Os pequenos também merecem nosso apreço

Um dos aspectos que a nossa imprensa carece é a modéstia. Principalmente a imprensa pública, que vive à custa dos impostos do povo.
Na sexta feira, Paulo Zucula, Director do INGC anunciou o fim da emergência, decretada à luz das cheias e ciclone Favio que se abateram sobre a região centro e sul do país. Igualmente, ouvimos, através dos meios de comunicação social, que a grande preocupação agora seria a reconstrução. Zucula até aconselhou as pessoas a começarem a trabalhar, e não esperar a comida do Governo.
Ora bem, se por um lado isso aconteceu com uma ampla publicidade dos media, no mesmo dia, um Governo tão modesto; o Governo Malawiano, procedia no distrito de Caia, Província de Sofala, a entrega de um donativo avaliado em 11 milhões de Kwachas malawianos. Isso ninguém escreveu, senão os próprios malawianos. A Embaixada de Malawi, não embandeirou esse gesto.
Sim, a doação consitiu em onze toneladas de farinha de milho, dois mil litros de óleo de cozinha, duas toneladas de feijões, cinco mil e quinhentos pratos plásticos e igual número de copos bem como oito mil colheres plásticas.
Igualmente, um empresário da mesma nacionalidade de nome Kassam, dono da Manobec Mining Company, uma empresa vocacionada a exploração mineira, entregou ao Governo moçambicano um cheque no valor de K500.000 (quinhentas mil kwachas malawianas), o equivalente a USD 700.000. Por último a empresa Arkay Industries (também presente em Moçambique, na antiga fábrica de cervejas Laurentina), doou 2.500 exemplares de cada produto que fabrica.
A brigada que procedeu a entrega desse donativo era encabeçada pelo Minstro da Defesa, Davies Katsonga, acompanhado pelo Minstro para Gestão de Calamidades Naturais, Richard Msowoya bem como pelo Vice-Ministro dos Transportes, Charles Mchacha.
Quando Portugal doou vinte e cinco tendas para apoiar as vítimas das cheias da região centro do país, não houve espaço para outra coisa, na nossa imprensa, para além de declarações de solidariedade dos portugueses. Quando a África do Sul prometeu ajuda, fez tanto alarido que ainda continuamos a espera dela (não incluo aqui os helicópteros, pois o INGC pagou pelo seu uso).
A mensagem de solidariedade do Governo de Zimbabwe mereceu grande destaque. Por mesma razão (ignorância induzida) sabemos pouco sobre o papel da Swazilândia no processo de Paz moçambicano. Dom Jaime Pedro Gonçalves Arcebispo (católico) da Beira voou pela primeira vez de Manzini-Swazilândia para Gorongoza, centro de Moçambique, quando pela primeira vez, ia se encontrar com Afonso Dhlakama, num esforço de busca de Paz para o país.
Há que respeitar os esforços dos outros e a compaixão que nutrem por nós.
Obrigado Malawi. Obrigado Swalilândia.
PS: Só agora é que a Rádio Moçambique fez menção da doação. Mas de uma forma também enganosa. Diz no seu portal, que a doação será distribuída para populações afectadas dos distritos das províncias de Tete, Sofala e Zambézia. Não é verdade. A comida foi distribuída em Caia.
Curioso, Não menciona a doação de K500.000 (quinhentas mil kwachas) que o empresário Kassam fez ao Governo muito menos da loiça e outros utensílios doados.

Comentários

Tsin Tsi Va disse…
Esses donativos são demasiado pequenos caro Egidio, não deu para meter uma comissão no bolso e pagar a publicidade relacionada.... É triste porque além de pobres (que nem somos)ainda fomos mal agradecidos!

Enfim...
De qualquer forma, sinto algum conforto por estas alturas pois as pessoas estão a acordas pouco a pouco...Já se ouvem muitas vozes, ainda em surdina, mas começa-se de algum lado. Mesmo com a campanha que o partidão montou pela imprensa, muita gente não aceitou ser enganada.....

Pensem Nisso
Egidio Vaz disse…
De facto, há que agradecer qualquer gesto. Por mais pequeno que fosse. Para o caso específico, não acredito que o gesto tenha sido demasiadao pequeno. Os malawianos se esforçaram bastante. Não me lembro de uma única vez termos feito o mesmo. Senão a repetição de minutas de mensagens de solidariedade e boa vizinhança.

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