Segunda-feira, Setembro 22, 2008

Incesto Consumado! Obrigado papa Dhlakama

Ou, Roteiro do Velório em câmara ardente!

Como era previsto, o Presidente da Renamo acabou mesmo expulsando Davis Simango da Renamo, confirmando por outro lado a candidatura de Manuel Pereira pela Renamo.

Ao assim proceder, Afonso Dhlakama, Presidente da Renamo, acaba de fazer algo que mais gosta: afundar a própria Renamo, cimentando por outro lado o seu reinado. Dhlakama acaba também de lançar mais um recado aos intelectuais e todos aqueles que clamam pela mudança dentro do Partido: aqui mando eu. Ou obedece, ou expulso-te.

Consequências de curto, médio e longo prazos

1

Os cinco deputados mais cotados da Renamo irão declarar-se independentes brevemente, como forma de manifestar a sua indignação em relação ao despotismo praticado pelo papá Dhlakama. Isso obviamente, terá implicações muito graves no desempenho da Renamo nas próximas sessões da Assembleia da República. António Namburete, já que é candidato oficial da Renamo pela cidade de Maputo, permanecerá calado até perder as eleições a favor de David Simango em Novembro próximo. Depois, também se juntará ao grupo. Se não for por livre vontade, será por vontade do líder, já que Dhlakama tem um especial pavor por intelectuais e pessoas letradas.

2

Na Beira, Simango e Bulha levarão vantagem em relação a Manuel Pereira. Sem recursos, a Renamo perderá as eleições. Bulha com a máquina do Governo provincial e central bem como do Partido Frelimo, levará a campanha eleitoral mais cara de sempre! Bulha não poupará seus recursos pessoais para ganhar pela primeira vez a Beira. Para Bulha, Beira constitui um dos achievements políticos que o levará às nuvens. E para a Frelimo arrancar a Beira da Renamo, constituirá um marco fundamental, rumo à maioria qualificada nas gerais de 2009! Terá apoio pessoal de Filipe Paúnde, como SG e de toda máquina propagandística, incluindo alguns colunistas do Noticias!

Por seu turno, Davis Simango, com o Município nas mãos e toda a infra-estrutura política da Renamo, terá mais para redistribuir do que Manuel Pereira. Usará como é mister recursos humanos e materiais do Município (carros, salas de reunião, chefes do bairro, etc.) ao serviço da sua campanha. A propósito, quantos mais membros deverão ser expulsos do Partido, já que a maioria dos apoiantes de Simango são da Renamo? Haverá outros Conselhos nacionais para expulsar os restantes? Quando?

Em Novembro, ou Bulha, ou Simango Goevrnará a Beira. Será o princípio do fim da Renamo, rumo a derrota final em 2009.

Mesmo que Simango perca (50% de probabilidade) o Grupo de Reflexão e Mudança constituirá a principal força de oposição na Beira e a Renamo a terceira. Haverá balanço de poder na Assembleia e a Frelimo não terá maioria absoluta para governar livremente. Terá assim que cortejar a GRM.

3

Sem Beira nem bastião e com menos deputados na Assembleia da República (provavelmente 80-83 contra os actuais 90); desorganizada e com poucos recursos, assim irá a Renamo as eleições gerais de 2009.

Sabendo que um dos aspectos que penaliza a Renamo em pleitos eleitorais é a falta de organização e escrutínio pelos seus membros, nas Assembleias de Voto bem como a montagem de um sistema de contagem paralela (factores que ditaram em grande medida a vitória de Davis na Beira. Na Zambézia, deveu-se ao empenho pessoal dos deputados Manuel Araújo e Carlos Colaço e sua equipa) a Renamo consentirá a pior derrota de sempre. Por outro lado, a Frelimo obterá pela primeira vez, a maioria absoluta! Sim maioria absoluta! Aí sim, Afonso Dhlakama descansará em paz! Terá conseguido o que sempre quis em 30+ anos de militância.

4

Por causa da derrota, Dhlakama encenará uma reorganização político-partidária para, alegadamente revitalizar as bases. Mas antes demitirá Mazanga do cargo de Porta-voz. Mais uma vez viajará para Quelimane – cidade Santa – (em 2010 ou 2011), para um Congresso, onde dará o último golpe a todos aqueles que ele achar constituírem ameaça. Redistribuirá cargos de chefia pelos seus yessmen. Recuperará figuras outrora por ele marginalizadas mas que teriam se mantido calados.

