É muito fácil vencer um espantalho!

A propósito de Mugabe, Zimbabwe e a análise dita acadêmica
Muito já se disse sobre Robert Mugabe, sobre a crise económica em que o seu país mergulhou, sobre a cólera e sobre seus generais.
Contrariamente ao que alguns académicos querem nos convencer, a situação no Zimbabué é sim péssima e requer uma solução urgente para salvar a vida das pessoas. Requer também o cometimento de todos os povos e principalmente da voz firme dos povos vizinhos, incluindo Moçambique.
Aconselho a quem quiser ainda “compreender o que se está a passar no Zimbabué”, que aguarde, para dar espaço aos que já a compreenderam e tem propostas concretas. Que não se junte ao debate que em determinados círculos está a decorrer.
Sim, porque não se pode andar, quando uns estão sempre nos alertando - puxando-nos as camisas - para “reflectirmos” sobre o que está acontecer no Zimbabué, quando todos os dias pessoas estão a morrer e Mugabe está cada vez mais teimoso. Pior, quando estes académicos sempre se consideram mais “cautelosos” e academicamente íntegros, enquanto que nós sabemos o que está por detrás desta “integridade”.
E fica bastante feio chamar aos outros de “apressados”, quando na verdade o que está em causa é a integridade física, moral, económica, política e até cultural de muitos dos zimbabueanos, que diariamente arriscam-se a morrer por inúmeras causas evitáveis, sendo Mugabe uma delas.
Não passa de propaganda e hipocrisia quando em pleno 2008, alguns ditos inteletuais e académicos íntegros tentam a todo custo propalar a quatro ventos que o cerne da crise zimbabueana está nas sanções económicas e políticas impostas ao regime de Mugabe. Fazer isso é sem dúvida prestar um belo serviço a Robert Mugabe e sua camarilha.
O cerne da crise política e económica do Zimbabué está em Robert Gabriel Mugabe e seu grupo, que se apegaram ao poder e usam a propaganda e outros meios de persuasão para convencer ao Mundo que o culpado é o Ocidente. Felizmente apenas alguns poucos “intelectuais íntegros” são os que acreditam nesta história.
Há um longo texto que anda por aqui, escrito por Mahmood Mamdani que está sendo aplaudido por alguns círculos académicos da praça (ainda preciso certificar se essa praça é nossa ou zimbabweana). Na verdade, a única novidade que o texto nos apresenta é de possuir um título atractivo. A outra é por ser longo. Por isso, vai o meu reconhecimento. Quanto ao conteúdo, lamento dizê-lo que não passa mais do mesmo, com a diferença de estar escrita numa linguagem fina e por um académico com créditos firmados, mas não sobre na questão zimbabueana.
O título do texto é: Lessons of Zimbabwe, ou Lições de Zimbabué. Mamdani em momento algum explica aquilo que anuncia. Por exemplo, não nos diz quais são então as ilações que podemos tirar da crise zimbabueana. E porquê tem que ser essas?
Explica de forma espalhada um percurso histórico mas esquece o método. Fala de muitos episódios que ele sabe, e nós também, mas não os relaciona com a sua tese principal, aliás, essa, muito bem escondida no fim do seu longo texto!
Quando fala do Acordo de Lencaster House, apenas olha para a parte ruim de Grã-bretanha e seus aliados. Quando fala das motivações da reforma de terra, é muito lacónico, ao considerar justas as exigências e pressões dos veteranos de luta de libertação e de círculos burgueses “negros”. Não explica nem nos contextualiza como e porque Mugabe emendou várias vezes a constituição para deste modo se perpetuar no poder. Portanto, esconde dolosamente uma verdade. Que ele não está interessado em desvendar.
Mamdani fala da popularidade de Mugabe e seu regime: como pode ele provar isso? Através de eleições que nem justas, nem livres e transparentes foram? Através da violência e perseguições aos membros da oposição e todos aqueles que clamam pela mudança?
Mamdani fala-nos e de passagem, da formação do MDC. Não explica porém a força motriz deste movimento, principais linhas de orientação, bem como o porquê de em tão pouco tempo ter granjeado tanta aderência. Pelo contrário, preferiu associá-lo ao conjunto de “fenómenos” que tornaram possível o colapso social, político e económico daquilo que é hoje Zimbabué, e colocando-o nas entrelinhas do reajustamento estrutural e do apoio dado pelo ocidente, esse que também apoiou Mugabe.
Mahmood Mamdani é no fundo também contraditório neste texto quando, por um lado explica e com alguma paixão as três consequências da reforma de terras, nomeadamente o colapso do primado da lei; desemprego e queda da produção alimentar. Aqui, ele não quis explorar o facto de o colapso do estado de direito ser do interesse de Mugabe e sua camarilha; que o desemprego de muitos zimbabueanos podia ser acautelado com política económicas sensatas e que a produção alimentar repousava na agricultura comercial.
E para concluir, a análise de Mamdani não se difere da do Ministro Zimbabueano de Informação e a do governo zimbabueano e de muitos outros académicos “nacionalistas”. O que Mamdani sabe todo o mundo também sabe. E escrever da forma como o fez a partir dos EUA tem um significado muito especial para os círculos de intelectuais e "académicos íntegros".
Só que eu não acredito mais nessa cantiga. Provavelmente Mamdani precisasse de ouvir um pouco mais da Rádio. É que é muito fácil vencer um espantalho. Não ouve, não vê e nem existe. Apenas espanta pássaros de pequeno porte.

