Sexta-feira, Março 30, 2007

O "Zelo" Policial. Punida por cair em plena dança

Aconteceu no distrito de Caia, Província de Sofala, centro de Moçambique. De acordo com o Jornal Zambeze de ontem, "Joaquina Araújo Manhoca, uma notável camarada e membro da OMM, Organização da Mulher Moçambicana da Frelimo, foi chamboqueada, há dias, por membros da Polícia da República de Moçambique de Caia depois encarcerada por três dias, por ter dançado em estado de embriaguez no acolhimento do Chefe de Estado Armando Guebuza, aquando da sua recente visita àquele Distrito, no âmbito das suas visitas às zonas afectadas pelas cheias". O problema foi que, duarnte a dança, Joaquina fez-se ao chão; caiu súbitamente, apesar de poucos terem se apercebido do sucedido, muito menos o PR. Joaquina Araújo confirma o sucedido mas assegurou que continuará na Frelimo! "Sou membro da Frelimo de longa data e por isso continuarei anquela formação, asseverou.
A notícia avança que, por razões de elegância (acho eu) Joaquina apenas foi chamboqueada após a retirada do Presidente do local.
Um clara violação dos direitos humanos!

Puritanismo Português ou Neo-fascismo?

Ergueu-se uma placa publicitária contra a imigração e contra a Humanidade em Portugal. Bem em frente da Praça de Marquês de Pombal, um dístico dando "boa viagem" aos imigrantes, anuncia o início de uma campanha da autoria do PNR-Partido Nacional Renovador, contra a imigração em Portugal, "enquanto houver portugueses a viver na miséria".
No Parlamento, todas as bancadas repudiaram o conteúdo do dístico. Manuel Alegre, em representação do PS classificou o anúncio, um atentado contra as liberdades dos imigrantes e contra os portugueses também.
Num comunicado, o Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques que esta campanha é profundamente ofensiva, não só aos 400 mil imigrantes que diariamente constroem Portugal mas também para a memória histórica dos Portugueses. Igualmente o Governo Civil de Lisboa condenou o acto.
O Governo do PS repudiou e criticou o conteúdo do cartaz considerando-o igualmente ofensivo não só os imigrantes em Portugal como também os milhares de imigrantes portugueses espalhados no Mundo.
Por sua vez, a Procuradoria Geral da República, considera "não é ilícito o cartaz que o Partido Nacional Renovador (PNR) colocou em Lisboa, e que permanecerá no Marquês de Pombal durante um mês, com o slogan “Portugal aos portugueses. Basta de imigração, nacionalismo é solução", mas alerta que “acompanha as acções e declarações dos responsáveis pelo cartaz, no sentido de apurar se o mesmo poderá vir a constituir um veículo para a criação de condições que levem à prática de actos contra imigrantes”. E garante que “serão tomadas as medidas adequadas se vier a concluir-se que se está perante um incitamento ou encorajamento à discriminação punidos por lei”.
O Partido Nacional Renovador é um partidinho liderado por José Pinto Coelho, que granjeia em seu torno, um grupelho de jovens de ideologia neo-fascista e que vêem na expulsão de imigrantes, mas principalmente africanos, uma solução para os seus problemas sociais. É uma iniciativa que gira um pouco por toda a Europa dos 15. Entre outras medidas, o PNR quer que se acabe com os casamentos inter-raciais, alterar a lei da nacionalidade, expulsão de clandestinos e delinquentes, entre outras irracionalidades.
Na blogosfera, temos blogs como este, este e este como sendo portadores desta ideologia doentia e desesperada. Foram pessoas como essas que sozinhas conseguíram eleger via sms António de Oliveira Salazar o Grande Português no Programa Televisivo da RTP.

Quarta-feira, Março 28, 2007

Mulheres Zimbabweanas manifestam-se


Neste link poderão ver as imagens de mulheres Zimbabweanas, manifestando-se nuas frente a um posto Political, em virtude das manifestações levadas a cabo por membros do Movimento para a Mudança Democrática MDC, maior partido de oposição, cujo líder e demais membros teriam sido barbaramente massacrados na semana antepassada.
Para saber mais acerca da crise, vejam este link

Terça-feira, Março 27, 2007

O Grande Português


No concurso da RTP Os Grandes Portugueses, Salazar foi a mais votada das personalidades em jogo, com 42% dos votos, seguido de Álvaro Cunhal, com 19%, e Aristides de Sousa Mendes, com 13%. No entanto, o concurso é desvalorizado por historiadores como José Mattoso, António Reis, António Manuel Hespanha e Fernando Rosas, entre outros, que acusaram a RTP de desinformação e manipulação num texto publicado no jornal Expresso. Por seu turno, em declarações ao Diário de Notícias, Nuno Santos, director de programas da RTP, considera que a acusação é de mau gosto e revela má-fé.
Isso é o mesmo que um dia Ngungunhana como o Grande Moçambicano! Faz-me arrepiar os cabelos.
Entre os moçambicanos, Salazar será lembrado como o grande colonialista; arquitecto e estratega dos crimeis mais hediondos contra a afirmação nacionalista do povo moçambicano. E do povo Português também.

Vamos a Chibabava!

De acordo com Susana Espada, jornalista da TVM, o Distrito de Chibabava, Província de Sofala registou no ano passado, mais de 25 mortes por linchamento à catana. O motivo é simples: Ciúmes, acusação de feitiçaria e ódio. Entrevistando o Comandante da PRM local, este exclamava dizendo:
- "Quando os maridos da maioria das senhoras que aqui vivem voltam da África do Sul, onde trabalham como mineiros ouvem fofocas de que a sua esposa "andava" com aquele ou aquele senhor. Ele quando ouve isso nem quer mais perguntar. Pega na catana e vai por cima do indivíduo. Outras vezes acontece quando este vai ao curandeiro saber quem lhe enfeitiçou, ou quem está a fazer com que a sua vida não ande. Aí, mal que saiba, também acontece o mesmo. Eu acho que é a força da cultura. Aqui as pessoas estão muito ligadas á sua cultura". (Sic) Fim da citação. os grifos são meus.
Susana, espantada termina com um "Vivo"
- "Não se sabe porque que é que depois de tantos anos, desde os tempos pré-coloniais, as pessoas aqui ainda continuam apegadas á sua cultura. A obediência cega às práticas mágicas está a dizimar pessoas aqui em Machanga. É importante saber as causas sociais deste mal. Só os cientistas sociais é que podem desvendar este mistério". Fim do "Vivo"
Colegas, vamos á Chibabava!

