idênticos houvera um pouco por todo o território, como em Niassa, com os Mataka, os Namarrai na Zambézia, os Makombe-Manica, Sofala e Tete, entre outros, sem discriminação espacio-temporal. Para os Marracueneses como o Yok Chan essa batalha reveste-se de grande utilidade política, na medida em que colocam na agenda política o seu nome e sua honra. Portanto, estamos perante uma questão de autoestima.

O questionamento viria porém quando o Governo lhe dedica uma festa de estado, conferindo assim uma dimensão nacional. Por mim, Gwaza Muthini deve pernencer um evento local, apoiado pelas autoridades locais e aderida por quem está interessado em lá ir.

Não vejo mal nenhum muito menos incostitucionalidade em o Estado e Governo Moçambicanos apoiar a celebração da data. Mas ao mesmo tempo que apoio, apelo que o mesmo Estado e Governo moçambicanos comecem já a apoiar e considerar com mesma ênfase outras batalhas importantes, travadas por guerreiros de outras latitudes que hoje faz um único Moçambique. O mesmo apelo vai também para os outros filhos, que sigam o exemplo de Antonio Yok Chan. Mas para tal, a História deve ser conhecida; outro grande desafio.

Da política
Um dos grandes desafios que a nossa classe política enfrenta é a sua falta de consciência histórica. Tanto os que estão na oposição como os no poder. O povo também ajuda nesse sentido, dado estar ele a padecer de uma amnésia colectiva.
O 02 de Fevereiro ou "Gwaza Muthini" não constitui nenhum feriado Nacional e sim uma data em que se comemora a heroicidade dos povos de Marrracuene, que pode muito bem caber no dia 03 de Fevereiro, como aliás cabem outras "batalhas", incluindo as anónimas.

A falta do esclarecimento sobre o folclore de Marracuene contribui em grande medida para o entendimento da dimensão histórica de que esse evento se reveste, daí a percepção enviesada de ela ser a data representativa de "todas batalhas de resistência primária" travadas ou no sul de Moçambique ou a nível nacional.

É por isso necessário divulgar a bem da nação e da unidade nacional, todas batalhas relevantes em que filhos dessa pátria participaram de forma heróica e vitoriosa contra a penetração mercantil portuguesa, contra a ocupação efectiva e contra o colonialismo português. A documentação dessas batalhas, detalhes e divulgação, deverá tomar em conta o interesse constitucional do fortalecimento da Unidade Nacional bem como na redução progressiva da assimetria do conhecimento sobre a heroicidade de todo povo moçambicano e ainda na promoção equitativa e equilibrada dos feitos históricos e a contribuição de cada região, província, inclusive distrito, para a independência do país. Essa é tarefa dos políticos; é tarefa política e os historiadores estão ai para ajudar.
O ponto político que quero deixar aqui é de que esta História de Moçambique tem partido; tal como se reconhece nas primeiras páginas do Vol I da primeira versão da História de Moçambique. A História Oficial de Moçambique também é regionalmente falando, tendenciosa e madrasta ao mesmo tempo e isso tudo contribui em grande medida para a assimetria do conhecimento de que estou a falar. Isso deve mudar.