Soltas
1 Muitos dos académicos ditos íntegros já escreveram muito sobre a indústria de desenvolvimento, das más políticas do FMI e do Banco Mundial e do sistema internacional no seu todo. E sempre apelaram uma coisa: que a África pudesse escolher suas políticas; que o FMI e Banco Mundial são os que até hoje perpetuam a pobreza, devido a suas políticas, e coisinhas destas. Mamdani é um deles. Já que o Zimbabué está na lista negra destas instituições, e não recebe ajuda deles, não acham que chegou o tempo para que estes tirem das suas mangas as soluções por estes avançados em vários papers apresentados em conferências internacionais? Ou não era bem assim; apenas nos co nvidavam para a reflexão isenta e imune de emoções como a presente.
2. Mamdani e outros académicos “íntegros” acham que Mugabe está assim porque o Ocidente não soube lidar com ele. Afinal, como é que se lida com um candidato derrotado? Mugabe e a ZANU já não gozam da confiança do povo zimbabueano. E nas urnas, o povo disse basta. Normalmente quem ganha eleições toma o poder. E todos sabemos que a vitória pendeu para o MDC e Morgan T.
Enquanto uns mais se interessam pela "integridade intelectual" e "coerência discursiva", eu me interesso neste caso concreto pela vida humana, pela decência e pela honestidade. E nem quero sugereir que os dois aspectos sejam contraditórios. Até que podem coexistir. É chegado o momento de dizer que O rei vai nú.