Segunda-feira, Março 26, 2007

Machado da Graça e a Explosão do Paiol de Malhazine


"O que se passou, na quinta feira passada, em Maputo, foi mais uma batalha da guerra que, há muitos anos, se desenvolve entre a Incompetência, o Deixa-Andar e a Negligência, por um lado, e o Povo Moçambicano pelo outro.
Uma guerra que, até aqui, se desenvolvia ao nível das repartições públicas, do funcionalismo do Estado, e que, de repente, saltou para a praça pública com o seu cortejo de morte, sofrimento e destruição de propriedades..."
Continua aqui.
- Machado da Graça. In: Ideias para Debate

Sexta-feira, Março 23, 2007

Explosão do Paiol de Malhazine



Ontem, pelas 16.00, ininciaram no Bairro de Malhazine, há 10 kilómetros do centro da Cidade do Maputo, fortes explosões provocadas pelo Paiol das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Ainda não se sabe o que teria motivado essas explosões. O armazém de armamento esteve, desde àquela hora, até as 22 horas a arder, tendo lançado para o ar imensas chamas de fumo que só lembram tempos de guerra.
É a segunda explosão, dentro de 2 meses, pois, o primeiro teve lugar no dia 30 de Janeiro deste ano. Para além desde, as Forças Armadas também têm mais um Paiol no Bairro 25 de Junho, perto do Hospital Psiquiátrico do Infulene, onde pode se ver, mesmo de fora, imensas quantidades de armamento obsoleto e não só.

No centro da Cidade, as FADM também têm três quarteis sendo um, perto da sede da Frelimo, outro, ao pé da sede do Sistema das Nações Unidas e o Quartel General das Forças Armadas, situado ao pé de duas escolas, nomeadamente a Escola Secundária Francisco Manyanga e outra Primária, cujo nome não me ocorre. Entre as duas escolas e o Quartel General, está por meio, uma Bomba de Combustível da BP.
Este e o cenário das posições militares dentro da Cidade. Sem comentários!

Rescaldo da Explosão
Por hora, são dados adquiridos sessenta e cinco (65) mortos no Hospital Central do Maputo, mais cinco (5) no Hospital Geral de Mavalane. Totalizam ao todo, 70 mortos. Do Hospital Geral José Macamo são se sabe. Mais de 200 feridos confirmados. Nem jornalistas, nem oficiais militares conseguiram calcorear as entranhas do Bairro de Malhazine. O Ministro da Defesa, ainda não sabe dizer que tipo de armas estavam lá guardadas.
A Cidade está quase "partida": as montras de centros comerciais, Bancos e outros estabelecimentos públicos estão quase sem respectivos vidros e/ou janelas. Menção vai para o Ministério de Trabalho, que ficou com a maioria das suas janelas vidraçadas, "desvidraçadas", partidas!
Mais horror? Sim.
O Governo não vai indemnizar. Apenas lamenta e apela calma
Como vêm, ainda não fiz análise nenhuma. Os dados ainda estão por completar. Vou actualizando este texto, à medida que vou obtendo mais informação.

Amantes do sono

Estes senhores não são quaisquer. São Diplomatas africanos, que representam seus países em Fóruns Internacionais. Aqui, uma Delegação em mais uma sessãode Debates na União Africana. Agradeço a Iolanda Aguiar por ter me enviado esta foto ontem, a tarde. Os nossos também não estão longe disso.

