PERDÃO DA DÍVIDA E DESENVOLVIMENTO

Anima-me o debate político que gira à volta dos benefícios que um eventual perdão de dívida que os países do G.8 virão conceder aos 36 países altamente endividados.

Para os políticos, o perdão significaria mais dinheiros poupados para o Cofre do Estado, o que iria incrementar o seu investimento em áreas sociais como educação, saúde e tudo mais.

Para alguns economistas (de profissão) este perdão constituiria a mais valia em termos do desempenho económico, dado que este e outros países de gênero teriam a oportunidade de ir além do que até então têm conseguido fazer.

Concordo com as posições, mas parece-me que algo nos escapa. É próprio de políticos aceitar e popularizar ideias-pronto-a-usar como estas.

A pobreza, o subdesenvolvimento não serão tampouco aliviados com o perdão de dívida. Antes pelo contrário. A dívida é apenas um dos problemas que os PVDs enfrentam, para além da má governação, falta de infraestruturas sociais e económicas, etc.

Querendo ou não, o perdão da dívida só beneficiará aos Países Desenvolvidos, dado que, neste momento, eles são os mais prejudicados com a nossa pobreza devido à nossa incapacidade de concorrer com eles; de comprar seus produtos e de serví-los como subsidiários.

Por isso acho que, a par do perdão de dívida, temos que estar muito cientes de que ele, mal gerido, poderá constituir mais uma razão para que o Ocidente nos catalogue como sempre nos catalogaram: incompetentes.


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