Comentários

JOSÉ disse…
Ilustre, esta sua excelente análise coaduna-se com o pensamento dos observadores atentos e honestos que seguem com apreensão os tristes acontecimentos no Zimbabwe.
Tenho acompanhado o chorrilho de disparates com que dois conhecidos sociólogos moçambicanos nos brindam na blogosfera. Estes pseudo-intelectuais, ao serviço de agendas obscuras, julgam-se donos da verdade e atrevem-se em questionar a integridade e moralidade dos que pensam de modo diferente. Na sua tentativa ridícula de defenderem Mugabe, criam a imagem de que os africanos toleram ditadores corruptos e sanguinários.
Parabéns pela sua lucidez em denunciar este tipo de charlatanice.
Egídio Vaz disse…
Obrigado José. Na verdade, nós também, como povo e como cidadãos somos e seremos responsáveis pelo sofrimento daquele povo irmão, se nos acobardarmos às manobras camaleónicas dos estados da SADC, da propaganda do governo do Zimbabwe e das suas políticas, que só ajudam para agravar o problema da maioria.
E quando tudo chegar a seu fim, seremos mais uma vez todos nós que pagaremos a factura.
E não será por causa das sanções do ocidente. Elas podiam muito bem ser acauteladas. Não apenas o Zimbabwe que tem e teve veteranos de luta de libertação. Não é Zimbabwe que a tem problemas d~e terra. Aqui na Africa do Sul também existem. E, contrariamente ao que Mamdani e o grupo pensa, o Zimbabwe não é exemlo nenhum no que tange com a reforma agrária.
Nelson disse…
Chumbo grosso caro Egidio.
Chacate Joaquim disse…
Infelizmente esta última análise do Macamo com recurso a Mandani em mim é mesmo infeliz. quem disse ao Mugabe que a única maneira de ultrapassar este problema é esta? é essa mania dos africanos pensarem que só eles é que podem fazer bem ao povo que fragilisa a conjuntura criando fissuras que depois afundão o barco africano, boa análise Egídio
Noa Inacio disse…
Bem, Pessoalmente prefiria que o seu texto exprimisse com dados os contra-argumentos. Ainda estou por terminar a analise aos textos quer do Dr. Macamo, Dr Langa inclusive do proprio Mumdani, contudo, acredito que desmontar estas figuras, deveria ser acompanhado de um outro texto que eu te desafio a escrever, um trabalho de dados sobre "AS CAUSAS DA SINDROME ZIMBABWEANA- Um Olhar para o Futuro". Dr Egidio Vaz, depois de teres escrito esse texto, todos poderao perceber quao infieis ao saber estariam a ser os academicos "integros". Um abraco e continue assim. Ps: Vi a entrevista no escorpiao achei BRILHANTE.
Egídio Vaz disse…
Então Noa, achas que ainda preciso de escrever outro texto? Para quê, não percebi o motivo. Queres dados? O Mamdani apresenta alguns. Mas intencionalmente baralha-os omitindo alguns. Eu, ao longo do texto apresento esses buracos que no seu conjunto distorcem toda a verdade.
Ao tentar puxar a situação zimbabweana à questão que esses intelectuais "integros" cosnideram radicular, que é a reforma agrária, simplesmente estão eles a cantar a musica do partido ZANU e de Mugabe, com a diferença de nos entreter com um sem-números de teorias e metodologias científicas, que não passam de mero exercício estéril. Releia e verá que não disse em vão.
E estou aqui para desafiar a quem quiser e vier, provando por A+B que se Mugabe, Hitler e Mussolini comete(ra)m tantos crimes foi também com a ajuda dos ditos intelectuais e académicos íntegros.
Saddam Hussein, usou argumentos Antropológicos e algumas evidências arqueológicas de um passado comum entre os povos da Assíria para atacar e ocupar o Kuwait.
Hitler usou os cientistas sociais, principalmente os sociólogos, geógrafos e historiadores para reclamar a superioridade rácica e assim subjugar grande parte da Europa e Judeus.
E agora temos uma elite de africanos, educados no exterior a esgrimir todos os seus argumentos a favor da "integridade" de Mugabe, e acima de tudo, a favor da racionalidade das suas atitudes.
Cuidado amigo Noa. Senta e veja com os olhos de ver.É assim que tudo começa.
Júlio Mutisse disse…
Noa, plenamente de acordo consigo. O Egídio aqui, me parece, escreveu como consultor em comunicação. Esqueceu-se da sua área de formação.

Eu, pessoalmente, não concordo com esta forma de debater virada para as pessoas. Este texto é infeliz por não contrapor com argumentos, não debater ideias; limita-se, de certa forma, a ridicularizar o que os outros disseram.

A diferença entre, pelo menos, o Patrício e o Elísio, quer concordemos com eles quer não, é que temos sempre, bem fundamentadas as suas posições.

Não velo isso aqui, nem no José, nem no próprio Egídio.

Por exemplo seria interessante discutir a questão que se levanta lá no tal post que serve de referência ao Egídio: e depois de Mugabe, será ouro sobre azul? A cólera vai desaparecer e as causas que levaram à situação actual, como por magia, desaparecerão?

Penso eu, que um historiador não pode ignorar o passado na perspectiva que faz do futuro. Com ou sem Mugabe, para mim o futuro daquele país passa pelas soluções que forem criadas para os problemas que levaram à situação actual, sendo, por exemplo, o acesso à terra e outros recursos uma delas. É óbvio que a saída de Mugabe pode ajudar pois, os "santos" que o diabolizam poderão levantar as sanções e algum dinheiro entrará lá para ajudar a pôr as contas em dia.

Vamos debater ideias.
Anónimo disse…
Interessantes os comentários, mas estou a ver receio em dizer um pouco mais sobre Zimbabue. Todos nós sabemos isso. O que me espanta são os rodeios.

