Reflexões em torno do Dia Internacional dos Estudantes

1. Introdução a História
Dia 17 de Novembro - a luta e o sangue
A história do Dia Internacional dos Estudantes foi protagonizada na antiga Checoslováquia, actual República Checa, um dos primeiros países a sofrer com a violência e a ocupação das forças nazis, no final da década de 30. Ainda antes do início da segunda Guerra Mundial, em 15 de Março de 1939, o regime nazi já havia decretado a desmembramento do estado Checo.
Em 28 de outubro, dia do vigésimo primeiro aniversário da declaração de independência da Checoslováquia, o povo realizou grandes manifestações de protesto pelas ruas de Praga, das quais participaram um grande número de estudantes. A repressão da polícia alemã (Gestapo) partiu contra os manifestantes, deixando muitos feridos e atingindo gravemente Jan Opletal, estudante da Faculdade de Medicina, que morreu no dia 11 de Novembro.
Ao contrário do que se esperava, o episódio intensificou a resistência e a 15 de Novembro, dia do enterro de Jan Opletal, o povo voltou a protestar, novamente com a participação activa e destemida dos estudantes das universidades e das residências dos estudantes.
Isso despertou a ira de Adolf Hitler, que decidiu por fim ao que chamava de distúrbios e desobediência popular.
Na madrugada de 17 de Novembro, as forças invasoras nazis atacaram ferozmente, fechando as escolas superiores Checas e as residências estudantis, invadindo a Sede da Federação Central de Estudantes Checoslovacos, reprimindo milhares de estudantes. Nove líderes estudantis morreram, e mais de 1200 foram deportados os campos de concentração de Sachsenhausen-Oranienburg, próximo a Berlin.
Dois anos depois, em 1941, o Conselho Internacional de Estudantes (antecessora da actual União Internacional de Estudantes - UIE), reunido em Londres, destacou o gesto dos estudantes Checos, e declarou o 17 de Novembro como Dia Internacional do Estudante, actualmente reconhecido e celebrado em todo mundo.
Assim, o dia 17 de Novembro tornou-se um símbolo, que inspirou acções de estudantes de todo o mundo, representando um dia de solidariedade e luta contra o fascismo, pela liberdade, a democracia, o progresso social e a paz.

De Praga à Maputo: dinâmicas e tendências
Tal como acontecera em Praga e outras cidades da actual República checa,em Moçambique podemos ver as diferentes fases por que o movimento estudantil passou. Importa porêm, questionar em que medida este movimento tem dado conta do recado que lhe é inerente. Em que medida ele participa nos processo de transformação social?
Noto com alguma preocupação que nos dias que correm , tem sido deveras difícil a afirmação do movimento. Muitas veses, a manipulação ideológica e a instrumentalização têem sido características comuns da maioria das direcções. Como resultado, a participação em processos colectivos tem vindo a baixar, sem contudo significar a proporcional satisfação dos mais gritantes anseios estudantis.
O movimento estudantil precisa de ser revitalizado, oxigenado e organizado, se não quiser cair na maior das letargias que o caracterizam.
Ele precisa que tenha líderes e não apenas dirigentes. Precisa que tenha uma agenda de rutura e não apenas de acompanhamento. Precisa de ser mais mobilizador e não cofnormista.
O movimento estudantil precisa de traçar objectivos claros e extravazar o âmbito da sua localidade; precisa de ser socialmente útil e não politicamente cômodo.
O associativismo estudantil deve procurar outras formas de luta e abandonar por completo o processualismo neoliberal que o caracteriza. O associativismo estudantil deve abandonar o representativismo, fruto de uma democracia representativa que encolhe e amputa a participação dos demais “representados”.
Para ganhar legitimidade, ele deve resgatar as formas de luta dso vários movimentos sociais da actualidade.
Porque é no movimento associativo que repousa toda a confiança do futuro, ele deve ser interventido em todos os sentidos da vida. Deve participar nos processos de análise, debate e tomada de decisão. Com o saber dos seus associados, ele deverá procurar formas alternativas de propor e debater soluções e não servir de caixa de ressonância das actuais.
Não valerá a pena honrar a memória de Jan Opletal e de tantos outros que morreram em Praças como a de Tianamen, se não poder se orgulhar dos feitos semelhantes.
Uma ideia é utópica, enquanto não se realizar.
Moçambique precisa de um associativismo do tipo novo.

Comentários

jaime madlate disse…
Interessante a historia desta data.
Mussagy Lotiua disse…
REALMENTE NECESSITAMOS MAIS DE UM ESPIRITO ASSOCIATIVISMO ESTUDANTIL MAIS ROBUSTO, DINAMICO E INTERVENTIVO EM TODOS CONTEXTO SOCIAL, PORQUE O ESTUDANTE DEVIA SER VISTO COMO UMA SOLUCAO DOS PROBLEMAS DE UM DETERMINADO LUGAR GEOGRAFICO , SE TERMOS O ESPIRITO DE REPRODUCAO PENSO QUE CONTINUAREMOS COMO FOMOS E COMO SOMOS AGORA.

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