Do problema

Postas as coisas como estão e tomando em conta o exposto na primeira parte deste texto (os factos) alguns problemas podem ser levantados.
O Gwaza Muthini era uma celebração dos colonialistas portugueses, alusivo a sua vitória contra os marracueneses. Após a independência os moçambicanos de Marracuene tomaram a "tradição" e desta feita, mudaram do herói. Agora os heróis eram "todos aqueles que tombaram, derrotados" na batalha de Marrracuene.
a) Faz sentido celebrar uma batalha perdida? Lembre-se que a Batalha de Marracuene foi uma rasia autêntica. Em todas batalhas de resistência contra a penetração colonial o Império de Gaza de Ngungunyana perdeu: Coolela, Chaimite, Marracuene...
b) Albino Magaia conhecido intelectual moçambicano é da mesma opinião que a minha, de que celebrar Gwaza Muthini é uma humilhação visto que históricamente os "reis locais" faziam Bayetee, prostrando-se á humilhação portuguesa.
c) Por causa da nossa fraca imaginação poítica e falta da consciência histórica, ergue-se hoje um "Gwaza" de heróis dissociada de toda sua história; e apenas útil para o ego de alguns políticos.
d) Quando o Presidente da República nos seus discursos nos diz que Moçambique é pátria de Heróis é porque é mesmo. A nossa missão como historiadores e intelectuais e servos deste país é trazer esses heróis ao conhecimento das gerações contemporâneas e futuras.

Mas isso não implica inventá-los no discurso porque existem ou existiram de facto. É apenas uma questão de compromisso com o saber e com a pátria.

Chegado aqui, resta-me dizer que Gwaza Muthini, na forma como a conhecemos hoje é um BLUFF HISTÓRICO.

Comentários

Reflectindo disse…
Parabens pelos factos históricos que levantas e o questinamento (público) à história oficial. Na verdade, a nossa história oficial mais enfraquece que fortalecer a propalada unidade nacional.

Abraco.
Este comentário foi removido pelo autor.
Epa Egidio,
Para quem anunciou ferias, estas a carburar a serio, hehe!!
Excelentes postagens e pontos de vista que dao que pensar!! Mas, com a onda de puxa-sacos que anda por ai a solta, vai haver muito medo em comentar sobre os pontos que levantas!!
Se "quem cala consente", entao estes teus escritos, acertaram em varias feridas, que insistem em arrastar este pais ate a gangrena!!
Anónimo disse…
Caros Reflectindo e Jonathan, nao me parece que, neste texto, Egidio tenha questionado a historiografia nacional. Afinal a batalha de Gwaza Muthini ee um facto inquestionavel e que resultou na derrota dos mocambicanos. Ninguem discute isso. Nem Egidio o faz.
O que Egidio debate sao duas coisas: (i) saber se se pode ou nao celebrar uma derrota - parece que ele concorda com este tipo de celebracao e (ii) a necessidade de as elites locais imitarem Yok Chan na divulgacao dos heroismos locais. Ele discute, adicionalmente, se as autoridades centrais (nacionais) se podem ou nao associar a estas celebracoes.
Pessoalmente nao tenho nada em contra de que as autoridades centrais se juntem aas elites locais na celebracao dos feitos de Maguiguane, de Makombe ou dos reinos do Niassa. Desde que o facsam de forma simetrica.
Caro detalhe, conheco uma outra pessoas que nao alinha com as celebracoes destas derrota: Ee o Presidente Guebuza - eu concordo com ele. Portanto, a celebracao da derrota de Marracuene nao colhe consenso nas altas esferas da direccao do paiis.
Mais uma razao para demonstrar que nao existe nenhuma conspiracao contra as derrotas do norte em favor das derrotas do sul. Algumas pessoas influentes dentro da Frelimo consideram que tudo isso sao derrotas e nao deveriam ser celebradas.

Viriato Tembe
Reflectindo disse…
Caro Viriato Tembe

Se te entendo bem, ao dirigir-te a mim e Jonathan queres nos dizer que entendeste melhor que nós o que Egídio escreveu. É bem possível que tenhas razão, porém, penso que não me entendes o que eu escrevi porque vejo que me interpretas mal. Não há no meu curto texto onde eu disse que NESTE TEXTO, Egídio questionava a histografia nacional. Egídio tem publicado muitos textos falando da histografia nacional, revelando sem receios algo que é omitido na História que temos vindo a ser ensinados. É por essa razão que o parabenizo, pois ele está a criar uma condição para todos nós discutirmos sobre a histografia nacional, aquilo que tu e eu temos discutido quase há dois anos. Espero que o autor do texto não tenha preferido que só e só se fale de Gwaza Muthini.

