Cúmplices

A situação Política no Zimbábwè
A situação no Zimbabwe parece não incomodar a nenhum poder político africano. Está-se no tal à-vontade que até parece que tudo o que ouvimos pelos meios de comunicação social não passa de um ruído de carros que, por baixo do prédio passam sem no entanto, podermos distinguir o BTR do pequeno Toyota Corolla.

Robert Mugabe está usar a polícia civil e militar bem como forças de segurança disfarçados em "apoiantes" da ZANU para reprimir, torturar e se possível, matar todos os opositores do Partido e da sua pessoa.
Por incrível que pareça, o nosso governo, através da Ministra Alcinda Abreu disse "estar a acompanhar a situação do Zimbabwe com preocupação". Não sei em que é que essa "preocupação se traduz.
Por sua vez, a União Africana "apelou o Governo Zimbabweano a respeitar os direitos humanos" e que estão embarassados. Apenas isso. Não existe no seu site oficial nenhuma informação relevante acerca da situação.

Num país fortemente dilacerado pela crise económica provocada pelo regime fascista de Robert Mugabe, nenhum país africano se levantou contra esse, tendo publicamente condenado os bárbaros actos perpetrados pelos cães do Senhor Mugabe.
Num país cuja inflação atingiu mil porcento; num país em que vários jornalistas estrangeiros e nacionais foram banidos do seu exercício profissional; num país cuja economia afecta outros estados como o meu; num país cujas reservas financeiras se encontram congeladas no exterior, e, paradoxalmente, num país em que apenas Robert Mugabe e seus amigos fazem compras em supermecados nacionais com dólares americanos no bolso, custa-me acreditar que os Estados Africanos, através da sua União Africana, ou, no mínimo, a SADC não faça nada; não lance nenhum apelo Internacional muito menos decrete sanções contra esse senhor!

Na Europa, a União Europeia sanciona, através de várias medidas, os Estados Membros que não cumprem com as medidas, sejam elas económicas, políticas ou sociais, adoptadas no Parlamento Europeu ou pela Comissão Europeia. Na Ásia, a ASEAN também sanciona países infractores de medidas conjuntamente tomadas. E, meus senhores, um dos objectivos da União Africana bem como da SADC e que se tornou em nedida de per se é a inevitável necessidade de se preservar a situação de Paz e Estabilidade Política dos países membro.
Os nossos Governos são tão hábeis em criticar o Ocidente pela imposição desta ou daquela medida. Não sei se é pelo factio de estarem longe de nós, em termos de distância absoluta (mas temos as suas embaixadas), mas remetem-se à um silêncio cúmplice, quando se trata de criticar o amigo ao lado.

Curiosamente, a ZANU PF goza da simpatia da Frelimo e ANC bem como a SWAPO, partidos fortes da região Austral de África. Nenhum deles conseguiu até hoje, lançar uma mensagem de alerta ao partido irmão.
Os estados africanos só conseguirão ser verdadeiros guardiões da paz, se um dia, e em nome da defesa da estabilidade da paz regionais, poder intervir com medidas enérgicas contra qualquer Camarada Presidente que queira se perpetuar no poder contra a vontade do seu povo, bem como intervir na prevenção de focos de instabilidade como o que acontece no Zimábwè.
E se por ventura aparecer um contrabandista de armas, do tipo Falcone, a oferecer a título de empréstimo dezenas de toneladas de armas ao MDC para iniciar uma "guerra pela dmocracia" quem pode me garantir que os zimbabweanos não aderirão à guerra, por mais que seja de "desestabilização"? E na altura, o que os estados africanos dirão. Terão por acaso feito alguma coisa para evitá-la?
Será a União Africana uma organização dos Estados Africanos ou dos chefes de estado africanos?! Agem em nome de quem? Povo ou Gabinetes Governativos?
Seus Cúmplices!
A próxima vez que realizarem a Ciemeira em Moçambique, irei, mesmo sozinho, manifestar-me contra eles, por estarem a acomodar, dentro da organização, fascistas e criminosos.
Veja este filme, apenas para relembrar as origens da actual crise económica. Trata-se da tal Operação Murambatsvina-Limpeza, em Português, uma operação que consistia na "limpeza", através do derrube de acasas e tortura de cidadãos habitantes da Cidade de Harare, cujas habitações não condizessem com a postura camarâria; ou por outra, casas dos pobres.

