Cronologia Política de Moçambique (2). Desde 1976-2001

Dando continuidade ao esboço da minha cronologia política, trago-vos hoje o periodo que vai desde 1976 a 2001. Sem mais delongas, ei-la:
1976
- Fundação da Renamo, o movimento de resistência ao regime monopartidário que se instalara em Moçambique. A Renamo conta inicialmente com o apoio da Rodésia, seguindo-se a África do Sul e indirectamente dos EUA.
- A Renamo capitaliza em seu benefício os descontentamentos populares, sobretudo nos meios rurais-Vide a proposito Willem Minter, Christian Jeffrey, Alex Vines, João Paulo B. Coelho
- Fecho das fronteiras com a Rodésia, decisão que se mantém até 1980.
- Apoio à luta de libertação do Zimbabué.
1977
- III Congresso da Frelimo
- Início da guerra civil. Até 1992 esta guerra devasta o país e conduz à morte 1 milhão de pessoas e mais de 3 milhões de refugiados. A guerra civil provoca uma paralesia da educação, saúde e da agricultura.
- Início de grandes secas que se prolongam até 1978, produzindo um número indeterminado de vítimas.
1979
Numa batalha renhida entre as forças do Estado Moçambicano e a Renamo em Gorongosa, morre André Matadi Matsangaíssa, seu comndante em chefe. Depois de renhidas lutas internas de sucessão, vence Afonso Macacho Marceta Dhlakama, que desde então chefeia este movimento de guerra de guerrilha.
1980
- Após a independência do Zimbabwe e à queda de Ian Smith, a África do Sul assume o apoio logístico e ideológico da Renamo. regista-me ligeira "quebra" na actuação deste movimento.
1982
Chegada das tropas do Zimbabué para controlar as oleodutos e linhas ferroviárias entre Mutare e a Beira.Estas tropas só sairão de Moçambique em 1993.
As secas que ocorrem entre 1982 e 1984, provocam mais de 100 mil mortos e deixam à fome cerca de 4 milhões.
1983
- IV Congresso da Frelimo. Importantes decisões políticas são tomadas com vista a reversão da situação social e económica do país- Vide Marc Wuyts, David Hedges, Yussuf Adam
- Lançamento da "Operação Produção", que lança milhares de "improdutivos" aos campos de reeducação, sendo a maioria deles localizadas no norte do País.
- Assassinato de Orlando Cristina, primeiro Secretário-Geral da Renamo em África do Sul
1984
- Acordo de Nkomati. Moçambique compromete-se em deixar de dar apoio ao ANC e a África do Sul à Renano. O compromisso sul africano não é consumado. Meses antes da assinatura do Acordo, verifica-se grandes descarregamentos de armamento e mantimentos no interior de Moçambique, concretamente no centro e costa setentrional do país.
- As cheias neste ano desalojam 50 mil pessoas e destroem grande parte das colheitas.
- Início das negociações de adesão às Instituições de Breeton Woods
1986
-Morte de Samora Machel num acidente áereo. Joaquim Chissano é o novo presidente de Moçambique.
- A Renamo declara guerra ao Zimbabué.
- A Tanzânia envia tropas para Moçambique para apoiar o governo.
Preparação para a entrada do PRE
1987
-Entrada do PRE
- Agosto. Massacre das populações de Homoine (cerca de 400 mortos) e do Manjacaze (c.80).
1988
- Abre-se de novo a possibilidade da emigração dos moçambicanos para as minas da África do Sul.
- Grandes cheias, as últimas haviam sido em 1985.
- Assassinato de Evo Fernandes em Lisboa, segundo SG da Renamo que substituira Cristina
1989
-V Congresso da Frelimo
-A derrocada do bloco da ex-União Soviética provoca uma ruptura nos apoios aos regimes marxistas em todo o mundo, o que se reflecte em Moçambique.
-A Renamo não tarda em perder os seus apoios no Zimbabué e na África do Sul.
-A Frelimo abandona o marxismo-leninismo
-Início de conversões entre a Renamo e a Frelimo, em Roma, sob a égide do Quénia e do Zimbabwé.
1990
Introdução de um sistema multiparditário em virtude da aprovação de um novo texto da Constituição da República.
