É para sepultarmos toda “geração 25 de Setembro” na Cripta da Praça dos Heróis?

Moçambique é um país com mais Heróis do que os próprios Feitos Heróicos. Desculpem-me e com todo respeito, mas como Historiador de formação e praticante da ciência histórica (pode até ser falacioso o recurso a autoridade aqui; mas já pedi desculpas), não acho normal que um país com pouco MENOS de 40 anos de independência e aproximadamente 150 anos de dominação colonial efectiva, tenha já no seu panteão 200+ heróis nacionais!
 Se a arbitrariedade com que se atribui esse título honorífico não é preocupante, então urge um debate esclarecedor sobre as intençõees últimas de quem decide. É para sepultarmos toda “geração 25 de Setembro” na Cripta da Praça dos Heróis? Se for o caso, então é melhor pensar-se num Cemitério de Heróis Nacionais de Moçambique!

O ponto para mim é o seguinte: se partirmos do princípio de que herói é uma figura arquetípica (modelo) que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica (p.ex. independência ou luta anti-colonial, etc), podemos concluir que a esmagadora maioria dos “NOSSOS” heróis não o são de facto; ou no mínimo são CO-HERÓIS, uma figura que proponho como alternativa.

Consequentemente, teriamos Samora Machel e Eduardo Mondlane como HERÓIS e o resto, incluindo Gruveta e Guebuza como Co-Heróis. No fundo, a figura de co-herói seria atribuivel à pessoas que em vida sonharam em ser declarados Heróis Nacionais ou teriam recebido promessas nesse sentido.

Muitos não vêm o perigo de termos heróis à rodos, em tão curto espaço de tempo. A primeira consequência nefasta é mesmo a vulgaridade com que iriamos encarar a figura de herói nacional.

A segunda é porque na verdade, não há muita coisa a reclamar como tendo sido feito heróico individual de cada um dos muitos que se acham ou que eles acham que o povo pensa sobre eles.

Em aproximadamente 40 anos da nossa existência como nação, apenas podemos nos orgulhar da nossa independência como grande feito heróico. E esse feito deve-se a Eduardo Momndlane – primeiro presidente da Frente, FRELIMO e Samora Machel, o proclamador da Independência e Primeiro Presidente do país Independente. Para além desses feitos há mais outra coisa, meus senhores?

A alternativa a esse cortejo seria exigirmos ao Presidente da República que active, no uso das suas competências, a alínea J do artigo 159 da Constituição da República, atribuindo, nos termos da lei, títulos honoríficos, condecorações e distinções (menos a de heroi nacional) a todos aqueles que em vida ou já perecidos merecem o devido reconhecimento dos moçambicanos pelos seus feitos e por terem contribuido para o progresso dos Moçambicanos. Desculpe-me pela "violência psicológica", mas Eu não vejo mais nenehum herói. Nem vivo, nem morto. Se calhar, ainda está por nascer mas esse pertence a futuras gerações.

O Presidente da República de Moçambique precisa urgentemente resolver esse assunto com algumas figuras que ainda nos restam, esclarecendo-os que se quiserem, podem se declarar heróis provinciais, tribais ou distritais; que já não há espaço para Heroi Nacional pelo facto de não ser possível identificar neles, feitos heróicos individuais bastantes.

Comentários

Nelson disse…
Questões que se levantaram em mim:

-São Heróis Nacionais todos os defuntos que repousam na Cripta da Praça dos Heróis?
- São Heróis Nacionais todos da geração 25 de Setembro?
-São Herois Nacionais todos que de alguma forma participaram na luta de libertação?
-Existem critérios(quantitativos e qualitativos) estabelecidos para se determinar a figura de Heroi Nacional.
Existem requisitos criteriosa e claramente estabelecidos para se determinar que vai ou não à cripta?

Bem, tenho para mim que enquanto não houver uma definição clara de conceito Heroi Nacional e critérios claramente estabelecidos para atribuição desse título(me parece ser o caso), fica muito difícil entrar nessa conversa.
Egídio Vaz disse…
Nelson, então deve ser eu a trazer os criterios!? Acho que estás em melhores condições de debater do que esperar pelos critérios? Quais critérios? Um pouco de esforço dava para perceber da arbitrariedade como criterio. E eu denuncio essa arbitrariedade. Mas também ha fontes interessantes não esgotadas, como a aludida alinea J do artigo 159 do CRM que remete á lei especifica - que não existe. Ou seja, apesar de não existir ainda lei especifica que regulamente a atribuição de titulos honorificos, em Moçambique vai- se declarando herois à rodos. E acha que deveria me calar até que haja criterios? A arbitrariedade não é criterio?
Nelson disse…
Caro Egídio, talvez eu não me tenha feito entender, mas não o atrubuo a responsabilidade de trazer os critérios muito menos sugiro que nos calemos enquanto não existirem/conhecermos os critérios, apenas confesso a dificuldade e não imposssibilidade que tenho(EU) em entrar como gostaria, na conversa dos herois ou dos que vão à cripta. Se o critério é realmente arbitrariedade como me parece sugerires, ainda acredito que haja algum critério mesmo que arbitrário na aludida arbitrariedade.

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