Quarta-feira, Março 21, 2007

Pensamento Linchador I, ou em busca do Ponto de Arquímedes

Sobre a Situação dos Médicos em Moçambique
Ao longo do caminho para o serviço (de transportes públicos semi-coletivo) ia lendo o texto de Elísio Macamo com o título «à procura do ponto de Arquímedes: o descontentamento e a sua modernidade» publicado numa colecção de textos, fruto de um projecto de pesquisa dirigido por Boaventura de Sousa Santos e Maria Tereza Cruz e Silva. Nele, e citando Thomas Negel, questionava se era possível olhar de lado nenhum. Claro que Macamo se preparava para mais uma incursão crítica (no bom sentido) aos textos dos autores do livro.
Mas, há dado momento, verifiquei, espantado, diga-se, que todos os passageiros do «chapa» (transporte de passageiros semi-colectivo) também estavam a ler!
Um facto curioso foi que quando o cobrador viu-me a abrir a pasta e dela tirar um livro, ele, disfarçado, também pegou num embrulho de jornais publicitários de um grande e conhecido supermecado maputense e, miméticamente, começou a distribuir pelos passageiros. À dada altura, todos nós estávamos a ler. Fiquei satisfeito. Dois minutos depois, desci. A viagem continuou, não sabendo se, os meus companheiros de viagem também continuaram a ler ou não.
Voltando à questão de Negel, se era necessário ver de lado nenhum, recordei-me e muito animado, do debate televisivo ontem transmitido pela Televisão Stv, dirigido pelo Jornalista-Executivo Jeremias Langa. Nele estava o Doutor Momed Rafico, Presidente da Associação Médica de Moçambique, AMM, a dar a conhecer as principais conclusões que a Assembléia Geral da classe havia antes de ontem, 19 de Março tomado.
A análise que se segue centrar-se-a àquilo que chamarei de pensamento linchador do Jornalista Jeremias Langa (corporizando todos meios de comunicação social nacionais), bem como da maioria dos telespectadores (corporizando todos aqueles que puderam dar a sua opinião sobre o assunto) perante as decisões do Ministro da Saúde. Reorde-se da minha acepção de pensamento linchador: Um pensamento caracterizado pela busca forçosa de soluções à problemas cuja natureza desconhece. Esse conhecimento manifesta-se pelas seguintes iniciativas de acção: imputação causal, culpabilização, apelo à medidas radicais de roptura com a situação prevalescente. Todas elas embasadas pela ignorância ou sua apologia.
Factos
1. Entre os dias 7 a 9 de Fevereiro do ano em curso teve lugar em Maputo o Conselho Hospitalar dirigido pelo Ministro Ivo Garrido. Das decisões tomadas, constavam a da eliminação do tratamento diferenciado nos hospitais públicos, o que inplicava o encerramento de clínicas especiais bem como a obrigatoriedade da prestação de 40 horas semanais de serviço pelos médicos afetcos em hospitais públicos.
2. Socorreu-se, o Ministro, para o caso da última medida, o Estatuto Geral dos Funcionários de Estado no tocante ao horário laboral bem como a experiência externa quanto aos horários médicos.
3. A reacção dos médicos não se fez esperar. Protestaram algumas medidas, fruto da incompreensão dalguns pontos que constavam da circular que legalizava as decisões tomadas no Conselho Hospitalar.
4.Para tanto, convocou-se uma reunião com o Ministro da Saúde que, por sua vez esclareceu os pontos em dúvida. Afinal de contas, não se tratava necessáriamente de permanencer no Banco do Hospital das 7.30 as 15.30, mas sim de cumprir o tempo legalmente estatuído, que era de quarenta horas semanais. Até aqui, tudo estava bem, sem problemas.
5. Quanto ao encerramento das clínicas especiais, os médicos queriam saber se os motivos que estiveram na origem da sua criação já estavam sanados. Uma preocupação, quanto a mim, legítima, dado o carácter nobre da sua profissão, que é acima de tudo, velar pela saúde das pessoas. O Ministro disse que sim, e os médico disseram, OK chefe, que se encerrem amanhã mesmo...

A vez dos Linchadores
1. O Povo
A publicação da circular que dava conta das medidas acima afloradas veio avivar o “fogo” que há muito repousava comprimido dentro dalgumas mentes. É o “fogo” linchador, combustibilizado pela longa e dolorosa experiência do mau atendimento nos serviços públicos da saúde, corrupção nas materinidades, casas mortuárias bem como pelo “mercenarismo” dos médicos, que, ao invés de prestarem mais atenção ao pobre doente deitado no leito da também doentia cama do hospital público, corria para as ar-condicionadas clínicas privadas, onde, também pessoas encarnadas podiam pagar mais.
Não houve tempo nem oportunidade para se lançar o “pineu” (pneu) ao pescoço do muhivi (ladrão, bandido) do médico. Mais houve, sim, oportunidade para se lançar os “pineus verbais”, isqueiros, gasolina e fósforos do tipo: «Bem feitos, agora é que vão nos tratar bem!» «Dr. Garrido, você é o anjo que caiu do céu para nos salvar, estávamos a morrer»; «com a chegada do Dr. Garrido, tudo mudou, agora somos bem atendidos»; «senhores médicos, trabalhem, deixem de falar»; O Dr. Zilhão não fez nada quando era também Ministro da Saúde, deixe Dr. Garrido trabalhar. Fica calado», etc. Aposto que se estas medidas fossem tomadas num comício popular, perante um pobre « Zilhão» - aqui corporizo toda classe médica, não faltariam insultos e ou até agressões físicas, num autêntico frenesim catárquico.

2. Os Órgãos de Comunicação Social
Igualmente, a publicação dessas medidas pelo Ministro, também não pos indiferente os profissionais da comunicação sicial. Títulos como “Há um mal estar no Hospital Cemtral”; Garrido instala crise no seio dos Médicos “Zilhão, a cara da Oposição do MISAU”não se fizeram esperar. Havia como que um sentimento de “alguém foi apanhado”. E se estivesse na Beira, dir-se-ia, “wa mama “.
Qualquer reacção da classe médica às decisões do Ministro eram liminarmente desconsideradas; como que sendo o estrebucar de um feiticeiro que, depois de apanhado e acusado de ter cometido o crime, insistia em se considerar inocente, mas que a prova da beberragem (mwavi) o punha sem mais nenhuma alternativa de sobreviver: «bebeu o Mwavi e agora veja-se, estás a morrer»!. Grita-se em coro uníssono nas Rádios, Televisões e Jornais. No altar do sacrifício, um homem fuinho, claro, de bata branca a assistir, glorioso. É o Dr. Ivo Garrido. A restabelecer a “ordem, a digidade e a seriedade nos serviços de saúde do país!”.
As palavras do Dr. Igor Vaz (“não nos vejem como bandidos, também somos humanos e gostamos o que fazemos”) servem como a prova da sua culpabilidade: «afinal, sabem que são vistos como bandidos? Então, já o são.
Grita-se: “Pineu, põe pineu!. Viva Garridooooooooooooooooo!. Você é o anjo que caiu do céu para nos salvar!