Ao longo de todo este processo sempre haverá espaço para um e outra reunião de fachada, seja para redistribuir dinheiros, seja para demitir um e outro. Em 2009 Dhlakama dirá que as eleições foram fraudulentas. Só que ninguém lhe prestará ouvidos. A SADC como sempre, declarará as eleições livres, justas e transparentes mesmo antes dos postos de votação fecharem.

Diplomaticamente, Dhlakama estará isolado em 2009. Financeiramente continuará a ganhar como líder da oposição; fará parte do Conselho do Estado e continuará a manter os seus homens armados em Maríngue.

Só que para estes, a Frelimo tem um plano: a cidade se lhes aproxima a cada dia que passa. E o rádio que Dhlakama os proibia de escutar em tempos de guerra, está todo o dia ao ouvido destes. Ouvem e sabem a cada dia que passa, que o seu mestre os ludibria; que há oportunidades sérias e duradoiras para além de Dhlakama. E um dia não mais haverá homens armados. E não será preciso a FIR. O desenvolvimento do país se encarregará em desmantela-los.

Politicamente, Afonso Dhlakama estará cada vez mais fraco. Pela primeira vez na História, teremos um Dhlakama protestado pelas bases. E a Junta para a Salvação da Renamo ganhará coerência. Tarde ou cedo, PDD e Renamo fundirão num partido só. Desta vez sem Afonso Dhlakama. Mas para que isso aconteça teremos que aguardar por uns 15-20 anos, ou 4 eleições gerais. Até que alguém declare-se incapaz de dirigir o partido, por força da natureza.  

PS: Há uma coisa que não consigo entender no caso Davis-Dhlakama: Será que Lutero Simango vive neste planeta? Estranho o seu silêncio e serenidade ante o assassinato político do irmão mais novo, com o agravante de ter sido ele que o convidou à vida política! Lutero Simango, diga algo! É seu irmão Davis! Acima de tudo. Acima do seu sucesso.

Carta aberta a Dhlakama agora em Swahili

A Global Voices Online continua a fazer um grande trabalho, traduzindo a carta aberta que escrevi ao líder da renamo em várias línguas. Depois da versão inglesa e espanhola, agora é a vez do Swahili

De recordar que também a mesma carta foi publicada no jornal SAVAVA, da semana antepassada.

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Quelimane, recusa ser túmulo e berço ao mesmo tempo!

A propósito da Conselho nacional da Renamo a ter lugar nos dias 19-20 de Setembro de 2008

Foi em Quelimane que em 2006 Frelimo realizou o seu VIII Congresso e que teve a participação estranha e ao mesmo tempo cómica de Ya Qub SIbindy, Presidente do PIMO. A reunião serviu para que o actual Presidente da República, Armando Guebuza, finalmente concluísse com a montagem da sua máquina político-adminmistrativa, chamando Paúnde para ocupar o cargo de Secretário-geral; acomodando Samora Jr. e Nyeleti Mondlane no Comité Central do Partido e reafirmando Edson Macuácua ao cargo que ora desempenha no Partido. O detalhe tem pouca importância. Mas apenas quero reluzir o facto de ter sido na capital da Zambézia que a Frelimo se arrumou. Muito bem.

Por seu turno e por razões iníquas, tem sido em Quelimane, cidade onde Dhlakama e seus apaniguados se reúnem para degolar politicamente os membros mais brilhantes da Renamo. Raúl Domingos e Davis Simango s(er)ão exemplos disso.

Quer dizer, Quelimane é talho e curral ao mesmo tempo; berço e túmulo político de Moçambique! Não, não pode ser. Quelimane acorda. A Renamo está a brincar contigo!

Não aceita que te zombem dessa maneira. Não aceita que sejas nem túmulo muito menos talho político onde iníquos se associam para delinquir! Não aceita que sejas o prostíbulo; antro de imprudência de alguns que apenas pensam em se manter forçosamente no poder, mesmo que esteja claro para eles e todos, a sua inadaptabilidade política.

Não, não aceita que desta vez sejas no teu espaço que a grande vergonha do ano aconteça. Não aceita e não recebe o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, muito menos seus escravos políticos. Manifesta-te. Diz não a palhaçada política. Imponha obstáculos. Chove, Quelimane, chove!