Comentários

Anónimo disse…
Interessante a análise da CRISE DO ZIMBABWE (ou não será antes a CRISE DO ROBERT MUGABE?), na vertente daqueles que designas por CÚMPLICES, por não agirem, devendo e podendo. Sobre a crise do Zimbabwe muita coisa já se disse. Agora o que é difícil perceber é o papel que a África (U.A.; SADC; PARTIDOS POLÍTICOS AMIGOS, etc.) está a desempenhar no desenrolar da mesma. O comportamento da áfrica não será o levar ao extremo o PRINCÍPIO DA NÃO INGERÊNCIA NOS ASSUNTOS INTERNOS DE OUTROS ESTADOS? Já ouvi opinões a defenderem que quer a nossa FRELIMO, quer o vizinho ANC, tem repudiado e exigido mudanças, NÃO PUBLICAMENTE, MAS DIRECTAMENTE AO PRÓPRIO CAUSADOR DA CRISE. Seria a manifestação da chamada DIPLOMACIA SILENCIOSA. Não sei até que ponto tais teorias correspondem à verdade, mas o certo é que o nosso ex-poderoso vizinho vai se afundando a cada dia que passa. Celso.
Egidio Vaz disse…
APENAS FEITICEIROS E OPORTUNISTAS ACREDITAM NA tal da Diplomacia silenciosa. A diplomacia faz-se com actos. Moçambique e outros países que acreditam na diplomacia silenciosa assemelham-se aqueles miúdos ou mesmo mais velhos habituados a "sentarem no MURO" para ver de que lado o chefe vai cair e assim à ele se juntar. Os governos da África Austral nunca mostraram clareza quanto ao rumo que eles querem tomar, em relação a estabilidade regional. Falam e desejam estabilidade mas em momento algum debateram casos concretos, muito menos emitiram comunicados condenando este ou aquele acto.
Ao entrar-se em Gaberone, capital da SADC ou Addis Abeba, capital da UA os chefes de estado africanos deveriam "tremer" de medo temendo serem criticados pelos seus colegas por actos sejam corruptos, sejam de atropelo aos direitos humanos e demais documentos ractificados pela União ou SADC. Pelo contrário, vemo-los se apalparem as costas, todos barrigudos, passando dias inteiros em hotéis enquanto os respectivos ministros andam de um lado para outro a discutir papéis.
No final da Cimeira, sempre fora de horas (a da UA tida em Moçambique foi a excepção, acabou pelas 16. Normalmente acabam as 03 ou 04 de madrugada, para dar a impressão de que se trabalhou)lá vêem os comuniquees pobres e sem conteúdos, com decisões adidadas para a próxima cimeira, ora porque as partes decidiram aprofundar o assunto, ora porque não houve tempo suficiente!
Caramba, já vou longe.
Paro por aqui.
Teixeira disse…
Excelente artigo de opinião Egidio.

O teu blogue é um espaço que se recomenda a todos os que querem saber algo mais sobre África.

És uma voz activa e ao mesmo tempo ciente e íntegra da necessidade do povo africano se afirmar definitivamente na blogosfera de lingua portuguesa.

Forte abraço
[[]]
chapa100 disse…
egidio, nao estas sozinho nessa indignacao. os colegas e amigos que conheco na ZANU, tambem estao fartos. os que conseguiram sair e estao ca na europa a estudar, nao falam de outra coisa, se nao a saida do mugabe, e pior eles estao revoltados, porque o mugabe usa o nome da zanu para a maquinice dele, e isso custara caro a zanu recuperar a imagem de um partido nacionalismo, democratico e para todo zimbabweano.
usando o caso chiluba na zambia e kumba na G. bissau, vai se criando fantasmas e mecanismo de controle para qualquer pensamento de mudanca.
se nesta regiao, termos vizinhos como chad, sudao, e outros vai ser por vontade politica dos dinassouros aqui da regiao.

alguns analistas zimbabweanos, dizem que so angola e a elite que esta a explorar os minerios do congo podem dar um stop ao mugabe.
Egidio Vaz disse…
"...alguns analistas zimbabweanos, dizem que so angola e a elite que esta a explorar os minerios do congo podem dar um stop ao mugabe..."
Não percebi. Poderia explicar mais um pouco por favor?! Que elite? Angolana, zimbabweana? Estou confuso. Ajude
chapa100 disse…
para eles mugabe e seus amigos esta envolvido com angola - aqui fala-se da elite militar - no lobby politico e economico no congo. a exploracao de minerios em troca de apoio militar, isso vem da era do velho kabila. as suspeitas sobre isso sao bem patentes se explorares a firmas la envolvidas e os batalhoes que estao a proteger o kabila e as areas de exploracao.

quando estive no congo ha 3 anos atras, deu para perceber isso. mas quem viu o caos do aparelho do estado e de outras instituicoes do estado, como policia, exercito, saude, o "congo" precisa dessa alianca que acho que nem benificia os congoleses e muitos menos o povo zimbabweano e angolano.
Egidio Vaz disse…
Agora já percebi. A mesma cleptocracia de sempre!
Os africanos, um dia se emanciparão.
Anónimo disse…
O que é preciso na África é levantamento de vozes capazes de libertar na realidade. Mas há o que assunta: os que acham que é voltando ao discurso que nos uniu nos anos 50 e 60 que se defende quem viola ao olho nu os direitos humanos. Até há crimes de guerra, não é? mutequia
Egidio Vaz disse…
De facto, a era dos libertadores acabou. Agora é a era dos defensores dos direitos humanos, seja quem for.
ilídio macia disse…
"Será a União Africana uma organização dos Estados Africanos ou dos chefes de estado africanos?! Agem em nome de quem? Povo ou Gabinetes Governativos?
Seus Cúmplices!"

Esta é boa, caro Egídio!

Boa visão!

Abraço
Egidio Vaz disse…
É o desabafo!

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