E as questões
Depois de, à la Carlos Serra, ter reconstituído esse ritual sacrifical importa reflectirmos um pouco acerca do asunto.
Começaria por indagar as razões que estiveram na origem das decisões do Ministro da Saúde no concernente ao cumprimento de 40 horas semanais pelos médicos moçambicanos.
a) Uma vez já sabido que os médicos moçambicanos, mesmo sem esta medida já faziam mais que 60 horas semanais (nos centros urbanos) e muito mais que isso nos Distritos e outros centros de saúde.
b) Uma vez já por ele sabido que não se tratava de ficar “de plantão”, como dirião os brasileiros, oito horas consecutivas mas sim, que tudo dependeria da organização interna de cada unidade hospitalar, mormente quanto à questão de escalas.
c) Uma vez já sobejamente sabido que quanto a este assunto, tanto os médicos como o Ministério estavam de acordo
- Porque razão criou-se tanto alarido na Imprensa? Haverá razões especiais? Se existem, não as conhecemos.
- Tratou-se de mais uma “encomenda” noticiosa? Estou a ser conspirador. Não sabemos.
Quanto ao encerramento das Unidades de atendimento especial, penso que os médicos não têem nenhuma razão de queixa. Exigem que se feche mesmo amanhã.
Quem se beneficiava destes serviços era o Estado, que tirava dos seus ombros mais um encargo financeiro para e por exemplo, pagar mais de oitocentos membros do pessoal serventuário do Hospital Central do Maputo.
Por último, mas não para fechar, uma questão simples:
- O que provocou a ira linchadora do “povo” e dos meios da comunicação social contra a opinião contrária dos médicos: as decisões do ministro ou o conhecimento (ou percepção) que estes tinham em relação ao desempenho do médicos?
- O que provocou a indignação dos Médicos? As decisões do Minstro ou a polvorização denegridora que o assunto mereceu nos meios de comunicação social, combustibilizada pelo comportamento linchador do “povo da TV, Rádio e Jornais?
Por último, uma pergunta e respectiva resposta especulativa:
- Havia razões para que a classe médica se insurgisse contra o anúncio?
Resposta: Sim, havia, mas não fundadas na circular e/ou medidas anunciadas. Tenho forte convicção de que a aversão da classe médica ante ao documento foi exactamente motivada pela sua vacuidade; ou seja, o documento não dava nenhuma orientação nem nova, muito menos inovadora. Pior, fazia o que eles há muito já tinham ultrapassado; mais de quarenta horas por semana. Quanto as clínicas especiais, esse era um mero assunto político-administrativo.
A ira dos médicos foi, no fcato de ter se ido ao um Conselho Hospitalar e de lá ter se saído sem ter se tocado em assuntos que eles consideram cruciais, nomeadamente: o sistema de carreiras e remuneração, condições de trabalho, regime de trabalho, etc., assuntos que o Ministro reconhece sua idoniedade e urgência sobre os quais, estranhamente as instituições tardam em por a mão à obra. Mais, acho também que a ira se deveu ao facto de se ter preterido uma Associação de Médicos num debate cuja presença se afigurava impreterível apesar de, do ponto de vist legal, a sua presença se afigurava dispensável. Há que se fazer um arranjo para acomodar essa situação. Não se deve debater assuntos de uma determinada classe sem que ela esteja representada. Já lá vão os tempos em que se negociavam donzelas contra a vontade desta.
Sinais para o Futuro
Aproveitaria este momento para á guisa de conclusão questionar alguns “castelos de areia” que se construiram em torno do desempenho do Ministro e da sua equipa.
“o ministro tomou boa decisão em ter que abolir o serviço de atendimento especial. Ontem estive com meu pai no HCM (hospital central do maputo), ficou de baixa mas já saiu. O ministro fez bem sim, ao ter obrigado os médicos ficarem das 07 as 15.30 horas”
- Cidadã entrevistada pela TVM.
Há dois anos que o Ministro dirige o sector. Mudanças de vulto aconteceram nos vários hospitais. Verificam-se melhorias, tanto no atendimento aos doentes, como nos aspectos adminstrativos.
1.De que natureza foram as mudanças que influenciaram no melhoramento dos serviços da saúde? Terão sido as de natureza administrativa? Ou política? O mérito está nas novas direcções dos principais hospitais urbanos? O que sabemos sobre os distritos? Foram as pessoas que mudaram? Ou houve mais incentivos ao trabalho? Quais?
2.Concomitante à questão anterior, importa saber: e quanto as relações de trabalho? Os profissionais de saúde estão satisfeitos com o trabalho que ora fazem? Existe um bom relacionamento entre as direcções hospitalares e o pessoal trabalhador? Acima de tudo, AS MUDANÇAS SÃO DE ORDEM ENDÓGENA, no sentido de saber se existe a apropriação (em inglês, ownership) destas mudanças ou estariamos perante o cumprimento do das ordens do chefe?
3. E qual é o quid pro quo? Ou seja, o que é que os médicos e pessoal dos hospitais ganharam com as mudanças? Respeito? Reconhecimento? Melhoria de condições salariais?
4.Por último, uma questão incómoda: qual é a sustentabilidade dessas mudanças? Há condições para torná-las seguras e perpétuas?
5.Não Estaremos a comprimir demais o FOGO?

Terça-feira, Março 20, 2007

Cúmplices

A situação Política no Zimbábwè
A situação no Zimbabwe parece não incomodar a nenhum poder político africano. Está-se no tal à-vontade que até parece que tudo o que ouvimos pelos meios de comunicação social não passa de um ruído de carros que, por baixo do prédio passam sem no entanto, podermos distinguir o BTR do pequeno Toyota Corolla.

Robert Mugabe está usar a polícia civil e militar bem como forças de segurança disfarçados em "apoiantes" da ZANU para reprimir, torturar e se possível, matar todos os opositores do Partido e da sua pessoa.
Por incrível que pareça, o nosso governo, através da Ministra Alcinda Abreu disse "estar a acompanhar a situação do Zimbabwe com preocupação". Não sei em que é que essa "preocupação se traduz.
Por sua vez, a União Africana "apelou o Governo Zimbabweano a respeitar os direitos humanos" e que estão embarassados. Apenas isso. Não existe no seu site oficial nenhuma informação relevante acerca da situação.