A província de que és capital já deu mais deputados à Renamo do que as restantes. E o que te fizeram? Nada. Quantos computadores a sede da Renamo em Quelimane possui? Quantas cadeiras? Quantos carros? Há quanto tempo os colaboradores da Renamo não auferem seus salários? Há quanto tempo que o delegado político provincial da Renamo não efectua visitas aos distritos? As estruturas de base (da Renamo) em Quelimane foram consultadas para essa reunião? Foram convidadas para participarem na abertura da Conferência?

A província de que és capital apostou mais que três vezes na Renamo, na vã esperança de mudar o curso da política e governação do país. E o que recebeste em troca? Nada.

O que sabes dos deputados da Renamo que elegeste? Onde estão? O que fazem? Que mudanças te trouxeram para o agrado do dia-a-dia dos teus habitantes?

E agora vêm no teu espaço para nele mais uma vez cavar outra sepultura política! Querem expulsar Davis Simango. Perguntaste porque? Perguntaste porque deverá seres tu a testemunhar esse assassinato? Perguntaste porque não a Beira, onde a vítima vive? Ou em Maputo, onde o Régulo de Mangunde folgadamente mora? Estás de acordo com a decisão? Perguntaste porque só és anfitrião em momentos turbulentos da vida da Renamo?  

Levanta a cabeça e reaja Quelimane. Diga a eles, vão pastar noutro lugar! Não podes continuar a ser assim! Até parece que gostas disto! Não admite que te ensanguentem as mãos nem faça mau uso do teu bom-nome!

Quelimane és grande; muito grande e mereces mais que simples teatro político.

Quelimane, dont turn back!

Carta Aberta ao Líder da Renamo traduzida para o Espanhol

Global Voices: The World is Talking, Are You Listening?
Já está disponível em espanhol e na Global Voices Online, a carta aberta que fiz ao líder da Renamo, na sequência dos desmandos políticos de que é protagonista principal no Partido que dirige. Podem ler aqui.

Abraços.

Cenas que atentam a integridade do Estado

Não sou amante de seriados. O que vou agora escrever dava para uma série de 4 textos. Mas porque não sou daqueles que gostam de queimar o tempo dos outros (porque ninguém é leitor profissional de blogues) irei directo ao assunto.

Falando da pobreza, o Professor Elísio Macamo desafiou bastantes vezes a nossa capacidade de pensar e agir em relação a pobreza em Moçambique. Não raras vezes chamou atenção ao facto de a pobreza em Moçambique ser mais mental que material.

De facto, há cenas que, quando acontecem (e acontecem com frequência) me deixam cabisbaixo. Trata-se de doações que “pessoas – singulares – de boa vontade”, os benfeitores, concedem ao estado; das inaugurações e reinaugurações; do uso (in)devido de símbolos nacionais; dalgumas acções que se pensam inovadoras; dos bajuladores do Presidente da República e das entrevistas dos Ministros.

Vamos por partes e em pedaços.

Um empresário doou 50 motorizadas a PRM

Pelo facto do país ser tão pobre, chegamos ao ponto de o Estado não sentir vergonha de receber qualquer tipo de doação, seja ela vinda de fora, de dentro; de empresários, de associações ou de pessoas singulares. Um empresário da Praça, por ver que a nossa PRM (já é tempo de ter uma página na Internet, Srs.!) tem grave falta de meios circulantes, decidiu oferecer 50 motorizadas para alegadamente minimizar o défice. Sabemos nós que a falta de meios circulantes é crónico em todos sectores do Estado. Mas este empresário foi exactamente escolher a PRM para ser beneficiária de suas benfeitorias! E o Estado Moçambicano agradeceu. Quanto custa comprometer o Estado em Moçambique?

Um Costureiro Ofereceu bandeiras algumas esquadras da PRM

Um jovem costureiro de renome em Maputo decidiu há uns anos costurar e oferecer bandeiras da República de Moçambique às esquadras da capital e dalgumas fora desta. A razão evocada foi de que sentia pena em ver a bandeira que tanto ama(va) em estado lastimável: sujas, rotas e às vezes descaracterizadas! De facto, o jovem costureiro tem razão. Grande parte dos mastros empunha bandeiras em estado lastimável. E não são apenas esquadras: as sedes dos distritos; as administrações; os conselhos municipais, enfim, grande parte das instituições do estado tem bandeiras em mau estado de conservação. Porém, foi exactamente às esquadras da PRM que o jovem costureiro decidiu oferecer as suas peças!