Mugabe já não interessa ao povo Zimbabueano, isto está mais que claro, as eleições tiraram as dúvidas. O perdedor tem que ceder o poder, ou a "democracia africana" não é assim quando perde o nacionalista.

Agora, Mugabe está refem, não só dos seus militares, mas poior dos seus vizinhos. Na verdade os Partidos que governam nas redundezas não querem Tchivang no lugar de Mugabe. Vamos ser sérios! Todos sabemos que assim zimbabué seria campo de manobra para os forças de oposição na SADC. Os líderes da SADC aprenderam com a Àfrica lá de cima onde, ganhado um opositor deu-se campo para libertar as pátrias dos libertadores.

Os libetadores não querem que a história que nos ensinaram e continuam a ensinar mude ou seja investigada mais ou mesmo se torne em "estórias". há muitas inverdades no meio dela.

Quem de nós se deixaria passar por dessa? - ensinadordor de "doutrinas falsas". Há muitos assuntos entre mortes e riquezas por explicar na região e ninguém quer ceder. por isso que Mugabe é encobertado, ou não!?

Vamos refletindo que é bom! Mas trazendo algumas verdades que acredito terem por aí seria melhor, pois não?

CMatusse
Egídio Vaz disse…
Muthisse, eu irei citar-te e depois aumentar as minhas paravras: "Vamos debater ideias". Júlio Muthisse. E eu digo - Vamos debater ideias, de pessoas. Discordo plenamente o facto de andar a acusar-me de estar a atacar pessoas.
É sempre assim, e com muita pena que quando sou eu ou outro que discute ideias de alguns cientistas sociais que também são pessoas de carne e comem sal, o que significa que também erram, sou acusado de andar a debater ideias.
E sempre me pedem (aqui incluo os outros) para que elabore meus argumentos. Está muito bem escrito no meu post o que defendo. E o que condeno. Está também muito bem esclarecido no post o que as ditas mentes íntegras propositadamente omitem para tudo cair como querem. Aliás, para tudo parecer com argumento forte, mas que no fundo, NÃO PASSA DE POLÍTICA. Política feita por um cientista social que se auto intitula íntegro sempre se confunde com ciência! E é isso que condeno. Uma ciência cheia de rabos-de-palha que urge queimar. Uma política sanguinária, cínica e hipócrita.

Muthisse, não é verdade que as ditas mentes íntegras (e aqui nunca citei o nome de alguém, pelo que os nomes que aqui aparecem são da inteira responsabilidade dos seus locutores) nunca debateram pessoas mas apenas ideias. Não é verdade que o que elas fazem é apenas usar a ciência ao serviço da ciência.

Sou sim Historiador e com algum trabalho feito e ainda a fazer. Sou sim também um dos comunicadores activos da praça. Mas acima de tudo sou também um ser humano, que sente, vê, estuda as matérias, debate-as e por fim exponho-as ao público. Fazer-me crer que não fui suficientemente rigoroso no texto não passa de uma atitude desonesta para comigo. O texto de Mamdani não traz nada de novo sim. Eu, como eles, leio Mamdani. E sou dos que tenho a ousadia de discordar com ele. Mesmo quando estudante, ousei discordar com obra do oponente em plena defesa. Nem por isso fui acusado de debater pessoas.
Discordei com muitos cientistas políticos sobre os contornos da nossa política. O que não gosto é o que anda por aí. Grupos de determinadas “mentes” a se declararem íntegras, acusando os outros de serem levianos, ignorantes, pouco lidos, apressados e não académicos, metodologicamente pobres.

Nós moçambicanos dizemos moçambicanamente: o que parece não é. Linguagem fina não é ciência.