Num país fortemente dilacerado pela crise económica provocada pelo regime fascista de Robert Mugabe, nenhum país africano se levantou contra esse, tendo publicamente condenado os bárbaros actos perpetrados pelos cães do Senhor Mugabe.
Num país cuja inflação atingiu mil porcento; num país em que vários jornalistas estrangeiros e nacionais foram banidos do seu exercício profissional; num país cuja economia afecta outros estados como o meu; num país cujas reservas financeiras se encontram congeladas no exterior, e, paradoxalmente, num país em que apenas Robert Mugabe e seus amigos fazem compras em supermecados nacionais com dólares americanos no bolso, custa-me acreditar que os Estados Africanos, através da sua União Africana, ou, no mínimo, a SADC não faça nada; não lance nenhum apelo Internacional muito menos decrete sanções contra esse senhor!

Na Europa, a União Europeia sanciona, através de várias medidas, os Estados Membros que não cumprem com as medidas, sejam elas económicas, políticas ou sociais, adoptadas no Parlamento Europeu ou pela Comissão Europeia. Na Ásia, a ASEAN também sanciona países infractores de medidas conjuntamente tomadas. E, meus senhores, um dos objectivos da União Africana bem como da SADC e que se tornou em nedida de per se é a inevitável necessidade de se preservar a situação de Paz e Estabilidade Política dos países membro.
Os nossos Governos são tão hábeis em criticar o Ocidente pela imposição desta ou daquela medida. Não sei se é pelo factio de estarem longe de nós, em termos de distância absoluta (mas temos as suas embaixadas), mas remetem-se à um silêncio cúmplice, quando se trata de criticar o amigo ao lado.

Curiosamente, a ZANU PF goza da simpatia da Frelimo e ANC bem como a SWAPO, partidos fortes da região Austral de África. Nenhum deles conseguiu até hoje, lançar uma mensagem de alerta ao partido irmão.
Os estados africanos só conseguirão ser verdadeiros guardiões da paz, se um dia, e em nome da defesa da estabilidade da paz regionais, poder intervir com medidas enérgicas contra qualquer Camarada Presidente que queira se perpetuar no poder contra a vontade do seu povo, bem como intervir na prevenção de focos de instabilidade como o que acontece no Zimábwè.
E se por ventura aparecer um contrabandista de armas, do tipo Falcone, a oferecer a título de empréstimo dezenas de toneladas de armas ao MDC para iniciar uma "guerra pela dmocracia" quem pode me garantir que os zimbabweanos não aderirão à guerra, por mais que seja de "desestabilização"? E na altura, o que os estados africanos dirão. Terão por acaso feito alguma coisa para evitá-la?
Será a União Africana uma organização dos Estados Africanos ou dos chefes de estado africanos?! Agem em nome de quem? Povo ou Gabinetes Governativos?
Seus Cúmplices!
A próxima vez que realizarem a Ciemeira em Moçambique, irei, mesmo sozinho, manifestar-me contra eles, por estarem a acomodar, dentro da organização, fascistas e criminosos.
Veja este filme, apenas para relembrar as origens da actual crise económica. Trata-se da tal Operação Murambatsvina-Limpeza, em Português, uma operação que consistia na "limpeza", através do derrube de acasas e tortura de cidadãos habitantes da Cidade de Harare, cujas habitações não condizessem com a postura camarâria; ou por outra, casas dos pobres.

Segunda-feira, Março 19, 2007

O Quotidiano de Moçambique

O Quotidiano de Moçambique é o nome que Ilídio Macia, jurista moçambicano decidiu dar ao seu novel blog. Visite-o aqui.
Mais uma voz se ergue na nossa blogosfera. Parabéns.
Ó Celso Cau, estás a espera de quê?

Sexta-feira, Março 16, 2007

FAST Publica mais um relatório sobre Moçambique

A Swisspeace, através do seu programa FAST International, publicou hoje mais um relatório sobre Moçambique.
O FAST é um programa independente de aviso prévio, cobrindo vinte e cinco países/ regiões em África, Europa e Ásia. Tem como objectivo o aviso prévio de situações/factos que possam levar à escalada de conflitos violentos em países, através de uma produção regular bimestral de análises da situação política, social e económica, bem como respectivas previsões a curto e médio prazos. Importe aqui, ou aqui. Visite seu site aqui. Espera-se que a próxima seja em Abril.

Quinta-feira, Março 15, 2007

Afonso Dhlakama e a Policia


"Se os polícias se aproximarem às urnas para amedrontar o povo
serão arrancados as armas e
MORTOS.
IMEDIATAMENTE!"
Afonso Dhlakama. In: Jornal da noite, STV, 20.00hrs, 14.03.07

“Os polícias que aproximarem das urnas serão mortos por ex-comandos da Renamo. Já falei
com eles e estão preparados. Serão colocados nos postos de votação como fiscais das forças
da Lei e Ordem. Os elementos que se aproximarem às urnas serão arrancadas as armas pelos
ex-comandos e se resistirem o país pode arder”.
idem, in Jornal A Tribuna Fax, 15.03.07

Aquando do encerramento de mais um Seminário de capacitação em matérias eleitorais, dirigido aos membros da Renamo que ontem findou na Cidade da Matola, Afonso Dhlakama, Presidente da Renamo afirmou que não irá mais tolerar a vingança da Polícia que, no dia das eleições, amedrontar as pessoas. Ele acusa a Polícia de ser parte integrante das artimanhas da Frelimo e que tem como consequência, a sua derrota e a da Renamo.

As afirmações de Dhlakama não nos são estranhas, variando apenas no tom. Todavia, se por um lado estamos habituados ao seu discurso, por outro, revelam uma caducidade política extremamente preocupante.

Um líder da Oposição que aspira o poder político nunca deveria pronunciar tais impropérios, ainda contra um órgão contra o qual não tem bases sólidas para sustentar o que afirma.
Um dos aspectos que ele, Dhlakama, não vê em todos pleitos eleitorais é o facto de o seu partido não ter tido membros suficientes para cobrir todas as assembleias de voto. Pior que isso é que a renamo tem tido dificuldades em fornecer alimentação aos seus respectivos delegados ou observadores durante todo o processoeleitoral.