- Abertura do país à economia de mercado, um processo que se inicia em 1983
1991
-VI Congresso da Frelimo
- Início da fome em grandes áreas de Moçambique.
1992
- 4 de Outubro. Assinatura, em Roma, de um tratado de paz entre o governo e a Renamo, pondo fim a 16 anos de guerra civil .N altura da assinatura a Renamo controlava cerca de 20 % do território.
-Dezembro. A ONU envia para Moçambique forças para a manutenção da paz.
Continua a seca de 1991, afectando uma grande parte do território moçambicano.
1993
-Retirada das forças do Zimbabwé e que auxiliavam o governo a controlar as vias de comunicação entre a Beira e o Limpopo
Agosto-A ONU lança um programa de repatriamento para refugiados que termina em Maio de 1995 (cerca de 1 700 000 refugiados serão repatriados para Moçambique).
1994
-27 e 29 de Outubro.Eleições democráticas. A Frelimo é o partido mais votado para o parlamento, e Joaquim Chissano para a presidência da República.
O governo dirigido por Pascoal Mocumbi, tem pela frente uma enorme tarefa, a reconstrução do país. A reintegração dos guerrilheiros e o controlo do banditismo estão na ordem do dia.
Grandes secas que se prolongam por 1995, produzindo milhares de vítimas.
1995
- Março. As instituições internacionais acordam num plano de reformas económicas e de diminuição da pobreza. A divida externa do país é elevadissima, assim como as assimetrias de desnvolvimento.
- Adesão de Moçambique a Commonwealth
1996
-Julho. Moçambique adere à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP)
1997
- Maio - VII Congresso da Frelimo
1998
-Tensão nas relações entre o Presidente Chissano e o chefe da Renamo, por ocasião das eleições municipais.
-9 de Março. Joaquim Chissano e Afonso Dhlakama encontraram-se para debaterem divergências sobre alegadas irregularidades no processo relativo a preparação das primeiras eleições autárquicas.
-Junho. Realizam-se as primeiras eleições autárquicas nas principais cidades do país, mas sem a participação da Renamo, que não reconheceu os resultados.
1999
-3 e 5 de Dezembro. Novas eleições legislativas e presidenciais. A Frelimo e Joaquim Chissano são novamente declarados vencedores, mas a Renamo - união eleitoral recusa-se a aceitar os resultados, declarando que houve fraude.
2000
-Fevereiro e Março. Grandes cheias. Para além de um número considerável de vítimas, as frágeis estruturas económicas são duramente afectadas.
-9 de Novembro. A Renamo promove diversas manifestações pelo país. Em consequências de confrontos com a polícia morrem 40 manifestantes. A oposição exige a recontagem dos votos das eleições de 1999.
- 22 de Novembro: Assassinato de Carlos Cardoso
-20 de Dezembro. Iniciam-se novas conversações entre o presidente moçambicano Joaquim Chissano e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, como resultado das pressões da sociedade moçambicana e da comunidade internacional, nomeadamente da União Europeia, tendo os dois líderes anunciado reuniões subsequentes e terminado o encontro com um simbólico aperto de mão.
2001
-19 de Fevereiro. Conversações entre a Renamo e o Presidente Chissano, para analisar as reivindicações deste movimento político.As conversões posteriores apenas serviram para aprofundar as respectivas divergências, nomeadamente sobre as alterações pontuais à Constituição da República.
Vide também:
Cronologia Política (1)
PS:Prometo aprimorar com mais detalhes dentro de dias. Aguardo pels contribuições, factos e mais datas.
Um abraço.

Comentários

ELCAlmeida disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
ELCAlmeida disse…
Comentário desnecessário e inoportuno porque o motivo está logo a seguir.
De qualquer forma e para futuros temas semelhantes permita-me a sugestão de colocar no início o acesso aos anteriores.
Cumprimentos
Eugénio Almeida

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