Falo de tanta omissão na nossa história por conhecimento, pois que eu próprio fui crucificado quando professor-estagiário em 1978, por eu ter falado da primeira intentona contra Samora Machel. Também, como há algum tempo te (a ti Viriato) fiz recordar eu soube pela primeira vez a outra versão sobre a figura de Ngungunhana dum texto do editor deste blog (Egídio Vaz)...

Mas na nossa história, os factos só são omitidos? Não há mentiras?

Quanto a Gwaza Muthini, Egídio falou de ser é um BLUFF HISTÓRICO na forma como a conhecemos hoje. O títuto é claro, e abre uma possibilidade para debate sobre se é ou não um bluff. Concordo com a tua primeira percepção, mas duvido da segunda. Se Egídio questiona a celebração, ele mesmo não podia sugerir que as elites locais tivessem que copiar o acto Gwaza Muthini que é uma deterrota, a menos que se redefine a causa da sua celebração. Será que Gwaza Muthini podia se celebrar como se celebra Massacre de Mueda?

Não penso que falte em todas as zonas de Moçambique batalhas em que a resistência teve algum sucesso, mas talvez o problema tenha sido a falta de registo dos nossos resistentes.

Uma outra coisa talvez a principal que eu percebi de Egídio é o facto de Gwaza Muthini constituir uma festa do Estado, uma festa da dimensão nacional. Eu concordo, pois até a ocupação total de Moçambique, a resistência era local e não da dimensão nacional (do Rovuma ao Maputo). Portanto, é o conjunto das lutas locais de resistência que prefaz a resistência nacional.

Um abraço

Nota: não sou historiador e nem aspirante a historiador.
Anónimo disse…
Caro Reflectindo, as celebracoes de Marracuene nAo sao de Estado. Sao celebracoes da sociedade civil. Como eu disse, tenho conhecimento de que, por exemplo, o Presidente Guebuza nao concorda que se celebrem derrotas. Por isso, ele nunca foi a Gwaza Muthine. Pode atee ser que entre muitos dos que laa vao celebrar aquela derrota muitos sejam dirigentes. Mas fazem-no a titulo individual, para poderem saborear a carne de hipopotamo e o canhu.
Do mesmo modo que qualquer dirigente, querendo, pode-se fazer presente numa outra qualquer celebracao de derrota em Gaza, Sofala, Nampula, Niassa... O que acontece ee que a imprensa daa muito destaque aaquelas celebracoes de Marracuene.

Sobre omissoes. O Egidio, como historiador que ee, sabe que a historia de qualquer paiis, aquela que se ensina nas escolas, resulta de um processo de seleccao de factos. Nessa seleccao ha muitas omissoes e haa muitos mitos. Os historiadores consideram que os mitos podem ser o cimento de uma nacao.

Reflectindo deve-se recordar de alguns mitos e omissoes da historia portuguesa que estudavamos aqui. O mito da Rainha Santa e do Milagre das Rosas... O mito de Deuladeu Martins... O mito de que Luis de Camoes perdeu o olho num heroico e corajoso combate contra os mouros (neste caso, os portugueses omitem aas suas criancas que o seu heroi nacional perdeu o olho numa zaragata de taberna)... Isto ee mau? Nao sei, soo constato que todos os paiises do mundo teem omissoes, mitos, exageros heroicos e outras formas de instilar orgulho nacional atraves da historia.

O unico paiis que continua preocupado com essas omissoes ee Mocambique. Os outros paiises ultrapassaram isso. Um dos escritores que mais admiro, Ecsa de Queiroz, andava preocupado, no seculo XIX, em ter uma historia "honesta" de Portugal. Em nenhuma outra parte do mundo essas omissoes continuam a ser causa de celeuma. Sao consideradas inevitaveis.