Em todas as eleições, vimos membros observadores da Renamo a receber alimentos de seus colegas da Frelimo, sempre que fossem horas para, seja qual fosse a refeição. Em todas eleições, vimos membros Observadores da Renamo a partilhar cobertores quando a noite caísse. A maioria dos observadores e membros da CNE da Renamo não tem o mínimo de conhecimento de pacotes de informática. Apenas observam. Vimos ao longo de todo esse tempo, desde 2004, altura em que, pela terceira vez perdeu as eleições, uma Renamo em total letargia. Sem nada fazer. A única que dava sinais de vida era a Renamo da Assembleia da República, mas também sem muita atenção ao que falava.

Pensávamos nós que período entre-eleições constituía para a Renamo em particular e os derrotados no geral, momento de reflexão séria e de correcção de falhas que estiveram na origem da derrota. Não foi isso que vimos na Renamo. Vimos pelo contrário, um sono profundo; uma à-vontade como que nada estivesse para acontecer.

- Não basta apontar o dedo acusador á Frelimo ou Governo. É, sobretudo, preciso que se resolvam os problemas internos para que melhor se esteja preparado para enfrentar o externos. Não nos parece ser essa a situação interna da Renamo. Apesar de ter havido problemas e graves erros nas eleições passadas, somos da opinião de que também a Renamo falhou em todas as esferas: organização interna, campanha política bem como na liderança. E estes males ainda continuam.
- Não se deve contar com a boa vontade do adversário quando os interesses são convergentes. O Poder Político.
- Não se deve contar com a boa vontade da Comunidade Internacional quando o Partido não se mostra capaz de, internamente, melhor se organizar e estruturar, com um discurso coerente e apto a assumir o poder. Ela, a Comunidade Internacional, sempre estará do lado do mal menor, sancionando as eleições, mesmo que sejam ensombradas por diversas irregularidades.
- Não se deve contar com o povo, que sempre em si votou, pois ele muda constantemente em função do nível de satisfação de suas necessidades básicas.

Afonso Dhlakama não deve contar com a honestidade dos seus membros observadores muito menos os tais ditos "guarda presidencial" e toda a cambada de seus sequazes se não puder pagar atempada e adequadamente os seus ordenados salariais e outras benesses.

Afonso Dhlakama não deve reclamar da fraude. Ele deve reclamar de si próprio, que não tem sido capaz de se reconciliar com a democracia, com a paz e bem estar social e com a organização do seu partido.
Nunca nenhum partido político moçambicano perdeu tantos quadros, membros e simpatizantes entre 1999 a 2006 como a Renamo. Nunca nenhum Presidente de um partido político falou tão barato como Afonso Dhlakama. Nunca nenhum lidera partidário foi tão criticado publicamente como ele. Será por ciúmes, ódio?
PS: Hoje não pude escrever sobre o pensamento linchador. Amanhã sim. Tive que dar lugar a esses tema.

Quarta-feira, Março 14, 2007

Pensamento linchador

O Professor Carlos Serra escreveu este artigo, se bem que provisório para, numa primeira fase explicar o fenómeno dos linchamentos na Cidade de Maputo. Recomendo a todos que o leiam.
Mas o que amanhã irei fazer neste espaço será tentar enquadrar o seu marco conceptual num comportamento que amiúde deixa-me bastante degradado. Um comportamento desatento que à todo custo busca causas; prevê efeitos e avança soluções perante assuntos, situações ou factos cujos sujeitos mal conhecem ou se o fazem, superficialmente.
Carlos Serra chamou à isso de pensamento 4x4, ou seja, pensamento à todo o terreno. Numa outra altura, apelidou-o de pensamento circular, pois o motivo de um determinado facto se explica pelas suas próprias consequências.

Macamo já escreveu um livro sobre Moçambique cujo título genérico era Um país cheio de soluções.
Por outras palavras, quero, e aproveitando o quadro teórico do Professor Serra argumentar que nos dias que correm existe em Moçambique e nos meios académico e político, um pensamento linchador. Um pensamento caracterizado pela busca forçosa de soluções à problemas cuja natureza desconhecem.

Aliando a lógica federadora à teoria de conspiração, buscam as causas dos seus insucessos noutras pessoas ou noutras causas. Foi o caso do Ministro da Educação que divide a ciência em duas: a que sabe fazer e a que não sabe ou a que apenas sabe. Vide isto aqui, no Blog de Patrício Langa. Para este dirigente, o problema de Moçambique reside no facto de ter muitos que apenas sabem mas que por natureza da sua formação, não sabem fazer algo que alivie a pobreza absoluta em Moçambique; referindo-se claramente aos cientistas sociais.

Para sanar este problema e segundo o Ministro, deve-se potenciar agora, cursos do ensino superior que formem técnicos para solucionar os problemas concretos do país; como sendo, a produção animal e agrícola, a produção da tecnologia e por aí fora. O novo Reitor da UEM lhe seguiu as peugadas reiterando o mesmo no ano da abertura do ano académico.

Como bem disse Macamo, a má identificação de um determinado problema implica por sua vez, uma má solução. Esquartejam-se as pessoas, os cursos, as ciências; sacrificam-se no altar da ignorância os que, com o seu saber, também poderiam prestar um contributo imenso à reflexão dos problemas da nação e possivelmente a sua solução.

E nós, linchados, que fazer? Persistirmos, dizendo que ainda somos válidos ou vergarmos perante o chefe, elevando mais alto o nosso não saber fazer. Aliás , e como bem disse PL, eles é que não sabem o que fazer e não nós.
Até amanhã.

Quinta-feira, Março 08, 2007

Salomão Moyana e as Cheias


"O problema é que as várias instituições governamentais existentes em Moçambique só funcionam formalmente e não demonstram nenhuma capacidade de iniciativa e flexibilidade para funcionar em períodos anormais da vida do País, ficando, por isso, paralíticas perante esta soberba oportunidade, que estão a deixar passar, de transformar mais de 150 mil moçambicanos em líderes nacionais de desenvolvimento sustentável" In: Editorial do Zambeze, 08.03.07.