Para concluir Muthisse peço que penses nos três seguintes pontos:
1. Zimbabué não conheceu nenhuma outra governação a não ser da do Mugabe. Portanto, foi ele quem assinou o tal acordo de Lencaster House. Portanto, se ele negociou mal, o maior traidor do momento é ELE. Faça-se a seguinte pergunta: que interesses estavam em jogo na altura que negociava o acordo e a questão de terras especificamente? E porque Mugabe, e os outros movimentos já com a guerra ganha aceitaram o acordo naqueles termos? If there is a traitor, Mugabe should be the on. O argumento de que aceitaram os termos do acordo de Lencaster como está apenas para acederem a independência é um argumento roto, político, irrelevante, que, acima de tudo visa dar razão Mugabe. E exemplos de casos idênticos não faltam. Veja a questão Moçambicana. Mário Soares, um dos negociadores dos Acordos de Lusaka pela parte portuguesa também numa dessas rondas propôs a Frelimo um referendo para saber se os moçambicanos queriam mesmo a independência ou não. E Samora e o grupo disseram simplesmente assim: “nunca se pergunta a um escravo se quer se libertar. Se assim for, voltamos a guerra.” Caso segundo: Niasslândia. Kamuzu Banda, quando vindo de Manchester, Reino Unido em 1963 desembarcou no Aeroporto de Chileka, Blantyre e num comício disse: “venho para acabar com essa porcaria de federação e libertar o país. Pelo que eu saiba, os britânicos tem sua terra”. Banda foi imediatamente preso e deportado para Gweru, Zimbababwe. Malawi adquire sua independência em 6 de Julho de 1964. Portanto, também o argumento de colonização perfeita advogado por muitos apenas visa dar culpar aos colonizadores. E qual foi a colonização imperfeita?
2. Quando cientistas sociais propositadamente omitem factos (ou seleccionam apenas os que os interessam) para apenas tornar credíveis os seus argumentos, esses cientistas são desonestos. E quando descobertos precisam de ser desmascarados. Interessante é ver que ao longo dessa toda história, nenhum desses íntegros fala sobre questões internas. Não falam por exemplo do MDC de Tsnangirai, não se referem por exemplo aos negócios e dos principais actores políticos da ZANU e da onda de corrupção que alimenta os seus negócios. Para eles, isso não interessa. Interessa sim a reforma agrária. Porque aí sim, o Ocidente é o mal da fita! Não analisam toda dinâmica política interna, suas forças motrizes e seu principal combustível, que é a população. Muthisse, amarrar a crise à reforma de terras é a forma mais fácil de vencer o espantalho. E eu sei que não é por falta de fontes. É porque lhes convêm assim proceder. É oportuno.
3. Quando toda a gente clama pela mudança, pela saída de Mugabe é porque o povo Zimbabueano assim o decidiu. Sabe muito bem das eleições que tiveram lugar e que deram vitória a Morgan e MDC! Sabe da violência infligida aos opositores e sabe acima de tudo dos crimes e atropelos aos direitos humanos de que os zimbabueanos estão sendo vítimas. Ainda como jurista, essa pessoa é para se manter?
Abraços e estamos juntos.
Henriques Viola disse…
CARO EGIDIO!

Parabens pelo artigo, pois para alem de se basear em factos, tem sempre um sentido de solucao no fundo e este e que deve ser a direccao a tomar.

Eu pessoalmente ha algum tempo advogo em meus comentarios que ha intelectuais que prestam um pessimo servico a esta patria.

Pois, academica e humanamente falando, nao se percebe a razao pela qual, mesmo com uma situacao de falencia total em que vivem os Zimbabueanos e com razoes e solucoes claramente identificadas para qualquer um (nao precisa-se de oculos!), ainda hajam algumas vozes "integras" que defendam Mugabe e sua cupula.

NOA e MUTISSE
Nao percebo de que dados estao a falar voces se estao suficientes dados no artigo do Egidio para qualquer um leigo (quanto mais para academicos?!), vamos la ser serios!

Negaram (Mugabe e companhia) receber ha pouco a mama Graca, o Kofi e Carter fala disto, apenas este discurso monocronico de que "nao ha crise". Tavez nao haja crise mesmo porque a senhora Grace Mugabe continua a fazer compras no valor de 80.000 USD (leiam bem: DOLARES AMERICANOS) num pais em que falta pao!

Vamos la acabar com esta farsa que "nao passa de teatro para o consumo proprio" (Salomao Moyana in Magazine )porque o mundo todo ja viu que o "o rei vai nu".

Caros intelectuais:
"Felicitar (Defender) Mugabe e um ensulto a democracia" (Idem) e ao povo Zimbabueano.

A historia vai n(v)os cobrar caro por esta atitude! Depois nao digam que nao avisamos!
Reflectindo disse…
Caro Egídio

Parabéns pelo texto e sobretudo pela frontalidade. Alguns discursos tenho considerado do tipo evangelização. Acho interessante quando alguns nos sugerem que é o velho discurso “nós os africanos temos que nos unir a todo o custo contra o ocidente”, consideremos de uma nova abordagem. Qual nova abordagem? Isto que sempre foi desde o início da crise zimbabweana?