Voces proprios, do MDM, jaa comecaram a inventar mitos. Falam duma Revolucao nao sei de que data, que teria ocorrido na Beira. Reflectindo sabe, de certeza, o que ee uma Revolucao. Sera mau o MDM inventar os seus mitos? Nao sei

Viriato Tembe
Reflectindo disse…
Caro Viriato Tembe,

Com o tempo volto comentar/rebater no que escresveste, mas antes tenho algumas questões pontuais.

1) Achas que precisas de interpretar o Egídio e se o interpretas fazes correctamente ou estás com tentativas de o manipular?

2. És historiador? Pergunto-te isso porque sempre me pareceste?

3. Queres me dizer que tenho que duvidar em tudo que é história?

4. Tu podes entrar numa discussão sem meteres partidos políticos? Achas que é necessário meter partidos em todas as discussões.

5. Achas que a cidadania parte de partidarismo político?

6. Podes provar com referências sobre a Armando Guebuza em relacão Gwaza Muthini?

Um abraco e até logo
Anónimo disse…
Uma curta resposta ao Reflectindo. Se a minha percepcao do que o Egidio quis dizer estaa errado ele o vai dizer. Tanto mais que ele ee o dono deste blog.

Viriato Tembe
Anónimo disse…
"Parabens pelos factos históricos que levantas e o questinamento (público) à história oficial. Na verdade, a nossa história oficial mais enfraquece que fortalecer a propalada unidade nacional" Reflectindo

"Caros Reflectindo e Jonathan, nao me parece que, neste texto, Egidio tenha questionado a historiografia nacional. Afinal a batalha de Gwaza Muthini ee um facto inquestionavel e que resultou na derrota dos mocambicanos. Ninguem discute isso. Nem Egidio o faz." Viriato Tembe

"...penso que não me entendes o que eu escrevi porque vejo que me interpretas mal. Não há no meu curto texto onde eu disse que NESTE TEXTO, Egídio questionava a histografia nacional." Reflectindo

Amigos que vizitam este blog, quem esta a ser desonesto aqui? Reflectindo ou Viriato? O Egidio escreve um texto sobre historia, Reflectindo fica contente porque o historiador levanta questinamento (público) à história oficial. Depois vem dizer que nao se referia a este texto especifico! Isto chama-se manipulacao.
Cumprimentos a todos
Inchala
Reflectindo disse…
Caro Viriato Tembe
Como a tua resposta foi curtíssima, não respondendo nem reagindo sobre as minhas cinco das seis perguntas, não vou insistir no assunto. Entretanto, gostaria de dizer-(te) o seguinte:
a) O acontecimento de 28 de Agosto de 2008 na Cidade da Beira o qual é visto por alguns como revolução, não tem que ser um assunto indiscutível. Acho estranho que seja o meu amigo Viriato que queira encerrar qualquer discussão sobre se houve ou não alguma revolução na Beira onde vives, segundo a tua própria afirmação. Ao que me chama atenção nessa revolução, discuto livremente nem que alguém não goste. Quanto à definição do conceito revolução prefiro que recorramos o que Wikipédia diz e penso que mesmo assim se pode discutir.
b) Penso que é ou era do teu interesse apresentar evidências que o Presidente da República Armando Guebuza não alinha com as celebrações do Gwaza Muthini e que ele [Armando Guebuza] como PR nunca lá foi, por ter sido tu (meu amigo Viriato Tembe) quem isso disse, se li correctamente o que escreveste nos dois primeiros comentários desta postagem. Ora, algo me engana (?). Fazendo pesquisa pelo google se pode provar que Armando Guebuza foi às celebrações de Gwaza Muthini. Pela primeira como Presidente da República, foi em 2006, a conferir aqui segundo o Diário de Moçambique citado no Moçambique para todos e em 2009, aqui, segundo o Jornal Notícias.

Ao Egídio Vaz vão as minhas disculpas por eu ter usado e abusado o seu blog.