Salomão Moyana, Jornalista e Director do Zambeze escreve hoje no seu Editorial que o Estado moçambicano não está a conseguir capitalizar a catástrofe que se bateu sobre nós, nomeadamente as cheias no Vale do Zambeze e o Ciclone Favio, em oportunidade para Educar nas mais variadas vertentes e de uma só vez, as mais de 150 mil pessoas aglomeradas em Campos de Acomodação.

Moyana é da opinião de que em vez de o Estado parar, devia e por exemplo, aproveitar a população aglomerada em Centros de Acomodação, para recencear gratuitamente as crianças e adultos que não o fizeram, e já agora, amumentando, distribuir os Bilhetes de Identidades que há muito ocupam espaços nas diversas Direcções de Identificação Civil do País. Devia também, e segundo ele, aproveitar essa oportunidade para que os poucos extencionistas que temos ensinassem as populações as melhores técnicas de cultivo; os ambientalistas, as queimadas, etc. Para ele, procedendo assim, "aqueles moçambicanos voltariam às zonas de origem mais enriquecidos do que quando chegaram [aos campos de acomodação] e isso permitir-lhes-ia aumentar o nível da sua auto-estima e a capacidade de recosntrução das suas vidas afectadas pelas inundações."

Se as ideias não são boas, pelo menos são originais! E é disto que o País carece.

Homenagem a grandes Africanos em dia Mundial da Mulher





No Dia Internacional da Mulher, decidi prestar a minha singela homenagem aos grandes africnaos cuja grandiosidade da sua obra chamou atenção de todo o Mundo. São africanos de que a África se orgulha e nunca se esquecerá. São filhos deste continente, Berço da Humanidade, cuja nobre obra ficou indelevelmente inscrita na memória da Humanidade.
Os Prémios Nobel Africanos:
De esquerda para a direita e de cima para baixo:
Nelson Mandela (RSA), Nobel de Paz 1993; Wangari Maathai (Kenya), Nobel de Paz 2004; Wole Soyinka (Nigéria), Nobel de Literatura 1986; Kofi Annan (Ghana), Nobel de Paz 2001; Naguib Mahfouz (Egípto), Nobel de Literatura 1988; Mohamed Anwar al-Sadat (Egípto), Nobel de Paz 1978; Mohammed el-Baradei (Egípto), Nobel de Paz 2005; Nadine Gordimer (RSA), Nobel de Literatura 1991; Frederik Willem de Klerk (RSA), Nobel de Paz 1993; Albert John Luthuli (RSA), Nobel de Paz 1960; Albert Zewail (Egípto) Nobel de Química 1999; Arcebispo Anglicano Desmond Mpilo Tutu (RSA) Nobel de Paz 1984; John M. Coetzee (RSA) Nobel de Literatura 2003.
Por País
África do Sul -RSA.......6
Nigéria...........................1
Egípto............................4
Kenya.............................1
Ghana ............................1
Outros Africanos na Diáspora: veja aqui

Segunda-feira, Março 05, 2007

O "Rabo" que muitos exitam em tocar. Ainda sobre as cheias do "vale"

Quando pela úmtila vez escrevi sobre as cheias, tentando mostrar o negócio que ele enferma, pensei eu que fosse o último post. Puro engano. Por imperativo do meu ofício, acabei me cruzando com um artigo muito interessante, escrito em Fevereiro, retirado deste portal, cuja abordagem sobre as cheias que actualmente fustigam os meus irmãos me parece pertinente e útil. Abaixo segue-se o artigo, seguido dos meus comentários.


Zambeze – um outro lado das cheias
Cahora Bassa foi bem gerida?
Os recentes picos de cheia no Zambeze poderiam ter sido evitados e, em minha opinião, eles constituem uma nova demonstração do perigo em se enfeudar águas ao economicismo hidroeléctrico.
Comece-se por notar que, ao contrário das cheias de 1978, 1989, 1997 e 2001, neste dramático Fevereiro 2007 a contribuição dos escoamentos de Kariba em Cahora Bassa foi praticamente nula.
Na verdade, o lago de Kariba (Zimbabwe/Zâmbia) está num dos seus mais baixos níveis de sempre (17% de enchimento) o que, teoricamente, deveria representar não só o anular da sempre crítica imprevisibilidade destes megafluxos em Cahora Bassa, mas também, hélas, uma raríssima simplificação da equação hidrológica no Zambeze moçambicano.
Paradoxalmente, e muito embora a HCB continue remetida a um inaceitável e plúmbeo silêncio, eu julgo que terá sido exactamente este factor – Kariba vazia – um dos principais determinantes do que considero serem erros de gestão hidroeléctrica por parte da HCB e autoridades laterais.
Erros que, a terem existido como aqui sugiro, conduziram às dramáticas pontas de cheia deste Fevereiro 2007.
Em termos sumários, é esta a minha linha de raciocínio.
Preocupada com 3 anos de baixíssimos níveis em Kariba, mas sempre muito ávida em maximizar proveitos, na estação 2006/7 a HCB insistiu em adoptar uma curva-guia de exploração apostando em mais 2 ou 3,000 GWh do que devia. E, iludida por uma Kariba vazia, a HCB deixou-se encher em demasia - não obstante as previsões pluviométricas emitidas em Outubro/Novembro 2006.
Sucede que, nesta ansiosa busca de dólares-extra, a HCB (Hidroeléctrica de Cahora Bassa), mesmo apesar de cada vez mais “nossa”, parece ter cometido dois graves erros de gestão hidrológica:
1. À montante, a HCB subestimou as contribuições das redes zambianas de Kafue e Luangwa; umas sub-bacias que, não tão infrequentemente como isso, representam não só mais de metade dos usuais influxos Cahora Bassa, mas também pontas de cheia que, como na rede Luangwa, chegam a superar os 10,000 m3/s como no caso de 1989.