Para mim, o que é novo em relação a situação no Zimbabwe, foi ver a maioria dos zimbabweanos a votar contra Robert Mugabe e Zanu-PF, mesmo com intimidações; o novo foi ver o malogrado Presidente zambiano, Levy Mwanawassa a tomar uma posição contra as farsas eleições organizadas por Robert Mugabe depois da sua derrota na primeira volta; o que é novo para mim, é ver o Presidente do Botswana a tomar uma posição diferente a dos seus homólogos da região de África Austral; o que é novo, é ouvir a Graça Machel, Joaquim Chissano a pronunciarem-se diferentemente ao que faziam há anos. Para ver-se que tudo isto é novo, até basta comparar com as suas posições há sensivelmente um ano, aquando a Cimeira de Lisboa.

Agora, os académicos íntegros nunca sairam das suas posições. Tenho-os acompanhado em debates sobre o assunto desde há anos e as suas posições têm sido estas actuais embora a situação do Zimbabwe já não nos permita esperar mais. Para eles, e CMatusse diz bem, Robert Mugabe é o dono do Zimbabwe, ponto e final.

Quanto ao texto de Mohamood Mamdani é para eles muito válido desde que a teimosia de Mugabe tenha sido defendida. Afinal, o mesmo Mamdani quando escreve sobre Rwanda ou Iraque já não é um intelectual excelente. E só para ver como até se elogia o texto de Gustavo Mavie, aquele que falsificou uma sondagem a favor de Mugabe ( ver aqui). Que esperamos afinal de Mavie?

Caros compatritas, vamos ser sérios para com a situação dos nossos irmãos. Como Júlio Mutisse acredita que depois de Robert Mugabe se levantarão as sanções e a situação da crise minorará, eu também acredito e por essa razão acho que Mugabe devia abandonar o poder que usurpa. Recordo-me que Charles Tailor ao deixar o poder dissera que a guerra continuaria na Libéria mesmo sem ele, mas a realidade provou o contrário. Libéria está em paz.
Noa Inacio disse…
Egidio Vaz. Meu Caro.

Pessoalmente tive a honra de receber um email seu que a meu ver e o inicio dos contra argumentos a questao levantada por Mundani e outros que e o que te peco que facas na plenitude. Alguns DOS AMIGOS que comentam aqui nao tiveram acesso ao email, mas sem a sua permissao vou postar em baixo, por forma a densificar o que peco. Trago-o nao para consubstanciar com o Julio de que me parece um ataque pessoal, ou que tenhas se esquecido do teu curso, mas porque senti no seu texto uma negacao constante de uma "verdade" propalada pelos academicos "integros". Amigo, na discussao academica que se pretende valiosa, nao basta que ao nos referimos a determinado problema digamos que os outros estao errados, nao basta dizer que as causas nao essas, ou que as itencoes de x sao obscuras. Conheco o seu brio, e as suas capacidades por isso acredito que es capaz e tens dados o suficiente para nos trazer um trabalho contra argumentativo, elucidativo de tal modo que todos possam perceber qual e o real problema do Zimbabwe, e ai os proprios academicos "integros" vao de seguida dizer sim, estavamos momentaneamente no mato. O TITULO JA TE SUGERI. MAS vejam abaixo o email do Egidio, que sinto que ensaia um texto que pode ser bastante elucidativo, e a ser terminado a meu ver pode "desmontar" a Tese dos academicos "integros".


"O erro que encerra todas essas análises é o facto de polarizarem factores externos como sendo responsáveis por tudo o que acontece no Zim. Na verdade, não é bem assim.


Outro factor muito importante é a propositada distorção da diacronia dos factos. Há elementos que estão sendo deixados de lado por estes senhores.


1. O Movimento Político e o papel do MDC. Muitos ainda acham que o MDC é contra a reforma agrária. MENTIRA. Talvés é a que tem as melhores propostas! Não é por acaso que o povo zimbabweano, mais instruído que o nosso, apoia-o como nunca. Achas mesmo que se o MDC fosse o dito lacaio do Ocidente granjearia tanta simpatia como a que tem tido nos dias que correm?