Conselhos Coordenadores dos Ministérios que tem lugar nos Distritos

Quase que já é moda. Os Conselhos Coordenadores dos vários ministérios agora têm acontecido nos Distritos. Não sei bem as razões que estão por detrás dessas decisões mas uma coisa é certa: sabidas que são as deficiências que os distritos têm no que tange às condições de alojamento, alimentação e transportes, é fácil adivinhar que tudo vem de Maputo ou da capital provincial mais próxima, encarecendo assim os custos administrativos desses conselhos coordenadores: combustível, tendas,catering e ajudas de custo, etc! E depois digam que o povo é que deve inculcar na cabeça a noção depoupança para que Moçambique cresça!

Dizer que Exames de escolha Múltipla melhoram a qualidade de ensino em Moçambique

Sim, sem justificar porque e como, o Ministério da Educação introduziu exames vulgarmente conhecidos por multichoice (sim, multichoice e não multiple choice). E nos exames extraordinários há pouco levados a cabo, vimos quão extraordinários foram os resultados: 23% de aproveitamento positivo!

Publicitar Arroz Ngonhama com a melodia do Hino e Bandeira Nacionais(adicionando a cabeça do leão no meio da bandeira)!

Isso mesmo! Infelizmente essa publicidade anda desaparecida fazem já mais de trinta dias. Mas anda pelas Televisões nacionais: pública e privadas. Não sei quantas toneladas de arroz ngonhama a empresa responsável pela marca doou ao Estado! 

Enfim, ando sem inspiração. Mas apenas quis deixar uma pergunta:

Não serão as ofertas de bens e serviços as instituições do Estado, principalmente as que garantem a sua soberania, um verdadeiro atentado à sua segurança, na medida em que pode condicionar a sua independência, isenção e rigor em relação aos respectivos benfeitores? Mas antes disso, é permitido por lei que pessoas singulares e colectivas ofereçam bens e serviços aos órgãos do estado em troca de nada?  Ilídio Stayler, por favor, respondam-me. Ser pobre é mau. Mas não ter juízo e pior ainda.

...Muito rapidamente...

Tzipi Livni (leia-se Zipi Livni) vence as eleições primárias do Partido Kadima em Israel  tendo derrotado Shaul Mofaz por 43.1 contra 42.0%. Trata-se da derrota dos militaristas israelitas, aqueles que sempre defenderam que apenas os que possuem experiência militar é que podem governar o país. Livni, 50 anos, é actualmente Ministra dos Negócios Estrangeiros Israelita e sou pessoalmente apoiante desta mulher. Esperemos para ver os desenvolvimentos que ela vai empreender na busca da Paz na Palestina e Médio Oriente no geral.

Porém um aspecto interessante aqui: Ehud Olmert vai deixar o cargo de Primeiro-ministro por acusações de corrupção de que é acusado; actos praticados bem antes de assumir as funções de primeiro-ministro. Cá entre nós...hehe. Alguém quis saber se à luz da lei a mamã era moçambicana. E valeu-lhe uma acusação:  atentado contra a segurança do estado! Moçambique Hoye!

Ericino de Salema abriu o blog. Parabéns e bem-vindo. Era sem tempo. Abraços e bom trabalho.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Carta aberta ao Líder da Renamo Afonso Dhlakama

O que o Presidente da Renamo anda a fazer deixa qualquer indivíduo mentalmente são de queixo caido. Por outro lado, o que o Engenheiro Devis Simango fez, anima a política.

Excelência, não iria deixar passar a oportunidade de expor as minhas impressões acerca da sua pessoa como líder de um partido que outrora já foi grande. Quero também prometê-lo que no próximo ano não o irei esquecer.

Sim, não o irei esquecer quando me lembrar de tanta gente que assassintou políticamente. O Magazine Independente avançou uma lista bem curta de alguns dos seus ex-colegas que consigo militaram na Renamo, mas que por sua vontade foram expulsos sob alegações da “bases”.

Para já, importa dizer que V. Excelência não age e nunca agiu de acordo a vontade das bases, à semelhança da Guerra que orgulhosamente diz ter dirigido.

O Sr. Dhlakama assassinou políticamente gente com maiores capacidades de liderar organizações políticas que o senhor; gente que, pela sua bagagem acadêmica, tacto diplomático e inteligência, levavam bem alto o nome da Renamo durante os tempos de guerra civil, das negociações de paz, da reconciliação nacional e durante os debates da Assembleia da República. Hoje, pessoas com esse perfil podem se contar aos dedos das mãos!

