Sobre a visita de Hu Jinta a Moçambique

De um amigo e pelo telemóvel, recebi a seguinte mensagem:
"Em 1970 disseram os portugueses que ai vêem os chineses para vos sugar tudo. Em 2006 vi a forma voraz como os chineses cortam a madeira, se apoderam dos mariscos e monopolizam os concursos para construções e outros serviços. Ainda restará alguma coisa para os nossos filhos e netos? So Hu Jintao pode dar resposta a isso. Um abraço" (SIC)
Fim da sms.

Hu Jintao, presidente da Republica Popular Chinesa vem hoje a Moçambique. Não vem por mero acaso, ou em gozo de férias. Não vem por amor a Moçambique, apesar de, com a Frelimo, ter relações desde o início da Luta Armada de Libertação Nacional. Hu Jintao vem a Moçambique porque esta à rasca de recursos naturais, esses, necessários para combustibilizar a crescente economia chinesa.
E, cá entre nos, desenganem-se os que pensam que a sua vinda signifique a salvação para o povo moçambicano.
O périplo deste senhor pela África e em especial em Moçambique, significa a aniquilação do último reduto da esperança do povo africano e de Moçambique em especial: os recursos naturais (sejam eles minerais, psicolas; sejam faunísticos ou de qualquer outra índole).
E na sua pasta, um discurso bem anestesiante, que nos deixará, todos nos, inertes.
Sejemos vigilantes: o desmatamento de árvores e outras plantas medicinais, passará de clandestino para oficial, a luz desses acordos, a serem hoje assinados; as concessões de contratos para construção de estradas e estádios de futebol passarão a ser monopólios dos chineses; os autocarros dos transportes públicos já são os famosos Yutong, etc.
Leia a carta aberta de Marcelo Mosse para Hu Jintao aqui

Comentários

Anónimo disse…
É curioso... A única coisa que, em Portugal, os chineses vêm fazer, são as lojas e o comércio. Ninguém os consegue imaginar a construir estradas ou prédios, como em África - aqui eram os africanos nas obras que o faziam, agora são os imigrantes eslavos. Fora o àparte anedótico, penso que a África ganha mais em, pelo menos, se modernizar, por enquanto.

Miguel
Os chineses são uma super potência que certamente muito dará que falar no futuro.

Conheci este blog através do seu debate relativo à imigração com o arqueofuturista, parece-me o blog de um homem livre, como tal já o linkei.
Egidio Vaz disse…
Modernização SIM, por enquanto, como bem disse Miguel. Neocolonialismo não. Muitos Estados africanos estabelecem relações com a China especialmente pelo facto de estarem a procura de outras modalidades de ajuda publica ao desenvolvimento de seus países, para alem de, os empréstimos financeiros que ela faz, não exigirem condicionalismos tão apertados como os praticados pela União Europeia ou EUA, por exemplo. Mas ai há perigo:Dada a natureza dos interesses chineses em África,há uma necessidade urgente de estabelecer padrões de responsabilidade ambiental e politica.
Os moçambicanos estão preocupados com o desmatamento de suas florestas (ambiente) e dos recursos faunisticos e marinhos. Ninguem de vocês imagina o que esta a acontecer com o camarão ou tartaruga marinha! Uma autentica razia; claro com a conivencia do Governo que faz vista grossa. A bem da "COOPERAÇÃO"!
E isto nos faz mal o coração, porque perdemos a esperança da sustentabilidade ecologica deste pais.
miazuria disse…
Completamente de acordo consigo sr.Egídio Vaz.

A estratégia da China é imposta pela imediata necessidade de matérias-primas, busca de mercados e a longo prazo a criação do espaço vital para a sua crescente população.

Em política, como quase tudo na vida,não existem dávidas sem contra-partidas.

Receba os meus melhores cumprimentos,

Miguel Angelo Jardim
Egidio Vaz disse…
Mas contrariamente ao que muitos lideres africanos pensam, a China não é tão caridosa como se pensa. A diferença entre chineses e doadores europeus é simples: enquanto que os últimos teem dinheiro-papel para oferecer, ou seja, promessas de empréstimo de dinheiro contra determinadas condicionalidades, a china fecha os olhos a situação politica de cada pais, e com dinheiro fresco na mão,negoceiam concessões de exploração de recursos naturais, contratos de construção de grandes empreendimentos (que na realidade precisamos).
Só que, eu não tenho memória curta: Os EUA já o fizeram, na América latina. A propósito, para quem leu um livro de John Perkins (confissão de um sicario económico ou confessions of an economic hitman)pode compreender claramente o que que foi a mesma coisa que a China esta a fazer com os africanos: Concessões de grandes linhas de credito, enquanto outros vão sendo perdoados, construção de estradas de alto nível, estádios, barragens, modernização do sistema de abastecimento de energia eléctrica, etc.
SE OS LIDERES AFRICANOS NÃO FOREM ATENTOS, UM DIA, O SEU POVO MERGULHARA NUM CAOS SOCIAL E ECONÓMICO JAMAIS VISTO, pois:
1.Com enormes dividas por pagar a China;
2.Sem recursos naturais como madeira, ou minerais como petróleo - porque hipotecados aos chineses no âmbito do serviço de divida;
3.Com uma enorme população chinesa no pais, desde carpinteiros a engenheiros

Nada mais poderá se fazer.
Eu estou atento.

Venezuela, Chile, Argentina e já agora, Arábia Saudita já passaram por essa experiência nos anos 70/80, quando os EUA por la passaram, impondo seus sequazes, como Pinochet (que Deus o tenha).

Mensagens populares deste blogue

PENSAR NA PAZ SABENDO O QUE FAZER: ENTRE O VAZIO DAS PALAVRAS E O BELICISMO, A TERCEIRA VIA

Aprender de Angola? Que lições?

O tempo da comunicação