Abraço compatriótico
Reflectindo disse…
Senhor Inchala

Li o que o senhor escreveu, mas escuso-me comentar. Desculpe-me.
JOSÉ disse…
Egídio Vaz acredita que "Gwaza Muthini, na forma como a conhecemos hoje é um BLUFF HISTÓRICO". O texto é bem claro, não precisa de interpretação especial.

Há uma enorme diferença entre mitos e lendas sobre factos ocorridos há muitos séculos e a deliberada manipulação de eventos históricos que aconteceram recentemente.

Não percebi bem a refenncia ao MDM. Qual o mito sobre o MDM?

Fiquei muito intrigado com a pesquisa do Reflectindo!Como é possível que Guebuza não concorde com as comemorações mas entretanto participou nessas comemorações. Mais um mito?
Anónimo disse…
Amigo Viriato, sei que o Presidente Guebuza nao alinha com essas celebracoes de derrotas porque lhe ouvi a dizer exactamente isso. Ele acha e tem afirmado que nao faz sentido celebrar derrotas quando o paiis tem tantas coisas positivas para celebrar.

Francamente, do que eu tenho visto, essas celebracoes nao assumem caracter de Estado. Pode ser que um dia alguem tenha arrastado para Marracuene o Presidente Guebuza por alguma razao que desconhecso. Nem sempre os politicos fazem o que estaa nas suas conviccoes. Mas eu lhe ouvi dizer, mais duma vez, que nao faz sentido celebrar eventos como o de Gwaza Muthine.

Um evento local pode assumir uma dimensao de Estado. Por exemplo, no dia em que Pemba completar 100 anos pode ser que, ao inves das celebracoes municipais, se organizem celebracoes de Estado. nao se completa um seculo todos os anos.

Fui breve no comentario anterior porque nao gostei do tom do amigo Reflectindo e quando isso acontece, eu abandono a discussao. Reflectindo estaa sempre a criticar a FRELIMO, mas quando uma outra pessoa se refere ao seu Partido, Reflectindo acusa essa pessoa de estar a partidarizar a discussao. Reflectindo estaa sempre a analisar escritos de outras pessoas. Mas quando uma outra pessoa analisa esses escritos ee acusado por Reflectindo de estar a manipular. Sobretudo se a analise nao coincidir com a de Reflectindo.

Ha um texto aqui do amigo Egidio. O historiador publicou esse texto justamente para ser publicamente avaliado. Reflectindo tem a sua avaliacao. Eu tenho a minha. Nenhum dos dois deve pressupor que tem a chave exclusiva do pensamento politico (ou historiografico) do Egidio. Se o Egidio quisesse ser comentado APENAS por pessoas que pensam duma certa forma, escreveria cartas pessoais para essas pessoas e nao publicava num blog.

Aqui ninguem daa as suas credenciais cientificas. Todos comentamos sobre tudo, irrespectivamente das nossas formacoes, ou mesmo de ausencia de formacao especifica. Nao percebi porque tinha que ser historiador para comentar este texto do Egidio.

Viriato Tembe
Anónimo disse…
Guebuza foi a Marracuene da mesma forma que vai as mesquitas nos periodos eleitorais. Nao precisa partilhar o credo para estar nesses locais. o importante é haja muita gente para convencer a votar em nos. Politico astuto que é, Guebuza nao precisa de concordar filosoficamente com "a celebração da derrota" como a chama Viriato Tembe.
Reflectindo disse…
Caro Viriato

Vou fazer AQUI uma pausa para eu não continuar a abusar este espaco sobretudo porque não quero que falemos nem gosto de falar duma terceira pessoa que não esteja a interagir connosco. Paciência, essa é a minha triste postura. Mas prometo-te que como sempre vou abrir um espaco para debatermos sobre alguns pontos que não estejam ainda claros.