Hoje em dia, V.Excelência, políticamente já não passa de um nado morto. Moçambique deve ser dos poucos países do Mundo onde “cadáveres políticos” coexistem lado-a-lado com os vivos, sem causar tanto arrepio para os últimos.

Sim, não me vou esquecer de si, depois de assumir três derrortas pesadas em três eleições presidenciais; não me vou esquecere de si, cansado que estou em ouvir as suas mentiras e ditos sem consequência.
V. Excelência deve ser dos políticos que mais mente neste país; e dos políticos que mais fala sem ter em conta as consequências: anunciou que não iria tomar parte do Conselho de Estado após as eleições de 2004. Mas agora têmo-lo bem sentado, se bem que de lá não ouvimos nenhuma contribuição que fosse da sua autoria, muito menos um barulhosito; não quis reconhecer o resultado das eleições de 1999, mas acabou reconhecendo; fala que é democrata, mas sabemos todos nós como tentou massacrar Devis Simango...mais palavras para quê?

V. Excelência não é digno de se igualar a uma perdiz, mas sim à uma galinha poedeira que não se cansa em partir ovos que ela própria põe. Na minha terra, galinhas desse tipo são lhes queimados os bicos sendo o tamanho destes inversamente proporcional à quantidade de ovos que andam a partir.

Como dizia Salomão Moyana, V. Excelência é dos poucos infiltrados da Renamo que teima em ficar apesar de já ter sido descoberto. E sinceramente, aguardo novas de si quando em 2009 perder esmagadoramente a favor de Armando Guebuza. O melhor que deve fazer é ficar calado até essas eleições. Depois de perder, convoque o Congresso para anunciar de novo a sua candidatura para 2014! Nesta altura, os seuscolaboradores directos virão de Maríngoe (homens armados) para Maputo. Porque os que agora o ajudam serão por si ainda este ano ou princíupios do próximo explusos, quando começar a decidir quem vai a Assembleia da República e quem fica de fora.

Ainda bem que a Beira já não conta consigo. Continue a ganhar sem trabalhar. Porque ser da oposição significa para si sentar-se à sua sombra e lançar achas de ciúmes à quem está disposto a fazer diferente em prol do povo. Bem haja S. Excelência. Mas tenha em mente que em 2014, pessoas como as que actualmente ainda acreditam em si irão rarear.

Versão inglesa do mesmo artigo disponível no Global Voices Online leia-o aqui.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Está Difícil. Mea Culpa

Está difícil o regresso. Muito por causa da minha incapacidade de estar em cima dos acontecimentos como era no antigamente. 
Desde que anunciei o meu regresso, muitas foram as ocasiões que clamavam por minha intervenção. Mas não pude. 
Agora já não me queixarei de razões profissionais. Muito menos de mim mesmo. Mas do ócio. Um ano calado não é pouco. E dificilmente voltaria tão "forte" como previa e como muitos esperavam. Porém, há nisso uma coisa que ando a fazer e que acho muito importante para o Mundo: sou contribuinte e autor da Global Voices Online. O meu trabalho é observar o que anda pela blogosfera moçambicana, traduzir artigos relevantes e postá-los no site da Global Voices em Inglês. Dai, os outros autores traduzem em variadas línguas como espanhol, árabe e chinês. 
Um dos artigos que já traduzi é o do Professor Macamo. Este artigo está traduzido em inglês por mim. E em espanhol pelo meu outro colega da Global Voices. 
Outra coisa boa é que há mais um artigo da minha co-autoria aqui. Trata-se de um estudo feito no longínquo ano de 2005 sobre a Comunidade de Mungoi em Chidenguele. Está em Inglês, infelizmente para muitos moçambicanos e não falantes desta língua.
Portanto, estou na área e bem vivo intelectualmente. 
Não deixaria de lamentar a morte do Dr Aloni que hoje vai a enterrar. Gostaria também de lamentar a tentativa de asassinato político da pessoa do Engenheiro Daviz Simango, edil da Beira e do Dr Eneas Comiche de Maputo. Isso é prova inequívoca que em Moçambique brinca-se a política.
Não foi por acaso que mudei do nome do Blog: anestesia, amnésia e a política em Moçambique pretende documentar essa mesma brincadeira cometida não por muyudos (miúdos, leia-se. Sotaque de um político da praça) mas sim por madodas (mais velhos).
Tenho dificuldades em acreditar se aquilo o que aconteceu é política ou morte. Abraços