Livros III

Chego a Roma no dia 28 de Novembro [de 1990] e, ao desembarcar no aeroporto de Fiumicino, cruzo-me com Dina Fortti, um nome de referência obrigatória na história das relações de cooperação Moçambique-Itália e do conhecimento e amizade entre os povos dos dois países. Imediatamente, e pela "mão" de Fortti, localizo a delegação governamental, hospedada pelo Governo italiano no Hotel Ambaciador, na célebre e luxuosa Via Veneto. Dou à delegação governamental moçambicana um breve relato jornalístico da Conferência de Paris e, imediatamente, o então Ministro dos Transportes e Comunicações, Armando Guebuza, comenta: "constou-me que foram citados nomes de dirigentes políticos da Frelimo que pretendem promover capitalismo selvagem em Moçambique: lembra-se de algum dos nomes referidos?" Respondi-lhe com um sorriso.
Tomás Vieira Mário (2004). Negociações de paz de Moçambique. Crónicas dos dias de Roma. Maputo: CEEI/ISRI, p.10
Para quem esteja interessado em aprofundar com detalhe as peripécias dos dias em que a Renamo e o Governo de Moçambique negociavam a Paz para o País. Interessante neste livro é, para além da riqueza do detalhe e de factos aparentemente sem muito valor, a cronologia bem como a descrição minuciosa do ambiente vivido no local.
Crónicas dos Dias de Roma é para mim, um dos melhores relatos existentes sobre as Conversações de paz de Roma

Comentários

Anónimo disse…
Como conseguí-lo?

AA
Milton Machel disse…
Caro Egídio, eis um dos exemplos de contribuição para a história que os jornalistas podem dar, no caso de Moçambique é dos raros.

Por exemplo, até hoje, não se rebuscou e reuniu em livro, por parte de jornalistas que cobriram frentes de combate na guerra civil, relatos de como muitas coisas aconteceram. De memórias e diários o país está a precisar sobre a guerra, nem que seja para cumprir um dos EFEITOS DOS MASS MEDIA mais importantes para a sociedade: A CATARSE.
Egidio Vaz disse…
De cato, faz-nos muita falta.
Mas todos eles estão vivos.
Se calhar fosse interessante escrever para não morrerem a saber sozinhos!

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