2. À jusante, a HCB subestimou grosseiramente a importância das redes afluentes de Norte (Shire, Revuboe, etc) e de Sul (Moz/Zim). Um erro que, na zona de Mutarara / Caia, pode ter significado ignorar que, às suas já imensas descargas de 8,400 m3/s, havia que acrescentar pelo menos outro tanto destes agitados tributários.
Este desequilibrado armazenar de água em detrimento da segurança de pessoas e bens pode e deve ser evitado.
E, desde logo, eu sugiro que, para além de uma mais criteriosa e humana ponderação de riscos, à HCB passe a ser imposta a internalização dos custos de todas estas desgraças. Talvez só assim se possa começar a colocar Vida acima de GWh.
E porque eu sei que é grave, e frequentemente desonesto, extrapolar provas com base em presunções e/ou factos circunstanciais, em particular quando se está perante tamanha desgraça humana, eu daqui convido a HCB a colocar todos os seus dados na mesa - para que todos a interpretem.
José Lopes, Engenheiro electrotécnico.
Fevereiro 2007 e ainda a meio da época chuvosa
Comentários
1. Muitas vezes fomos fustigados pelas cheias. Poucas foram as vezes que questionamos a responsabilidade da Barragem de Cahora Bassa na prevenção destas. Tendo em conta o que José Lopes acabou de nos dizer, quais seriam as responsabilidades imputáveias à HCB?
2. O que as instituições de gestão de bacias hídricas (refiro-me à Direcção Nacional de Rios Internacionais, que neste momento está, cumplicemente, com o bico fechado e rabo bem preso às suas cadeiras, assitindo, criminosamente) sabem sobre a influência dos rios afluentes na determinação dos caudais dos grandes rios como o Zambeze?

Quinta-feira, Março 01, 2007

Abdulaye Wade Ganhou as eleições senegalesas

Realizaram-se no passado Domingo em Senegal, as eleições Presidenciais. Quinze pessoas candidataram-se para a corrida. Ou seja foram quinze, filhos de senegaleses, ávidos em servir ou servir-se do povo.

Confira aqui a lista dos tipos.
Abdulaye Wade, o actual Presidente levou vantagem. E o tipo ganhou as eleições com 57%. Mais sete anos!
Não hove quem não cantasse vitória mesmo na segunda-feira de manhã. Infelizmente o tiro saiu-lhe pela culatra.
Os outros candidatos, 14, estão agora a fazer as contas à vida, pois tudo indica que Wade, se não morrer, irá recandidatar-se ao terceiro mandato. A lei assim o permite. Ao todo serão 21 anos "democráticos", depois de ter passado quase toda a sua juventude na oposição, como também o fez Lula da Silva do Brasil ou já agora o "nosso" Afonso Dhlakama, da Renamo.
Parabéns ao PDS. Parabéns ao Presidente Wade. De parabéns está Senegal, país cuja democracia foi e continua a ser exemplar.

O vale, antro da corrupção e sofrimento ou, como se enriquece e se empobrece com as cheias?

Sobre as cheias no Vale do Zambeze, muito se falou. E na blogosfera nacional, eu fui foi dos primeiros, quando escrevi este artigo, muito antes de as coisas piorarem.
Nos dias que correm, surge, por causa das águas malígnas (cheias, leia-se) um fenónemo que também, denunciei aqui, neste blog. Gritos te alerta à invasão das populações ditas não afectadas pelas cheias aos campos de concentração ou de reassentamento, foram pela primeira vez tornados públicos aqui, no blog do Professor Carlos Serra. No Vale do Zambeze, está acontecer tudo. Menos boa coisa. Desde o roubo e posterior venda no mercado paralelo de produtos destinados aos deslocados até a fraudulenta ou falsa inscrição de residentes de bairros não afectados pelas cheias, que se fazem passar por estas, com o fim último de se beneficiar de víveres e outros bens.

Em Chupanga, Marromeu, província de Sofala, mais de um milhar de pessos foram detectadas e posteriormente banidas da lista dos afectados, quando foram descobertas que, afinal, não passavam de uns oportunistas que queriam aproveitar-se do bom óleo e de bons cobertores.
Em Mutarara, dois chefes de bairro foram acusadas de inscrever seus familiares nas listas de pessoas afectadas pelas cheias, com o objectivo já conhecido.

Se por um lado a atitude dos régulos e do resto daqueles que acorrem aos campos de acomodação com o fim de se misturarem aos demais sofridos para juntos se beneficiar da ajuda humanitária é condenável, por outro, devemos saber que TODAS as populações do vale estão afectadas, directa ou indirectamente.
Os que por mera sorte ou pela sua localização escaparam às águas, o mesmo não se diria em relação às suas culturas ou outros bens.
Todo o distrito de Mutarara, por exemplo, Caia, Chemba e Tambara, estavam à braços com a fome, antes das águas inundar as machambas das populações. Produziu-se pouco, em virtude da tardia queda das chuvas. As esperanças estavam todas depositadas na segunda época; essa, que já está frustrada.

Deveriam as ONGs Humanitárias e Governo pensar também nos que estão afectados pela vinda dos deslocados, vítimas de cheias, proporcionando-os também comida, porque não a tem.


O resgate empobrecedor

Um relato contado por um cidadão do Centro de Acomodação de Chupanga em Marromeu ajudou-me a acompreender como é que o resgate, seja de emergência seja preventivo; seja por barco ou avião e mesmo de bicicleta do INGC ajuda a empobrecer ainda mais as população.É que às pessoas, são lhes liminarmente proibido levar qualquer coisa que seja.

Vestuário, panelas, roupa, um pouco de comida, tudo. Tudo fica seja porque o avião ou helicóptero apenas está para salvar almas e não cabritos ou farinha. A promessa sempre tem sido a de “vai encontrar lá”! e chhegado “lá” vive-se o drama. As vezes provocado. E os dinheiros chorudos lá vêem,
Mas para os bolsos conhecidos.