Nota: quem pela primeira vez falou exclusivamente da Frelimo é o meu amigo Viriato e para depois de falar de NÓS do MDM. Em nenhum momento me preocupei em alguém falar do MDM, e, quem se preocuparia nisso se bem que é uma promocão? Mas a tua expressão de "vocês do MDM" é para mim estranha, pois que me parece que transformas esta debate, em um partidário.

Só para abusar mais o espaco. Se eu disse que não era historiador nem aspirante, não posso de qualquer maneira limitar o debate aos historidores. Até garanto-te que não recordo muito da História de Portugal ou portuguesa. Eu podia-te revelar aqui do porque e quando perdi interesse ao estudo da história, mas não penso que seja necesário. O facto de afirmares que propositamente se pode criar mitos e omissões pode não me ajudar. Justifiquei a minha pergunta sobre se eras historiador.
Reflectindo disse…
Anónimo, quem disse que nunca havia ido ao Gwaza Muthini não foi o próprio Armando Guebuza. Também fico espantado quando se afirma que pode violar a lei eleitoral no seu artigo 25, desde que o fim é ganhar.
Mas fico muito grato por esta toda informacão.

Abraco
O texto do Egidio e' suficientemente claro, quando aborda o "enviesamento da historia", com o unico proposito de afirmar a hegemonia de uma tribo!! E isso e' claro, nas duas (2) referencias trazidas pelo Reflectindo, no que concerne a postura do Governo desta Republica relativamente ao Gwaza Muthini!! Contradizendo totalmente os "factos" evocados pelo Viriato, que Guebuza nao alinha com essas cerimonias!! Uma vez "postas a nu" as suas mentiras grossas, o sr. Viriato poe-se imediatamente a fazer-se de vitima!! Esta no teu interesse, trazeres referencias a suportar as tuas afirmacoes, porque, caso contrario, estas inadvertidamente a afundar o PR. Estas a dizer que ele e' uma pessoa que nao tem dificuldades em agir contra as suas conviccoes!! E, isso, alguns dicionarios definem como "falta de integridade"!!

Debater Mocambique, precisa-se!!
Bom fim de semana a todos!!
Ivone disse…
A história em toda a parte é tendenciosa. Sempre se omitiram factos que não 'convém'. Julgo que o importante é que se levantem questões, se analisem factos, se recordem os heróis, etc. Só assim podemos apreender com o passado e construir o futuro.
A história não está escrita. Vai-se escrevendo, revelando. Fazem-se escavações, descobre-se que afinal havia houve um facto que na altura nenhum escriba, escreveu.
Para quê partidarizar esta questão? Este governo terá interesse ou não em abrir certas páginas da história. É sempre assim ou não é?
Julio disse…
Este debate, ao que me parece, teve uma pequena derapagem no focus. Concordo com quem acha o Gwaza algo local (de Marracuene) e com quem acha que ha a tal necessidade de as elites locais imitarem Yok Chan na divulgacao dos heroismos locais... seria importante ate para melhor conhecernmos a historia e os muitos intervenientes no devir desta nacao.

Quanto ao que se celebra julgo que ultrapassa a simples derrota. Como diz o Egidio o 2 de Fevereiro nao foi uma data isolada... aconteceu na sequencia de outras em que houve verdadeira resistencia. Antes das traiucoes e da indisciplina e mesmo com a superioridade belica dos Tugas de entao, os mocambicanos resistiram ate que, somando esses factores todos, a 2 de Fevereiro cairam. Celebramos os mitos todos que estao por detras da resistencia e deveriamos aproveitar a data para aprender da cultura da zona enquanto bebemos canhu e comemos a tal carne de Hipopotamo. Devia ser esta a visao de Yok e deve ser essa a visao dos que, nas suas localidades, promovam encontros do genero nao para celebrar derrotas mas para celebrar os feitos de gente que deu muito de si para que nao fossemos colonizados.