2. O método usado para a análise do problema é paternalista. Veja que Macamo em momento algum fala do surgimento, papel e importância do MDC para a solução da crise. Como sempre e como Mugabe, SADC e a ZANU fizeram, marginaliza-o. Veja que em Moçambique também foi assim. Por muitos e longos anos sempre se pensou que era possível acabar com a guerra aniquilando a Renamo. Via-se a África do Sul e o Ocidente como inimigos. Mas quando se chegou a conclusão que era preciso falar com o tal bandido armado e sob a mediação de entidades religiosas, veja que só em 2 anos chegamos ao AGP.

3.Os analistas que dão razão a Mugabe não estão a ajudar para a solução da crise. É preciso sim uma análise moralista, que nos permita achar caminhos para resolver a questão zimbabweana. Não importa agora pensar em quem tem razão. Importa agora é ver o que temos, o que pretendemos e quem são os principais actores(método de Abrahamson) Ai sim, O Ocidente, o MDC e a ZANU aparecerão como interlocutores igualmente tratados e considerados.
Amigo, temos que aprender com a história. Ela está rica de elementos que nos pode permitir sanar esta dificuldade sem muito sangue ainda por perder.
Abraço a integridade."

Ps: Egidio esta parte entre aspas e dum seu email que so retirei as partes que interessam para fazer perceber o que tento colocar como sugestao, e perdoe-me por o ter feito sem a sua devida permissao.

Abraco

Noa Inacio
Júlio Mutisse disse…
Obrigado Noa, se o post que o Egídio nos dá a comentar aqui tivesse sido abordado nos termos em que o email que reproduzes aqui foi, não haveria nenhuma razão do meu comentário anterior.

Sem estar a dizer se concordo ou discordo (ainda preciso digerir bem e consultar bem as fontes) nota-se ali a postura que eu defendo e na qual acredito num debate que se quer de ideias.

A distância entre o email e o post é abismal. Reconheço o Egídio académico, historiador e entusiasta sério no email que o Noa reproduz.

Acho sinceramente que o comentário reproduzido pelo Noa da autoria do Egídio é na verdade um valioso contributo para o debate. Pena é que apareça apenas nos comentários e poucos o vão ler...
Egídio Vaz disse…
Obrigado pelas contribuições.
Abrqaços.
carlos sousa disse…
Fiquei fascinado pelo nível do debate nos comentários, são visões antagonicas que refletem em interesses comuns. Boas Festas a todos, que 2009 seja um ano melhor para todos nós.
JJM disse…
Caro Egídio,

Concordo quer com o Noa quer com o J. Mutisse. Seu email, postado pelo Noa traz melhor subsídios que o post principal. Tenho estado a acompanhar e a intervir no debate que vai decorrendo no blog do Elísio e do Patrício. Esta tua intervenção é para mim, inovadora e plausível. Não discute pessoas. E é o que tenho estado a defender aqui. Vem enriquecer o debate e acho que isso é de salutar. Na ciência não existem lugares privilegiados para observar os fenómenos. Ninguém tem um oráculo capaz de ver e prever. Ninguém pode arrogar-se de ser dono da verdade. Apenas existem argumentos fracos e fortes; tentativas para aproximar-se da verdade. E podes ter a certeza que aí muitas abordagens vão aparecer, e apenas, as melhores vão subsitir. Quanto mais abordagens forem drenadas para o debate, melhor. Gostei do argumento que o CMatusse levanta para explicar a dita inércia da SADC relativamente a crise Zimbabweana. È um argumento aparentemente plausível e provável, só o escrutínio do debate poderá concluir se subsiste ou não. O mesmo se aplica para o seu contra-argumento. Não ficava bem também todos estarmos a visitar os mesmos lugares, a pensar da mesma forma. Isso esteriliza (va) o debate.

E por favor, sejamos humildes, o nosso debate não visa resolver o problema do Zimbabwe. Quem somos nós para conseguir tal dádiva? Por acaso percentecemos à alguma comissão de negociação da crise do Zimbabwe? Acho que o nosso papel é tentar perceber para explicar.

