Negócio com pobres ou mercado de cheias!

As chuvas, seguidas de cheias que se registam na região Centro do Pais já mataram milhares de pessoas, fizeram milhares de deslocados bem como deitaram à baixo várias esperanças do ano. Uns, não mais poderão ir á escola, pois viram sua escola e casa destruidos; outros não mais poderão terminar com as suas casas, muito menos machambas, pois, estas últimas também foram com as águas.
A Barragem de Cahora Bassa atingiu o seu pico de descargas em 6 anos. Oitocentos metros cúbicos não é coisa para brincadeiras, apesar de já ter começado a baixar, desde ontem. Todo o vale de Zambeze permanence em alerta máximo, dado que as águas, dificilmente deverão baixar nestes dias acrescido ao facto de, nalgumas regiões, afluentes do Rio Zambeze continuarem a encher.

Por sua vez, as organizações não governamentais lançaram apelos internacionais de vários tipos. Comida, roupa, medicamentos, tendas; tudo é urgentemente necessário para evitar mais mortes, destruição e, acima de tudo MAIS ROSITAS, a menina que “nasceu na árvore”.

O PMA, UNICEF, OXFAM, Cruz Vermelha, dentre outros, pedem tudo. O INGC e o Governo central, agradecem a ajuda. Todos os esforços, visam aliviar o sofrimento humano. Mas uma coisa curiosa suscita-me indgnação: DINHEIRO

O PMA e a UNICEF já não querem apenas comida. Querem também, e acima de tudo, dinheiro; como bem dizem, cash, not food! Eis a verdadeira razão da azáfama aliviatória dessas ONGS!

Não há melhor oportunidade de amealhar milhares de dólares americanos que esta hora. É chegado o momento de desembolsos descuidados, tudo para o “benefício” dos afectados/vítimas das cheias. Esse benefício, meus caros, infelizmente nunca chega. O dinheiro lá nunca chega. Nos campos de contração, chega um “missionário”; um expert em avaliação de emergências humanitárias; chega lá, uma “equipa” que, depois de tantos dias de “digressãoo” pelas zonas afectadas chegam à conclusão de que É NECESSÁRIO UMA URGENTE AJUDA HUMANITÁRIA: comida, medicamentos tendas....bla bla; artigos que, actualmetenet recusam em receber.
O PMA diz que quer dinheiro para comprar localmente a comida! Que disparate?! Aonde está a comida que pretendem comprar? Qual é o mercado? Zambézia? Está alagagado; Niassa? Apenas feijão, mas os malawianos já levaram tudo; Tete? De que lado, se à norte apenas se produz tabaco e a sul, para além de Mutarara e Moatize, alagados, Changara está a braços com a estiagem. Sofala? De que lado, se os Rios Púngoe, Búzi e Zambeze e Limpopo estão inundados? Manica? Gaza? Inhambane? Maputo? Aonde é que irão comprar a tal comida meus caros?
A UNICEF-Moçambique quer dinheiro para devolver crianças á ecola. Sinceramete! As referidas crianças ainda estão nos centros de concetração; sem comida, nem abrigo. Alguns esperam a colocação; ainda não sabem bem aonde é que os seus pais se fixarão temporariamente até que as cheias passem. Ainda padecem de fome e lhes falam de aulas!

O INGC por sua vez, quer dinheiro para ver se se compra ou repara mais dois heicópteros que venham ajudar na evacuação de pessoas afectadas. Volta e meia, dizem que o processo de evacuação já terminou!
Caso para questionar: negócio com pobres ou mercado de cheias?! Leia um outro texto que fala sobre as ONGs em Moçambique aqui

Comentários

miazuria disse…
Concordo plenamente com o espírito e a letra do seu postal.
Infelizmente as ONGs desempenham um papel cada vez mais desavergonhado da penetração "humanitária"(!!!) de interesses que nada têm a ver com as reais necessidades dos países classificados como sub-desenvolvidos.
Quantas vezes não são essas mesmas ONGs um escape para muitos desempregados do mundo desenvolvido que juntam o útil (vencimentos chorudos), com o agradável (umas boas férias).