Sobre a historia o Viriato disse muito e concordo a Ivone vai na mesma via embora julgue que nao sao so os factos incomodos que se apagam sao os que os decidem no tal momento consideram irrelevante. Acho eu.

Esquecamos as tribos SFF.

Mutisse, Julio
Artur Lopes disse…
Parabens Egídio!
Abordagem muito academica e um contributo para a massa cinzenta, precisa-se este olhar critico dos factos historicos que falta em muitos de nós amarrados de medo da "Nomenklatura".
Somente um reparo, os Namarrais não são da Zambézia mas de Nampula.
Obrigado
Artur
Egídio Vaz disse…
Muito obrigado caro Artur pelo reparo. De facto eles os Namarrais são de Nampula.
Antonio Yok Chan disse…
Meu caro, foi com muita alegria e satisfaçao que venho lendo os comentarios que sao feitos a volta da minha iniciativa de ter reactivado o Gwaza e como deve saber tambem introduzi no Pais o dia dos namorados e o dia da secretaria, pois estas datas no tempo colonial nao eram celebradas e reactivei o Carnaval de Rua na Av 25 de Setembro e nos arredores do Sheik mas ou menos na mesma altura . Estas iniciativas nao as fiz sózinho(Issufo Sicandar, AcácioMondlane que trbalhava no tribunal, Salomao Antonio do Jornal Domigo) apesar de ter tido as ideas e ter liderado, no caso do Guaza foi coadjuvado por amigos que tambem comungavam as mesmas ideas, pois era necessario exaltar a bravura dos nossos que apesar de poucos e com meios daqueles enfrentaram o invasor, era necessario dar a conhecer a cultura daquela regiao acabar com alguns mitos, as pessoas terem o conhecimentos das comidas do artesanato,das danças tradicionais do potencial agricola e pecuario e do turismo. um aspecto importante saber é que no tempo colonial por exemplo os grupos que vinham dançar das varias localidades os colonos davam por grupo quantidade de vinho tinto e para comer, porque o hipopotamo tava mesmo ali mandavam abater para se dar a carne aos locais para cozinharem , por isso o hipopotamo nao fazia parte da cerimonia como algumas pessoas ate hoje pensam, razao é que estando o rio Incomati ali com os hipopotamos com carne muita apreciada os governantes da altura a forma mas fácil de alimentar os dançarinos e outros era usar esta carne. É de referir que hoje no Incomati na zona de Marracuene nao ha Hipopotamos pois a água esta salgada, talvez por mudanças climaticas. Mas os hipopotamos estao na Manhiça.E é uma forma dos residentes da regiao alem de comemorar a data da resistencia ser um dia em que deviam divulgar o potencial e aumentar a sua renda. Pois é assim que acontece em muitos Paises., as pessoas se organizam para se encontrarem em certa altura do ano , o turismo domestico desenvolve se a partir destas iniciativas. Antes que esqueça no Guaza nao se deve vender a nossa bebida Ucanhu é bebida que devemos bebe-la sempre entre amigos e familiares ou seja é um momento de festa rija que so nos encontramos uma vez por ano, vamos todos lutar para que respeitemos esta tradiçao secular de nao vender esta bebida. ate breve. Yok Chan
vovo bene disse…
Caros compatriotas. È pela primeira vez que entro aqui nos comentários após ter lido todos outros comentários e deles ter aprendido muito do que não sabia. Estou grato por tudo o que foi ou que está sendo aqui discutido. È de louvar todos os pensamentos aqui expostos. Todavia, queria deixar uma sugestão acerca da celebração. Celebraram os portugueses a sua vitória enquanto os moçambicanos bayettavam submissos ante a sua derrota. Tendo sido esta uma batalha em que sucumbiram muitos filhos moçambicanos perante o poderio bélico português, porquê não se considerar esta celebração, como a EXALTAÇÃO DA MEMÓRIA dos destemidos guerreiros tombados naquela batalha?

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