Não é menos verdade, que olhar o problema do Zimbabwe apenas como Mugabe, é uma análise reducionista do problema e até um insulto para os demais actores do processo histórico do Zimbabwe. Dizer isto, não equivale a defender Mugabe, mas sim, abrir a possibilidade de trazer novos elementos ao debate que nos ajudam a perceber melhor o problema do Zimbabwe. Espero sinceramente que haja uma tréplica por parte do Elísio e do Patrício, relativamente aos contra-argumentos que levantas (apesar de inacabados, como afirmou Noa). Aguardo pela conclusão do artigo. Que o Egídio também, depois da crítica refinou os argumentos, lá isso é verdade. Para mim, isso é o que o debate crítico permite. Como economista, nunca faço um trabalho sem dar ao meu colega para apreciá-lo criticamente. Isto ajudar a reduzir ou até eliminar prováveis erros. Salvo melhor opinião, é o que o Elísio e o Patrício tem feito.

E para terminar, partímos do pressuposto de que todos sabemos o problema do Zimbabwe. Mas afinal qual é o problema do Zimbabwe? Qual é a causa da crise ou problema do Zimbabwe? È causa ou efeito?

Josué J. Muchanga
Júlio Mutisse disse…
Dentro em breve vou de férias. Quero continuar a participar destes debates (se a minha operadora o permitir) por isso vos peço que me notifiquem de novos desenvolvimentos por email:

mutisse@hotmail.com

Carlos Sousa, a blogosfera moçambicana tem me surpreendido pela positiva. Tem me "apresentado" pessoas com muita capacidade e muito conhecimento. É fascinante ler os comentários nos diversos blogs e descobrir há pessoas que, embora antagonicamente por vezes, pensam o país.

Egídio, não pode ser uma "ousadia" descordar de quem quer que seja. Se existem bases e argumentos que possam sustentar uma visão diversa apresentemo-los. Não será por se pensar que é "ousadia" que não se criticam as opções do Partido e do Governo do dia? Não será pelo mesmo que durante estes anos todos os membros da Renamo se limitaram a fazer coro às decisões do seu líder?

Repito: o texto do email é fantástico. Aquele te merece.

Reflectindo, pelo que tenho lido noutros sítios onde se aborda a questão do Zimbabwe, e pelo que eu percebo, ninguém defende a permanência de Mugabe no poder ou a sua inocência. Defende-se isso sim, que a questão do Mugabe foi excessivamente centrada em RM e na sua diabolização, o que levou ao extremar de posições e ao extrangulamento do diálogo; que há muitos problemas no Zim que urge resolver que centrá-los em Mugabe é extremamente reducionista.

Matusse, trazes uma questão nova: a ideia de que com o MDC no poder, o "zimbabué seria campo de manobra para os forças de oposição na SADC" não sei até que ponto, embora digas que "todos sabemos." Se isso implicasse que as oposições na região se inspirariam e trabalhariam para se constituirem como alternativa até seria benéfico. Mas, de certeza, o caminho para essas organizações da região não seria o mesmo , até pelo contexto em que o MDC surgiu e se projectou.

Noa, Thanks pela polidez e clareza com que tratas os assuntos. Thanks também por, pelo teu último comentário, teres resgatado para mim o Egídio que aprendi a ler com alguma avidez.

A todos boas festas. Estamos cá para o ano, a debater nossos assuntos e a influenciar o rumo das coisas (na medida das nossas capacidades).
kandanda disse…
Fiquei maravilhado com o nível do debate e com o contraditório! Com gente desta Moçambique tem substrato para almejar uma vida pública recheada de ideias em confronto salutar que é o mesmo que pronunciar uma vivência democrática.
Que o Olimpo zele pela sua continua assumpção plenária de discussão de ideias pelas ideias e consubstancie na prática pública as suas mais valias, força Moçambique, pelo bem da sua gente e de África.
Kandanda
Ivone disse…
A conselho do José vim ve este blog e fiquei também maravilhada. Não tenho muito a acrescentar, mas uma pergunta a fazer.
Essa história do Ocidente ter sempre culpa está velha. O Mia por acaso já o disse na história dos 'sapatos sujos'. Concordo.
Acho que não deviamos dividir o mundo entre Ocidente e Oriente. Afinal vivemos num mundo globalizado.
A comunidade internacional devia ajudar a resolver estes conflitos porque o povo sofre. Em vez disso andamos nós a discutir porquanto o Sr. Mugabe tem contas bancárias na Suíça, etc. Não acham que as Nações Unidas deveriam actuar?

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