Claro está que com isto não pretendo generalizar.Todas as generalizações são redutoras e pecam por falta de rigor.


A propósito, já ouviu falar do filósofo Molçambicano, residente na Suiça, Severino Ngoenha?

Os meus cordiais cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim
Egidio Vaz disse…
Severino Elias Ngoenha, sim conheço-o.Leio com frequência os seus livros, todos. Inspira-me também.
Algumas ONGs estão em autentico frenesim não necessariamente para ajudar os flagelados mas sim para VITALIZAR os seus moribundos programas de emergência, que há anos estavam moribundos.
Tirando a Cruz Vermelha, o PMA-Sede já tinha anunciado a diminuição do seu efectivo de Moçambique, alegando falta de fundo; portanto, não falta de projectos.
Agora que "a chuva caiu" não perderão essa bela oportunidade. O mesmo esta acontecendo no campo politico. Mais um Partido Politico nasceu em Moçambique, ontem. Chama-se Partido Unido de Moçambique da Liberdade Democrática (PUMILD)-atenção a palhaçada do nome-cujo líder e um tal antigo combatente chamado Felisberto Cumbe. So que o tipo e seu partido não teem nem sede, muito menos cadeiras, secretarias e instalações para se acomodarem. E pedem a todos que GOSTAM DA DEMOCRACIA para lhes doar material! Suca Satanás
miazuria disse…
Também acho que ele é um bom filósofo.

Muitas vezes a proliferação de partidos não tem nada a ver com a vivência democrática.

Estes, os partidos, deveriam corresponder a programas claros e objectivos, com ideologia e declaração de princípios que não enganassem ninguém.
Infelizmente tal não ocorre.

Os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim
Egidio Vaz disse…
E voce ainda nao ouviu a boa:
O tal do POMULND já esta disposto a se coligar. Aliás, ja fez uma carta ao Secretario Geral da RENAMO manifestando sua vontade para uma eventual coligacao nas proximas eleicoes (2007, 2008, 2009).
Um Partido que nasceu Ontem!
miazuria disse…
Como é que isso é possível?!

Os partidos devem, na minha opinião, reflectir a sensibilidade social da sociedade civil, não devem emergir fruto do desejo caprichoso de uma qualquer pessoa, mesmo que esta seja bem intencionada.

Por este andar,mesmo como todos os seus erros, sobretudo os do passado, a Frelimo não terá uma alternativa viável na alternância do poder.
É pena!

Os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim
Egidio Vaz disse…
Em Moçambique, infelizmente, os astutos, ambiciosos e intelectualmente míopes são os que conduzem a política.
E os intetectuais, coitados, vão esgrimindo argumentos para cientificamente validar o pensamento de nabos.
É muito doloroso, este exercício, não acha?
miazuria disse…
Infelizmente é bem verdade o que escreveu.

Mas o pior ainda é ver alguns intelectuais menorizarem-se deliberadamente para ganhar as pérolas perdidas do poder instituído.

Mas não desanime, sr. Egídio Vaz, o seu "blog" é um bom espaço, livre e independente.


Creio que aí em Moçambique o que se deve fazer, antes do mais, é criar redes associativas, culturais, sócio-económicas,etc.
Enfim, dinamizar a sociedade civil, para depois se darem passos no sentido do poder político "tout-court".

Mas esta é a minha modesta opinião.

Receba os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim
Egidio Vaz disse…
O problema na verdade nem está na criação destas redes associativas. É que também estão infiltrar-se nelas! Socorrooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!
Um dia escreverei muito bem, descrevendo a relação promíscua entre poder político e intelectuais em moçambique. Preciso de fôlego por hoje, porque ainda estou frígido com a nomeação do Pe. Couto ao cargo de Reitor da UEM

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